Irã não nutre inimizade pelo povo dos EUA, afirma presidente Masoud Pezeshkian em carta | Rio das Ostras Jornal

Irã não nutre inimizade pelo povo dos EUA, afirma presidente Masoud Pezeshkian em carta

fim, agressões militares não provocadas — duas vezes, inclusive em meio a negoci
Reprodução Agência Brasil

Em um momento de intensas tensões geopolíticas, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, dirigiu-se diretamente ao povo dos Estados Unidos da América por meio de uma carta aberta. Publicado nesta quarta-feira (1º) na rede social X, o longo texto em inglês busca desmistificar percepções e reafirmar que a nação persa não cultiva animosidade contra outras populações, incluindo as dos EUA, da Europa ou de países vizinhos.

A iniciativa de Pezeshkian surge em um cenário de conflito crescente na região, com ataques combinados de Estados Unidos e Israel contra o território iraniano, que já completaram um mês. A carta representa um esforço diplomático para combater o que o líder iraniano descreveu como uma "enxurrada de distorções e narrativas fabricadas", buscando apresentar a perspectiva iraniana sobre a história e as relações internacionais.

A mensagem de Teerã ao povo americano

Na essência de sua comunicação, Pezeshkian enfatiza um princípio cultural iraniano profundamente enraizado: a distinção clara entre governos e os povos que eles governam. Segundo o presidente, essa não é uma posição política passageira, mas sim uma característica intrínseca à consciência coletiva iraniana. Ele ressalta que o Irã, uma das civilizações contínuas mais antigas da história humana, nunca optou pelo caminho da agressão, expansão, colonialismo ou dominação, apesar de suas vantagens históricas e geográficas.

A carta convida os leitores a olharem além da máquina de desinformação e a buscarem a verdade por meio de conversas com aqueles que visitaram o Irã ou observando o sucesso de imigrantes iranianos que contribuem significativamente para universidades e empresas de tecnologia no Ocidente. Essa abordagem visa humanizar a imagem do Irã e de seu povo, contrastando com as narrativas frequentemente apresentadas pela mídia ocidental.

Raízes da desconfiança: o legado da Operação Ajax e sanções

Pezeshkian aborda a complexidade das relações Irã-EUA, lembrando que nem sempre foram hostis. Ele aponta o golpe de Estado de 1953, conhecido como Operação Ajax, como um ponto de inflexão. Articulado pelos norte-americanos com apoio do Reino Unido, o golpe derrubou o então primeiro-ministro democraticamente eleito, Mohammad Mossadegh, após sua decisão de nacionalizar os recursos petrolíferos do país.

Esse evento, segundo o presidente iraniano, desestruturou o processo democrático do Irã, restaurou uma ditadura e semeou uma profunda desconfiança em relação às políticas dos EUA. Essa desconfiança foi aprofundada por ações subsequentes, como o apoio americano ao regime do xá, o respaldo a Saddam Hussein durante a guerra imposta nos anos 1980, a imposição das mais longas e abrangentes sanções da história moderna e, por fim, agressões militares não provocadas contra o Irã, inclusive em meio a negociações.

A perspectiva iraniana sobre segurança e desenvolvimento

O presidente iraniano argumenta que, apesar das pressões externas, o Irã se fortaleceu significativamente após a Revolução Islâmica. Ele cita avanços mensuráveis e observáveis em diversas áreas, como a triplicação das taxas de alfabetização, a expansão do ensino superior, progressos em tecnologia moderna, melhoria dos serviços de saúde e desenvolvimento de infraestrutura em ritmo e escala incomparáveis ao passado. Pezeshkian afirma que essas realidades existem independentemente de narrativas fabricadas.

No entanto, ele também reconhece o impacto destrutivo das sanções, da guerra e da agressão sobre a vida do povo iraniano. A concentração de forças, bases e capacidades militares dos Estados Unidos ao redor do Irã é vista como uma ameaça. A resposta iraniana, de fortalecer suas capacidades defensivas, é descrita como uma "resposta comedida, fundamentada na legítima autodefesa, e de forma alguma uma iniciativa de guerra ou agressão".

Conflito regional e o papel de Israel na visão iraniana

Em sua carta, Masoud Pezeshkian questiona abertamente se os interesses do povo norte-americano estão sendo realmente atendidos pela atual política de guerra. Ele indaga sobre a justificação para o "massacre de crianças inocentes", a destruição de instalações farmacêuticas e os bombardeios que prejudicam a posição global dos Estados Unidos. O líder iraniano também levanta a possibilidade de manipulação, questionando se Israel, ao "fabricar uma ameaça iraniana", busca desviar a atenção global de seus crimes contra os palestinos.

Pezeshkian sugere que Israel pode estar buscando lutar contra o Irã "até o último soldado americano e até o último dólar do contribuinte americano", deslocando o ônus de suas próprias ilusões sobre o Irã, a região e os próprios Estados Unidos, em busca de interesses ilegítimos. Essa é uma crítica direta à política externa dos EUA e ao seu alinhamento com Israel.

O cenário atual da guerra e suas consequências

A carta de Pezeshkian chega em um momento crítico. Os ataques combinados de Estados Unidos e Israel contra o território iraniano completaram um mês, sem perspectiva concreta de um acordo de cessar-fogo. O conflito já resultou na morte de importantes autoridades persas, incluindo o líder supremo, Ali Khamenei, conforme noticiado anteriormente. Para mais informações sobre o contexto regional, você pode consultar notícias relacionadas.

As repercussões econômicas são globais: o fechamento do Estreito de Ormuz, rota controlada pelo Irã por onde circulam cerca de 20% dos carregamentos de petróleo no mercado internacional, fez com que o preço do barril aumentasse cerca de 50%. Além disso, pesquisadores já alertam para riscos ambientais e climáticos associados ao conflito. Em meio a este cenário, o presidente dos EUA, Donald Trump, fará um pronunciamento à nação nesta quarta-feira, a partir das 22h (horário de Brasília), para tratar sobre a guerra, um evento aguardado com expectativa por analistas e pela comunidade internacional.

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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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