Delegado aponta menor como ‘mente por trás’ de casos de estupro no Rio | Rio das Ostras Jornal

Delegado aponta menor como ‘mente por trás’ de casos de estupro no Rio

O delegado Angelo Lages, da 12ª DP — Foto: Reprodução/TV Globo

Quatro jovens foram presos por estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos, em Copacabana. O menor também é investigado, mas permanece em liberdade.

O delegado Angelo Lages, da 12ª DP (Copacabana), afirmou que considera o menor investigado como a “mente por trás” de pelo menos dois casos de abuso no Rio — o estupro coletivo em Copacabana e outro caso denunciado após a revelação do primeiro crime.

Segundo ele, a polícia representou pela busca e apreensão do menor por entender que ele tinha a confiança das vítimas e já havia mantido relacionamento anterior com duas delas, de 14 e 17 anos.

Ele é investigado por ato infracional análogo ao crime. O caso está sob análise da Vara da Infância e da Juventude. Por se tratar de um menor, a identidade não foi divulgada.

“A gente representou pela busca e apreensão, até por entender que ele é a mente por trás disso tudo. Ele que tinha confiança das vítimas (...). Então, a gente entende e entendia, na época que eu representei, que era necessário a apreensão dele”, disse.

Ministério Público do Rio (MPRJ) não viu necessidade de mandar internar o adolescente.

Em manifestação enviada na última segunda-feira (2) à Vara da Infância e da Juventude, o promotor Carlos Marcelo Messenberg, da 1ª Promotoria da Infância e da Juventude Infracional da Capital, pediu que a Justiça negasse o pedido de apreensão desse menor.

Àquela altura, a 1ª Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente já tinha determinado a prisão dos 4 maiores de idade — os mandados foram expedidos no sábado (28).

Quebra de sigilo telefônico

O delegado disse ainda que vai pedir à Justiça a quebra de sigilo telefônico dos réus pelo estupro da adolescente de 17 anos, em Copacabana.

Segundo os investigadores, todos os quatro jovens se entregaram à polícia sem apresentar os celulares. Na delegacia, eles optaram por permanecer em silêncio.

No sábado (28), quando os suspeitos ainda eram considerados foragidos, agentes estiveram nos endereços ligados a eles, mas não encontraram celulares ou computadores.

Ao solicitar a prisão dos quatro, a polícia também pediu a busca e apreensão dos aparelhos telefônicos. O Ministério Público se manifestou favoravelmente à medida.

A Justiça, no entanto, desmembrou o pedido e encaminhou a análise para outra vara. Até a última atualização desta reportagem, não havia informação sobre essa decisão.

"Nós vamos solicitar as quebras telemáticas dos aparelhos dos acusados, já que eles não nos disponibilizaram qualquer acesso na hora que se apresentaram", disse o delegado Angelo Lages, da 12ª DP (Copacabana). 

Angelo Lages, delegado da 12ª DP — Foto: Henrique Coelho/g1 Rio

Lages não descarta pedir também a quebra do sigilo telemático dos outros dois casos de estupro denuciados.

“Em relação aos outros inquéritos que estão aqui, que são duas outras vítimas, a gente pode, nesses outros casos, representar pela quebra do sigilo telemático das pessoas envolvidas nesses outros estupros”, disse.

"Seria interessante se eles chegassem à delegacia de posse do celular até pra provar e deixar o aparelho para que a gente pudesse fazer a devida perícia”, acrescentou.

Os presos pelo ataque em Copacabana são:

Quatro jovens são réus por estupro coletivo de menor em Copacabana 
 Foto: Reprodução/ TV Globo

Os quatro são réus pelo crime, com o agravante de a vítima ser menor de idade, e também por cárcere privado.

Vitor Hugo é filho de José Carlos Costa Simonin, ex-subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa, exonerado do cargo nesta quarta-feira.

O advogado Ângelo Máximo, que representa Vitor Hugo, afirmou que o cliente nega participação no crime (veja abaixo). Segundo a defesa, ele confirma que estava no apartamento, mas nega ter mantido relação sexual ou cometido estupro contra a vítima.

“Ele não tem o que temer e vai provar sua inocência. Ele se apresentou de cabeça erguida”, disse Máximo.

