Valor cobrirá defesa e orçamento até 2027 para suprir cortes
de ajuda dos Estados Unidos
O Parlamento Europeu aprovou, nesta quarta-feira (11),
um empréstimo de 90 bilhões de euros (R$ 557 bilhões)
para apoiar a Ucrânia no conflito com a Rússia, especialmente para
a compra de armas.
Com 458 votos a favor, 140 contra e 44 abstenções, os
eurodeputados aprovaram o empréstimo para o período de 2026-2027,
que será financiado por meio da emissão de dívida da União Europeia nos
mercados financeiros.
Os juros, que ascendem a cerca de 3 bilhões de euros (R$
18,5 bilhões) por ano, serão pagos com recursos do orçamento da União
Europeia. Esse empréstimo não afetará as contribuições orçamentárias
da República Tcheca, Hungria e Eslováquia, que não participam neste mecanismo.
O acordo estipula que a Ucrânia só reembolsará a UE depois
que a Rússia pagar as reparações da guerra após o fim do conflito, que
completará quatro anos no final de fevereiro.
Dos 90 bilhões de euros, 60 bilhões (R$ 371 bilhões) serão
utilizados pela Ucrânia para investir na sua indústria de defesa. O restante
será usado para cobrir as necessidades orçamentárias, mas sob a condição de que
Kiev implemente reformas.
Os primeiros pagamentos podem ser feitos em
abril. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Ucrânia precisa de
135,7 bilhões de euros (R$ 840,8 bilhões) em financiamento entre 2026 e 2027.
Após os cortes na ajuda dos Estados Unidos decididos pelo
presidente Donald Trump, a UE decidiu cobrir dois terços desse valor. O
restante será fornecido por outros aliados da Ucrânia, como Noruega e Canadá.
“O apoio à Ucrânia depende de um pequeno número de países, e
a Europa assume a maior parte. Isso é motivo de orgulho e também de
preocupação, porque a nossa segurança está em jogo”, declarou a eurodeputada
centrista francesa Nathalie Loiseau.
Os eurodeputados de extrema direita, contrários ao
empréstimo, tentaram sem sucesso adiar a votação. Em vez de financiar a
ajuda a Kiev com um empréstimo europeu, a Alemanha propôs usar os ativos russos
congelados na Europa. Mas a proposta encontrou oposição da Bélgica, onde
se encontra a maior parte desses fundos, e preocupações de vários países quanto
ao risco de infringir as regras financeiras internacionais.
*Com informações da AFP

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