Trata-se de um prestigiado whisky escocês que na internet
aparece vendido com preços que variam entre R$ 800 e R$ 5 mil
O empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, pagou uma
degustação de whisky em Londres, para autoridades de Brasília quando
ele financiou um fórum jurídico na capital britânica, em abril de 2024.
Entre os participantes do convescote, os ministros do
Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli,
o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues e o
procurador-geral da República, Paulo Gonet.
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A informação foi publicada pelo site Poder360, que cruzou
duas informações. A dos dados do celular de Daniel Vorcaro recuperados
pela PF e enviados à CPMI do INSS e dos registros obtidos na sessão
secreta realizada pelo STF em 12 de fevereiro para tratar do afastamento do
ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master.
No conjunto de dados do celular de Vorcaro há emails
com relatórios de custos do I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, evento
organizado pelo Grupo Voto, entre 23 e 27 de abril de 2024, com o financiamento
do Banco Master.
A anotação aponta a contratação de um “serviço de degustação
Macallan no George Club”. Trata-se de um prestigiado whisky escocês que
na internet aparece vendido com preços que variam entre R$ 800 e R$ 5
mil, a depender da versão da bebida.
O custo da degustação está registrado por US$ 640.831,88. Convertendo
com base no valor do dólar da época, o montante equivale a R$ 3,3 milhões.
Os e-mails não fazem referência aos participantes da
degustação. O site Poder360 afirmou que o próprio ministro Alexandre de
Moraes fez uma citação ao evento durante a sessão secreta do STF.
“Nesse encontro [em Londres], vários estávamos lá. Eu estava
lá. Andrei Rodrigues estava lá. Depois fomos todos juntos a um pub, tomamos
Macallan [o whisky escocês]”, disse.
O site já havia publicado transcrições literais das afirmações
feitas por ministros durante a reunião do dia 12 de fevereiro que resultou no
afastamento de Toffoli do caso.
O fórum jurídico teve uma série de empresários e autoridades
na lista de palestrantes e na plateia.
Entre os debatedores, o ex-presidente Michel Temer, o
procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ministros do Superior Tribunal de
Justiça (STJ) como Luis Felipe Salomão e Antonio Saldanha Palheiro.
Moraes, Toffoli e Andrei Rodrigues também participaram como
debatedores, além do ministro Gilmar Mendes, do STF.
O evento contou ainda com o então presidente da Comissão de
Constituição e Justiça do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), com o então
ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.
Ao definir a lista de convidados para a plateia do
fórum, Daniel Vorcaro consultou Alexandre de Moraes. O
magistrado determinou que o empresário Joesley Batista, da J&F,
fosse “bloqueado” do evento, e Vorcaro levou a determinação à
organização do fórum.
O veto aparece em uma das trocas de mensagens encontradas
pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro. Em conversa com o
jornalista Márcio Chaer, diretor do portal de notícias jurídicas (ConJur), o
banqueiro recebe uma lista de possíveis convidados e responde, em uma sequência
de três mensagens:
“Boa. Só Joesley foi bloqueado. Não comentou os demais.
Entendo que aprovou. Ainda assim, reperguntei. Possível que ele não queira
explicitar a concordância. Mas concordo ao afastar um só nome”, disse Vorcaro
ao jornalista, que mediou as mesas de debates.
JP

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