Fraude no combustível: Rio das Ostras e estado fluminense intensificam combate à bomba baixa | Rio das Ostras Jornal

Fraude no combustível: Rio das Ostras e estado fluminense intensificam combate à bomba baixa

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Abastecer o veículo é, para a maioria dos brasileiros, um ato mecânico de rotina. No entanto, por trás do visor digital da bomba de combustível, esconde-se um dos campos de batalha mais complexos da defesa do consumidor moderno. Se antigamente a preocupação maior era com o combustível "batizado", a adulteração química da mistura, hoje o desafio evoluiu para uma fraude tecnológica e silenciosa: a chamada "bomba baixa".

A fraude é matematicamente cruel. O visor registra 20 litros, o consumidor paga por 20 litros, mas o tanque recebe apenas 17 ou 18. Essa diferença, muitas vezes imperceptível para o motorista no dia a dia, representa uma vantagem manifestamente excessiva para o fornecedor e um prejuízo em cascata para a sociedade. Estamos falando de uma prática fraudulenta de fornecimento em quantidade inferior à contratada, operada por dispositivos eletrônicos ou manipulações mecânicas que desafiam a percepção imediata do cidadão comum.

Recentemente, operações de fiscalização em municípios de todo o Estado têm revelado o tamanho do problema. Em flagrantes recentes, equipamentos de abastecimento nos postos foram interditados por entregarem quase três litros a menos do que o indicado na aferição. Quando multiplicamos essa margem pelo volume diário de vendas de um posto, o montante desviado do bolso do trabalhador é astronômico. É um crime que drena a renda familiar, encarece o transporte de mercadorias e, por consequência, influencia o preço dos alimentos na mesa de todos.

O Código de Defesa do Consumidor (CDC) é claro ao estabelecer que o fornecedor não pode se prevalecer da fraqueza ou ignorância do consumidor para obter vantagem. Contudo, em 2026, a vulnerabilidade não é apenas de conhecimento, mas tecnológica. Nem sempre o consumidor consegue verificar no momento do abastecimento alguma irregularidade. Ele depende da eficiência dos órgãos de controle.

Por isso, a atuação conjunta dos órgãos de defesa do consumidor, como a Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor e o PROCON-RJ, que já vêm realizando ações desde 2024 em todo o território fluminense, não é apenas uma questão de fiscalização administrativa, mas um ato de proteção da economia popular. O consumidor consciente é peça-chave nessa engrenagem. Exigir o teste do balde de 20 litros em caso de suspeita e denunciar irregularidades são formas de exercer a cidadania. Em um país onde o custo de vida é um desafio constante, garantir que cada gota paga seja efetivamente entregue não é um privilégio, mas uma questão de justiça. O respeito ao consumidor não pode ser opcional, ele deve ser a regra, aferida no rigor da lei e na precisão da bomba.
Denúncias, reclamações e dúvidas podem ser enviadas pelo whatsapp + 55 (21) 96619-2498 ou pelo @gutembergpfonseca.
Por Gutemberg Fonseca – especialista em defesa do consumidor e ex-secretário de Estado de Defesa do Consumidor

Fonte: odia.ig.com.br

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