Policiais civis da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) deflagraram, nesta segunda-feira (23/02), a “Operação Caminhos do Cobre”, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa envolvida com furto de cabos, receptação e lavagem de dinheiro. De acordo com as investigações, o grupo já movimentou mais de R$ 400 milhões e possui estrutura interestadual. Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Tocantins. No Rio, a ofensiva aconteceu nos municípios do Rio de Janeiro, Nilópolis, Mesquita e Itaguaí. Durante as diligências, dois criminosos foram presos, 40 kg de cabos foram localizados e 10 celulares apreendidos. Além disso, os agentes encontraram R$ 132 mil em espécie.
A investigação realizada pela unidade identificou uma
estrutura criminosa organizada e financeiramente sofisticada, com divisão clara
de funções e atuação interestadual. Conforme o apurado, o modus operandi do
crime era bem definido, sendo dividido entre furto de cabos, receptação dos
materiais e a movimentação financeira.
Os furtos ocorriam, principalmente, durante a madrugada,
onde caminhões eram utilizados para arrancar cabos subterrâneos, enquanto
motocicletas atuavam como batedores para monitorar a movimentação policial e
bloquear vias. Após a subtração, os criminosos transportavam os materiais para
pontos específicos, onde os mesmos passavam por fracionamentos. Em seguida, os
itens eram comercializados por meio de ferros-velhos e empresas de reciclagem,
previamente vinculadas ao grupo.
Por fim, a parte financeira atuava com a emissão de notas
fiscais falsas, para conferir aparência de legalidade às transações. Os valores
eram fragmentados por meio de transferências bancárias em sequência, com o
objetivo de dificultar o rastreamento do dinheiro.
Para a realização do crime, os bandidos do esquema eram
divididos entre núcleo estratégico, responsável pela liderança e coordenação
das atividades criminosas, o núcleo operacional, encarregado da execução dos
furtos e do transporte, o núcleo de receptação, formado por estabelecimentos
responsáveis pela revenda do material subtraído e o núcleo financeiro, voltado
à lavagem do dinheiro.
Ainda de acordo com a investigação, o grupo criminoso
movimentou R$ 417.954.201 durante o esquema. Sozinho, o principal investigado
teria movimentado R$ 97 milhões, valor incompatível com sua capacidade
econômica declarada. Também, uma das empresas centrais do esquema registrou
movimentação superior a R$ 90 milhões.
A operação desta segunda, portanto, teve o objetivo de
interromper toda a cadeia criminosa e garantir a recuperação patrimonial
vinculada às atividades ilícitas. Além da operação realizada contra os
envolvidos, a DRF também solicitou o sequestro de veículos e imóveis do grupo,
bem como o bloqueio total dos ativos financeiros do grupo.
A ação faz parte da Operação Caminhos do Cobre, iniciativa
contínua para combater o furto de cabos e materiais metálicos que mira toda a
cadeia criminosa, desde o furtador até as metalúrgicas.
Desde setembro de 2024, a DRF e outras delegacias da
instituição, realizaram mais de 430 fiscalizações em ferros-velhos, com cerca
de 200 prisões de responsáveis pelos estabelecimentos nestas ações. Neste mesmo
período, cerca de 300 toneladas de fios de cobre e materiais metálicos foram
apreendidas pela especializada. Além disso, houve o pedido de bloqueio de
aproximadamente R$ 240 milhões, consolidando a Operação Caminhos do Cobre como
uma das maiores ofensivas contra a infraestrutura financeira do crime
patrimonial no Estado.
As ações visam também descapitalizar financeiramente os
braços operacionais do tráfico, responsáveis por fomentar esse tipo de crime.

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