Irã: Otan não confirma ataque a base militar no Índico, mas investiga capacidade | Rio das Ostras Jornal

Irã: Otan não confirma ataque a base militar no Índico, mas investiga capacidade

Reino Unido e Estados Unidos no Oceano Índico, tenha sido atingida por mísseis b
Reino Unido e Estados Unidos no Oceano Índico, tenha sido atingida por mísseis b
Destaques:
  • A Otan não confirmou um suposto ataque iraniano à base militar de Diego Garcia.
  • O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou que a capacidade balística intercontinental do Irã está sob investigação.
  • O Irã nega veementemente as acusações, classificando-as como “falsa bandeira”.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) declarou que não pode confirmar as alegações de que a base militar de Diego Garcia, compartilhada por Reino Unido e Estados Unidos no Oceano Índico, foi atingida por mísseis balísticos intercontinentais do Irã. A declaração foi feita pelo secretário-geral da aliança, Mark Rutte, em meio a crescentes tensões na região e especulações sobre as capacidades militares iranianas. O incidente teria ocorrido no sábado (21), com a manifestação da Otan ocorrendo no domingo (22).

A controvérsia surge em um cenário de alta sensibilidade geopolítica, onde a confirmação de tal ataque poderia ter implicações significativas para a segurança internacional e para o envolvimento de potências ocidentais em conflitos no Oriente Médio. A Otan, por sua vez, mantém uma postura cautelosa, indicando que a investigação sobre o ocorrido está em andamento.

Otan e o suposto ataque a Diego Garcia

Em entrevista exclusiva à emissora CBS News, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou: “Não podemos confirmar isso neste momento, então estamos investigando”. A base de Diego Garcia, localizada a mais de 3 mil quilômetros do território iraniano, é um ponto estratégico crucial para as operações militares de Reino Unido e Estados Unidos na região do Oceano Índico. A alegação de que mísseis iranianos teriam alcançado essa distância levanta sérias questões sobre o avanço tecnológico do programa balístico do Irã.

Apesar da não confirmação, a Otan expressou preocupação com a capacidade balística iraniana. Questionado sobre a possibilidade de o Irã ter mísseis capazes de atingir cidades europeias, como alegado por autoridades israelenses, Rutte indicou que Teerã estaria “muito perto” de possuir essa capacidade intercontinental. “Se esse foi o caso da base no Reino Unido, em Diego Garcia, ainda estamos avaliando. Mas, se for verdade, significa que eles já possuem essa capacidade. Se não for verdade, sabemos que estão muito perto de tê-la”, completou o chefe da aliança militar.

Capacidade balística do Irã: alegações e avaliações

O Irã, por sua vez, nega veementemente qualquer ataque à base militar conjunta EUA-Reino Unido. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, classificou a acusação como uma “falsa bandeira” destinada a incriminar Teerã. O governo iraniano sempre afirmou que o alcance máximo de seus mísseis seria de 2 mil quilômetros, o que tornaria um ataque a Diego Garcia, a 3 mil quilômetros de distância, tecnicamente improvável sob suas declarações anteriores.

Fontes militares dos EUA, não identificadas, teriam informado a agências internacionais de notícias sobre o lançamento de mísseis iranianos contra a base no Oceano Índico, embora os projéteis não tivessem atingido as instalações. Essas notícias foram rapidamente utilizadas por Israel para sugerir a necessidade de envolvimento europeu no conflito. O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa'ar, declarou nas redes sociais que o Irã teria mentido sobre sua capacidade balística, afirmando que “A 4.000 km do Irã, encontram-se Berlim, Paris e Londres”, implicando que apenas Islândia, Irlanda e Portugal estariam fora do alcance.

Reações e o papel do Reino Unido

A situação é agravada pelo apoio político do governo do Reino Unido às operações dos EUA e de Israel contra o Irã, incluindo o fornecimento de apoio logístico. Na sexta-feira (20), o governo britânico confirmou que os EUA estão utilizando suas bases no Reino Unido para “autodefesa coletiva da região”, incluindo operações defensivas para degradar locais e capacidades de mísseis usados para atacar navios no Estreito de Ormuz. Esta confirmação gerou uma forte reação de Teerã.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, alertou que o Reino Unido estaria colocando vidas britânicas em perigo ao permitir o uso de suas bases para agressões contra o Irã, destacando que a maioria do povo britânico não deseja participação na guerra. “O Irã exercerá seu direito à autodefesa”, afirmou Araghchi, antes das acusações sobre o ataque a Diego Garcia. A confirmação de um ataque iraniano à base conjunta poderia arrastar Londres e a Otan para uma escalada ainda maior no conflito.

O programa de mísseis iraniano sob escrutínio

A alegação de que o Irã estaria próximo de construir mísseis intercontinentais capazes de atingir o território estadunidense tem sido uma justificativa recorrente para ações contra Teerã, repetida inclusive pelo chefe da Otan, Mark Rutte. Contudo, as avaliações dos próprios serviços de inteligência dos EUA indicam um prazo mais extenso para o desenvolvimento dessa tecnologia, sem confirmar que o Irã esteja ativamente buscando esse objetivo.

Em uma audiência no Senado dos EUA na semana passada, a diretora da Inteligência Nacional do país, Tulsi Gabbard, estimou que o Irã poderia desenvolver um míssil balístico intercontinental (ICBM) militarmente viável antes de 2035, caso decida prosseguir com essa capacidade. Ela ressaltou que essas avaliações estão sendo atualizadas devido à guerra e aos “ataques devastadores às instalações de produção de mísseis, aos estoques e às capacidades de lançamento do Irã”. A incerteza em torno das reais capacidades iranianas e a veracidade dos ataques relatados continuam a alimentar a complexa dinâmica geopolítica na região. Para mais informações sobre as avaliações de inteligência dos EUA, consulte a Diretoria de Inteligência Nacional dos EUA.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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