Conversas na Suíça foram a terceira rodada de debate mediado
pelos EUA, após as reuniões em Abu Dhabi no início do ano
As mais recentes negociações mediadas pelos Estados Unidos
entre enviados de Moscou e Kiev sobre a invasão total da Ucrânia pela Rússia
terminaram nesta quarta-feira (18) sem sinais de avanço e com
ambos os lados dizendo que as conversas foram “difíceis”, a poucos
dias do quarto aniversário da guerra, na próxima semana.
As negociações na Suíça foram a terceira rodada de conversas
diretas organizadas pelos EUA, após as reuniões em Abu Dabi que oficiais
descreveram como construtivas, mas que também não geraram grandes progressos.
O chefe da delegação russa, o conselheiro do presidente
Vladimir Putin, Vladimir Medinsky, disse aos repórteres que as conversas dos
últimos dois dias em Genebra “foram difíceis, mas objetivas”. Ele acrescentou
que outra rodada de conversas será realizada “em um futuro próximo.”
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, também descreveu
as discussões como “difíceis” e acusou a Rússia de “tentar arrastar as
negociações que já poderiam ter chegado ao estágio final.”
O enviado do presidente dos EUA, Donald Trump, Steve
Witkoff, disse nas redes sociais que o esforço de Washington pela paz na
Ucrânia ao longo do último ano “trouxe progressos significativos”, sem dar
detalhes.
Os dois exércitos permanecem travados em batalha na linha de
frente de aproximadamente 1.250 quilômetros, enquanto a Rússia bombardeia
diariamente áreas civis da Ucrânia.
Horas após o fim do primeiro dia de conversas, na
terça-feira (17), drones russos mataram uma mulher e feriram uma menina de 6
anos e um bebê de 18 meses na cidade de Zaporizhzhia, no sul da Ucrânia,
segundo autoridades.
Durante a noite, a Rússia lançou um míssil balístico e 126
drones de longo alcance contra a Ucrânia, de acordo com a força aérea
ucraniana.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse aos repórteres
que é “cedo demais” para falar sobre o resultado. Putin tem recebido relatórios
sobre o progresso das conversas, disse ele.
O chefe da delegação ucraniana na Suíça, Rustem Umerov,
disse que os oficiais estão tentando reconciliar suas diferenças políticas e
militares.
“Consultas estão acontecendo em grupos de trabalho por áreas
dentro das trilhas políticas e militares”, escreveu o chefe da delegação
ucraniana, Rustem Umerov, em inglês no X. “Estamos trabalhando nos
esclarecimento dos parâmetros e mecanismos das decisões discutidas ontem.”
Zelensky disse que as delegações também deveriam discutir
mais trocas de prisioneiros de guerra e a liberação de prisioneiros civis. Ele
revelou que os enviados ucranianos e americanos em Genebra se encontraram com
representantes do Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Suíça. A participação
da Europa no processo é “indispensável”, disse o presidente ucraniano.
Líderes europeus, atentos às ambições mais amplas de Putin,
dizem que sua própria segurança está em jogo na Ucrânia e insistiram em ser
consultados nos esforços de paz.
Zelensky ofereceu um cessar-fogo e um encontro cara a cara
com Putin. Entretanto, Moscou quer um acordo abrangente antes de se comprometer
com uma trégua.
Os principais objetivos de Putin permanecem o que ele
declarou quando a Rússia invadiu sua vizinha em 24 de fevereiro de 2022: a
Ucrânia deve renunciar a aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte
(Otan), reduzir significativamente o tamanho de seu exército e proteger a
língua e cultura russas para manter o país na órbita de Moscou.
Além disso, Putin quer que Kiev retire suas forças das
quatro regiões ocupadas por Moscou, mas não totalmente controladas. Zelensky
diz que a Ucrânia não vai ceder terras à Rússia.
JP
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