Decisão aconteceu após a Câmara dos Deputados uruguaia ratificar a medida; Argentina também deve confirmar nesta quinta-feira (26)
O Uruguai tornou-se o primeiro país a aprovar o
acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia nesta quinta-feira
(26), após sua aprovação pelo Congresso. O Congresso argentino também
aprovou, momentos depois, o acordo de livre comércio entre o Mercosul
e a União Europeia ao concluir o trâmite legislativo com a aprovação no Senado.
A Argentina foi o segundo país, depois do Uruguai, a ratificar o acordo Mercosul-UE.
A Câmara dos Deputados do Uruguai aprovou o acordo
por 91 votos a 2, um dia após o Senado tê-lo ratificado por unanimidade. A
Argentina também deve ratificar o acordo nesta quinta-feira,
assinado em janeiro em Assunção após mais de 25 anos de negociações.
Já na Argentina, com 69 votos a favor, 3 contra e nenhuma
abstenção, o Senado concluiu o processo de ratificação parlamentar do acordo
assinado em 17 de janeiro, em Assunção. A decisão eliminará tarifas sobre mais
de 90% do comércio bilateral entre os dois blocos, que reúnem 30% do Produto
Interno Bruto mundial e mais de 700 milhões de consumidores.
Brasil e Paraguai, os outros dois membros plenos do bloco
sul-americano, concluirão o processo de ratificação parlamentar nos
próximos dias.
“É histórico” e “um sinal” para a Europa, disse o ministro
das Relações Exteriores do Uruguai, Mario Lubetkin, após acompanhar a votação.
O acordo gerou forte preocupação em diversos países
europeus, liderados pela França, que encaminhou o documento à Justiça
europeia em janeiro, suspendendo sua implementação formal. No entanto, a UE
pode decidir implementá-lo de forma provisória.
A preocupação da França e de outros países europeus
concentra-se no impacto que a implementação da gigantesca zona de livre
comércio pode ter sobre sua agricultura e pecuária.
Dentro do Mercosul, o tratado tem amplo apoio,
apesar das reservas de alguns setores industriais e outros, como a indústria
vinícola. Apesar das dúvidas persistentes sobre as quotas de exportação, que
serão definidas em negociações internas entre os dois blocos, os quatro países
sul-americanos concluirão sua tramitação parlamentar nos próximos dias.
Uma vez implementado, o acordo criará a maior zona
de livre comércio do mundo ao eliminar progressivamente as tarifas e
abrir as quotas de exportação de bens e serviços entre os 27 Estados-membros da
União Europeia e os quatro membros fundadores do Mercosul, um mercado que
abrange mais de 700 milhões de pessoas.
O acordo permitirá que os países da União Europeia
exportem automóveis, máquinas, vinhos e bebidas
alcoólicas para o Mercosul em condições mais favoráveis. Por sua vez,
os quatro países sul-americanos terão mais facilidade para vender carne, açúcar, arroz, mel e soja,
entre outros produtos, para a Europa.
*Com informações da AFP

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