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| Fotos: Divulgação |
Relatório aponta áudios de pagamentos a eleitores, distribuição de botijões de gás, remédios e uso da máquina pública para favorecer chapa vencedora; processo corre na 184ª Zona Eleitoral
O cenário político de Rio das Ostras foi sacudido nesta semana pela divulgação de detalhes contidos no Inquérito Policial nº 0600002-06.2026.6.19.0184, conduzido pela Delegacia de Polícia Federal de Macaé. O documento, que tramita na 184ª Zona Eleitoral, traz denúncias gravíssimas de captação ilícita de votos e corrupção eleitoral que envolvem diretamente o atual vice-prefeito do município, Fabio Alexandre Simões Leite, conhecido como Dr. Fábio Simões, e o primeiro suplente e ex-candidato a vereador Doeguer Jonatas Cabral de Braga.
As investigações, fundamentadas em uma Notícia de Fato do
Ministério Público Eleitoral, sugerem que a vitória da chapa encabeçada pelo
prefeito Carlos Augusto, tendo Fábio Simões como vice nas eleições de 2024,
pode ter sido pavimentada por um esquema estruturado de compra de votos e uso
indevido da máquina pública.
Áudios revelam pagamentos em dinheiro: "Cem
prata" por voto
Um dos pontos mais sensíveis do inquérito reside na análise
de mídias e dispositivos eletrônicos apreendidos. Em áudios obtidos pela
Polícia Federal, o vice-prefeito Fábio Simões é flagrado em diálogos que
indicam o pagamento direto a eleitores. Em um dos trechos citados no relatório,
Simões menciona o valor de "cem prata" (cem reais) como pagamento e
orienta seus interlocutores sobre como proceder caso algum eleitor se mostre
insatisfeito com a quantia. A orientação, segundo o inquérito, era manter o
valor para garantir o compromisso do voto, evidenciando uma contabilidade
paralela para a compra de apoio popular.
Além do dinheiro em espécie, o inquérito detalha a atuação
de Doeguer Jonatas, que contava com o auxílio de assessores para a distribuição
de bens de primeira necessidade em troca de votos. Há registros de entrega de
botijões de gás e medicamentos, práticas estritamente proibidas pela legislação
eleitoral brasileira, que configura tais atos como abuso de poder econômico.
A "Lista da Compra": Nomes, valores e adesivos
A Polícia Federal identificou documentos que funcionariam
como uma espécie de "livro-caixa" da corrupção. Uma lista intitulada
"Fábio Simões - Compra de voto Doeguer" foi anexada ao processo,
contendo nomes de eleitores, valores pagos e o controle de entrega de adesivos
de campanha. A organização do esquema impressionou os investigadores pela
sistematização da troca do benefício pelo voto confirmado.
A investigação também aponta para uma grave violação do
sigilo do voto. Foram recuperadas fotos de comprovantes de votação e, em um
caso extremo, um vídeo gravado ilegalmente dentro da cabine eleitoral por um
eleitor, confirmando o voto em Doeguer e na chapa de Carlos Augusto e Fábio Simões,
possivelmente como forma de "prestação de contas" para recebimento de
vantagens.
Uso da máquina pública e promessas de cargos
O inquérito vai além do assistencialismo e adentra na
estrutura da Prefeitura de Rio das Ostras. Áudios revelam estratégias para
utilizar obras e projetos públicos como moeda eleitoral. Em um diálogo,
discute-se a instalação de uma "academia de idoso", com a instrução
expressa de que a conquista fosse divulgada apenas no "boca a boca"
como um feito pessoal de Doeguer, evitando registros em redes sociais para não
criar provas documentais de uso promocional da máquina pública durante o
período vedado.
A Polícia Federal também investiga a possível troca de apoio
político por cargos na Secretaria de Saúde. Foi requisitada à administração
municipal a lista completa de servidores nomeados após o pleito de 2024, para
cruzar dados com a lista de cabos eleitorais e pessoas citadas nos áudios de
negociação.
Diligências e possíveis consequências
O delegado Alexsandro Maximiano de Oliveira, responsável
pelo caso, solicitou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) o mapeamento
detalhado das seções eleitorais onde os investigados obtiveram votação
expressiva, além de dados cadastrais de diversos números de telefone junto às
operadoras. O objetivo é mapear a extensão da rede de corrupção.
Caso as denúncias sejam julgadas procedentes pela Justiça
Eleitoral, os envolvidos podem enfrentar penas severas, que incluem a cassação
dos diplomas e mandatos, inelegibilidade por oito anos e sanções criminais previstas
no Artigo 299 do Código Eleitoral.
O Rio das Ostras Jornal reafirma seu compromisso com
a verdade e o interesse público. O espaço está aberto para que as assessorias
de Fábio Simões, Doeguer Jonatas e da Prefeitura de Rio das Ostras apresentem
seus esclarecimentos sobre os fatos narrados no inquérito. Até o fechamento
desta edição, não houve manifestação oficial dos citados.
Este é um caso que mexe com as estruturas democráticas da
nossa cidade. Continuaremos acompanhando cada passo deste processo, pois o
cidadão de Rio das Ostras merece saber se o resultado das urnas foi fruto da
vontade livre ou de um esquema de bastidores financiado pelo poder e pelo
dinheiro.

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