O advogado afirmou ainda que Vitor vai permanecer em silêncio e que ele poderia ter sido ouvido anteriormente na delegacia, o que não ocorreu.

Outras vítimas

Entre segunda-feira e esta terça (3), mais duas vítimas relataram que foram estupradas por integrantes do grupo.

Na segunda-feira (2), uma jovem procurou a polícia e denunciou ter sido estuprada por pelo menos dois réus acusados no caso da adolescente. Segundo o relato, o crime teria ocorrido quando ela tinha 14 anos. Atualmente, a jovem está com 17.

Ela contou aos investigadores que mantinha um relacionamento com um dos envolvidos — o único menor de idade apontado no caso — que também é citado como participante do estupro coletivo já investigado.

A adolescente relatou que foi convidada a ir até a casa de Matheus Veríssimo Zoel Martins, 19 anos, outro investigado no caso. Segundo o depoimento, ao menos dois dos suspeitos teriam participado da violência sexual e gravado imagens do crime e divulgado.

Nesta terça, mais uma jovem procurou a polícia e afirmou ter sido vítima de estupro por um dos integrantes do grupo. Ela prestou depoimento na 12ª DP (Copacabana), onde chegou acompanhada da mãe. Segundo a jovem, o suspeito é Vitor Hugo Oliveira Simonin.

Relembre o caso

Segundo o inquérito da 12ª DP (Copacabana), a vítima foi convidada por um adolescente, ex-namorado, para ir ao apartamento de um amigo dele, na noite de 31 de janeiro, na Rua Ministro Viveiros de Castro, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Esse rapaz teria pedido que a jovem levasse uma amiga, mas, como ela não conseguiu, a adolescente foi sozinha.

No elevador, o rapaz avisou que mais amigos estavam no local e sugeriu que fariam “algo diferente”, o que, segundo a vítima, ela recusou. Já no apartamento, ela foi levada para um quarto e, enquanto mantinha relação sexual com o ex, outros 4 rapazes entraram no cômodo.

A vítima relatou que, após insistência do adolescente, concordou apenas que os amigos permanecessem no quarto, desde que não a tocassem.

No entanto, segundo o depoimento, os rapazes tiraram a roupa, passaram a beijá-la e apalpá-la, forçando-a a praticar sexo oral e sofrendo penetração por todos. Ela afirmou ainda que levou tapas, socos e um chute na região abdominal. Tentou sair do quarto, mas foi impedida.

Câmeras e prints

Câmeras de segurança do prédio registraram a chegada dos jovens ao apartamento e, depois, a entrada da adolescente acompanhada pelo menor. As imagens também mostram o momento em que a vítima deixa o imóvel.

De acordo com o relatório policial, após acompanhá-la até a saída do prédio, o adolescente retorna ao apartamento e faz gestos interpretados pelos investigadores como de “comemoração”. Há ainda registros da saída dos investigados do edifício em horários próximos ao crime.

Conversas por WhatsApp entre a adolescente e o menor, antes do crime, foram incluídas no inquérito. Nas mensagens, ele a convida para ir ao endereço e pergunta se ela poderia chamar uma amiga.

A jovem responde que não teria quem convidar, e ele afirma que não haveria problema em ir sozinha. As mensagens também mostram a combinação do encontro na portaria e os horários em que ela avisou que estava chegando.

O que diz o laudo

O exame de corpo de delito apontou lesões compatíveis com violência física. A perícia identificou infiltrado hemorrágico e escoriação na região genital, além de sangue no canal vaginal.

Também foram descritos grupos de manchas nas regiões dorsal e glúteas.

Materiais foram coletados para exames genéticos e análise de DNA.

O que dizem os citados

Após a prisão, a defesa de João Gabriel se pronunciou com a seguinte nota:

"A defesa de João Gabriel Xavier Bertho informa que, em respeito à decisão judicial, ele se entregou nesta terça-feira (03/03) na 10ª delegacia. João Gabriel e a defesa confiam que a Justiça, de forma isenta, irá apurar os fatos e decidirá pela improcedência da denúncia. João Gabriel nega estupro e não teve sequer a oportunidade de ser ouvido pela polícia. Ele não é citado nas novas denúncias que estão sendo investigadas".

Por Henrique Coelho, g1 Rio

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