Rodolfo Pascoal Ladeira pilotava o equipamento quando se
chocou no mar de São Conrado; passageira Jenny Rodriguez também faleceu
Rio - "Uma perda irreparável". É desta forma que a
comunidade de voo livre lamentou a morte do instrutor e piloto de asa-delta
Rodolfo Pascoal Ladeira, que
morreu ao cair no mar de São Conrado, na Zona Sul, neste sábado (21),
após um salto. Na ocasião, a passageira Jenny Colon Rodriguez, uma turista
norte-americana, também faleceu.
Nas redes sociais, amigos e clientes destacaram a
personalidade de Rodolfo. A pilota Elisa Eisenlohr contou que a vítima era seu
parceiro de campeonatos, com quem dividiu conquistas e aventuras. "Uma
alma boa, solidário, prestativo, talentoso, pai e marido amoroso. Grande
perda para todos nós", escreveu.
O instrutor de parapente Rogério Play também se pronunciou
sobre a perda do amigo. "A vida, por vezes tão breve, nos surpreende com
despedidas que não escolhem hora nem explicação. Ficam o choque, a ausência e a
saudade que aperta o peito. Uma perda irreparável que marca profundamente todos
nós", diz o texto, compartilhado por outros atletas de voo livre.
Rodolfo era um dos grandes nomes do esporte no cenário de
competições nacionais. Em 2025, ele venceu nas categorias Serial e Open Class
do Pré-Mundial de Parapente, disputado em Castelo, no Espírito Santo. Em seu
perfil no Instagram, há vídeos de diversos saltos realizados.
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"Me despeço de você com o coração apertado, mas cheio
de gratidão. Obrigado por ter feito parte de um dos momentos mais incríveis da
minha vida. Voar de asa-delta sempre foi um sonho e você transformou isso em
realidade com coragem, leveza e aquele sorriso tranquilo que passava confiança.
Que você continue voando, agora em outros céus, com a mesma paz que transmitia
aqui", compartilhou uma internauta.
O instrutor será enterrado na tarde deste domingo (22) no
Cemitério da Penitência, no Caju, Zona Portuária do Rio.
Ainda não há informações sobre o sepultamento da turista
norte-americana.
"Condição climática propícia"
O Clube São Conrado de Voo Livre (CSCVL) informou que,
preliminarmente, pode-se afirmar que a condição climática estava propícia para
a prática do voo livre no momento do acidente que matou Rodolfo e Jenny. O
clube destacou que o equipamento e a aeronave estavam com suas vistorias
realizadas e em dia. O CSCVL garantiu que o piloto possuía a capacitação técnica
e obrigatória como instrutor de asa-delta e parapente.
"A decolagem, conforme informado pelos fiscais de
rampa, foi realizada normalmente. O voo aconteceu e a asa-delta, em sua
aproximação para o pouso, segundo testemunhas e a Diretoria que estava no local,
caiu em um mergulho de bico, chocando-se com o mar", explicou em nota.
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Segundo a direção, a sede do clube ficará fechada nos
próximos três dias em memória das vítimas.
Neste domingo (22), o DIA esteve no Campo
de Pouso Phil Haegler, área situada entre a Autoestrada Lagoa-Barra e a
Praia do Pepino, em São Conrado, e encontrou movimentação normal. Na pista, um
homem estava manuseando um equipamento.
Relembre o caso
Rodolfo e Jenny caíram no mar de São Conrado, na manhã deste
sábado (21). O acidente aconteceu próximo ao Campo de Pouso.
O resgate foi realizado por equipes do 2° e do 3°
Grupamentos Marítimos (2° e 3º GMar), do quartel da Gávea (25° GBM) e do
Grupamento de Operações Aéreas (GOA). Os militares receberam apoio de motos
aquáticas, aeronaves e ambulâncias da corporação.
As vítimas foram atendidas ainda na areia. Rodolfo não
resistiu aos ferimentos e morreu no local. Já Jenny foi encaminhada em estado
grave para o Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, também na Zona Sul.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a paciente chegou em estado
gravíssimo e faleceu devido ao trauma.
O caso foi registrado na 15ª DP (Gávea), que realizou
perícia no local. "Foi um acidente. Quem deu causa à morte da
passageira foi o piloto, que também faleceu. As regras de atribuição no ar são
de competência da Anac e da Confederação de Voo Livre. A Polícia Civil faz o
papel dela, investiga se houve crime ou não. Foi um acidente e quem deu causa
morreu. Agora, essa parte toda fica em função da Anac e da confederação para
verificar se houve algum tipo de infração administrativa e se a asa estava em
perfeitas condições", explicou a delegada Daniela Terra.
Procurada pelo DIA, a Anac informou que
o voo livre em asa delta ou paragliders (parapente) é
considerado uma modalidade de esporte radical e de alto risco, praticado em
todo o mundo e fortemente dependente das condições meteorológicas e geográficas
locais.
A Agência destacou que não emite ou exige habilitação para a
prática de esportes radicais, mas recomenda que os interessados em praticar voo
livre se habilitem por meio de associações aerodesportivas reconhecidas pela
comunidade praticante, que possui seus próprios moldes de habilitação previstos
por suas associações.
"A fiscalização de irregularidades nessa atividade
envolve a interface das Secretarias de Segurança Pública (SSP), que são órgãos
com atribuições de fiscalização penal, com a Anac. Denúncias recebidas pela
Agência sobre irregularidades nesse campo são encaminhadas para órgãos de
polícia competentes para a tomada das medidas cabíveis. A ação das SSP no
combate a práticas irregulares no aerodesporto é independente e está assegurada
na correlação estabelecida no item 103.701 do Regulamento Brasileiro de Aviação
Civil (RBAC) nº 103, sendo que a Agência se põe à disposição das SSP para
esclarecer dúvidas e para auxiliar em ações coordenadas de fiscalização. Além
disso, a Anac recebe qualquer ocorrência registrada pelas SSP para
processamento de penalidade administrativa aplicável", destacou em nota.
A Anac ainda ressaltou que os equipamentos de voo
livre não estão sujeitos à avaliação de aspectos de aeronavegabilidade,
mas que Agência exige que os praticantes realizem o cadastro do
equipamento.
"Esse cadastro é operacionalizado pelas associações
credenciadas, que são responsáveis pela identificação do desportista e pela
emissão de atestado de capacidade, garantindo que ele está apto a cumprir as
normas operacionais pertinentes. A Certidão de Cadastro do aerodesportista é o
único documento exigido especificamente pela Agência para a prática do voo
livre, sendo que as associações credenciadas podem ter outros requisitos para
suas habilitações", completou.
O Dia

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