O Departamento de Estado dos Estados Unidos considera as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como “ameaças significativas à segurança regional”, devido ao envolvimento com tráfico de drogas, violência e atividades de crime transnacional. Nos bastidores, há a expectativa de que o governo do presidente Donald Trump anuncie nos próximos dias a possível inclusão dos grupos na lista de organizações terroristas estrangeiras.
A avaliação faz parte de análises conduzidas por autoridades
americanas sobre o impacto internacional dessas organizações criminosas. Em
nota oficial, um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que Washington
acompanha a atuação das facções e seus desdobramentos fora do território
brasileiro.
“Os Estados Unidos veem as organizações criminosas do
Brasil, incluindo o PCC e o CV, como ameaças significativas à segurança
regional devido ao seu envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime
transnacional”, declarou o representante.
Apesar das discussões internas, o governo americano evitou
confirmar se a decisão já foi tomada. “Não antecipamos possíveis designações de
terrorismo nem discussões sobre designações de terrorismo. Estamos totalmente
comprometidos em tomar as medidas apropriadas contra grupos estrangeiros
envolvidos em atividades terroristas”, acrescentou o porta-voz.
A possibilidade de classificação tem gerado preocupação no
governo brasileiro. Nesta terça-feira (10), o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para
discutir os impactos diplomáticos da eventual medida.
Na segunda-feira (9), Lula já havia comentado sobre a
necessidade de fortalecer a capacidade de defesa do país para evitar
vulnerabilidades estratégicas. A declaração foi dada após um encontro bilateral
com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, no Palácio do Planalto.
“Se a gente não se
preparar em questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente”, afirmou o
presidente a jornalistas.
O governo brasileiro tem rejeitado de forma recorrente a
classificação das facções como organizações terroristas. Segundo autoridades, a
legislação brasileira define terrorismo como crimes motivados por razões
religiosas, ideológicas, políticas ou por preconceito e xenofobia —
características que, na avaliação do governo, não se aplicariam a organizações
criminosas como PCC e Comando Vermelho.
Caso os Estados Unidos oficializem a inclusão das facções na
lista de organizações terroristas estrangeiras, diversas consequências
jurídicas e financeiras podem entrar em vigor. Entre elas está o congelamento
de bens e recursos ligados aos grupos que estejam sob jurisdição americana.
Além disso, cidadãos e empresas dos Estados Unidos ficariam
proibidos de realizar qualquer tipo de transação com as organizações, o que
poderia ampliar a pressão internacional sobre redes de financiamento e
operações ligadas ao crime organizado na América Latina.

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