Um total de 337 mil estrangeiros vive atualmente sem a
documentação requerida no país que passa a ser comandado por José Antonio Kast
O novo presidente do Chile, José Antonio
Kast, ordenou na quarta-feira (11), após tomar posse, a construção
de “barreiras físicas” na fronteira com a Bolívia, para desencorajar a
imigração irregular, uma das principais promessas de campanha do direitista.
“Solicito a sua colaboração ativa no aumento do número de
funcionários” e “também o encarrego de colaborar com a construção de barreiras
físicas para deter a entrada da imigração ilegal” na fronteira com a
Bolívia, disse Kast ao comandante do Exército, Pedro Varela, durante um ato
em que assinou seus primeiros seis decretos, três deles relacionados à
imigração irregular.
Um total de 337 mil estrangeiros vive atualmente sem
a documentação requerida no Chile, segundo dados oficiais.
Em seu discurso de posse, diante de milhares de apoiadores
que se reuniram em frente ao palácio presidencial, Kast, 60 anos, pediu
aos seus ministros que realizem auditorias para apurar em que situação
o esquerdista Gabriel Boric entregou o governo.
“Estão nos entregando um país em piores condições do que
poderíamos imaginar”, criticou Kast. Em sua primeira mensagem à nação, ele
prometeu ainda que o “governo de emergência” não será um “slogan”.
“Para enfrentar as emergências em segurança, em saúde, em
educação, em emprego, o Chile precisa de um governo de emergência e é isso que
teremos”, afirmou diante dos seguidores em Santiago.
Kast acrescentou que “aos adversários do Chile”, como ele
chama os criminosos nacionais e estrangeiros, “nós vamos perseguir, vamos
encontrar, vamos julgar e vamos condenar”.
No início da tarde, o advogado de extrema direita José
Antonio Kast assumiu a Presidência do Chile e se tornou o mandatário
conservador mais radical no país desde a ditadura de Augusto Pinochet.
“Sim, juro”, declarou Kast em uma cerimônia solene diante
do plenário do Congresso na cidade de Valparaíso, a 110 km de Santiago, na
qual substituiu o presidente Boric, que esteve no poder nos últimos quatro
anos.
Os chilenos abandonaram nos últimos anos o anseio por uma
nova Constituição surgido com o rebuliço social de 2019. Boric, que
participou da cerimônia de posse, foi um dos principais impulsionadores desse
processo, que fracassou após duas tentativas de reforma.
Católico devoto e pai de nove filhos, Kast
representa “uma direita conservadora como não se conhecia desde o retorno à
democracia”, em 1990, afirma Rodrigo Arellano, analista político da
Universidade do Desenvolvimento, instituição privada.
Seu discurso de ordem atrai chilenos que buscam frear a
criminalidade.
JP

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