SES-RJ alerta que prática proibida no Brasil desde 2009 expõe a população a riscos como câncer de pele e envelhecimento precoce
A busca pela marquinha perfeita para o verão ainda leva
muitas mulheres a recorrerem ao bronzeamento artificial, uma prática proibida
no Brasil desde 2009 por oferecer riscos graves à saúde. O que muita gente não
sabe é que o bronzeado obtido em câmaras artificiais não é sinal de beleza nem
de saúde, mas uma reação da pele a um dano causado pela radiação ultravioleta,
a mesma associada ao câncer de pele.
A radiação emitida por esses equipamentos tem efeito carcinogênico comprovado,
sem qualquer benefício terapêutico que justifique a exposição. A Secretaria de
Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) alerta a população fluminense: “Não
existe bronzeamento artificial seguro. O bronzeado é uma resposta do organismo
a uma agressão. A pessoa pode até não perceber os efeitos agora, mas o dano ao
DNA da pele acontece e pode se manifestar anos depois, na forma de câncer”,
alerta a superintendente estadual de Vigilância Sanitária, Helen Keller.
A proibição é nacional e está em vigor desde 9 de novembro
de 2009, por meio de resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa), com apoio da Sociedade Brasileira de Dermatologia e do Instituto
Nacional de Câncer (INCA). Ainda assim, a prática persiste de forma irregular,
especialmente em períodos de maior apelo estético, como o verão e o
pré-Carnaval.
Risco que não aparece no espelho
Além do câncer de pele, incluindo o melanoma (tipo mais agressivo da
doença), o bronzeamento artificial está associado ao envelhecimento precoce da
pele, manchas, rugas profundas, queimaduras, lesões oculares e até à redução da
imunidade cutânea. No estado do Rio de Janeiro, entre 2019 e 2025, já foram
registrados mais de 15 mil novos casos de câncer de pele, segundo dados do
INCA/DataSUS. Parte desses casos está relacionada à exposição intensa e
repetida à radiação ultravioleta ao longo da vida.
“O problema é que muita gente encara essas câmaras como um atalho estético, sem
entender que está assumindo um risco real e acumulativo. Dez minutos de
exposição não são inofensivos”, reforça a coordenadora de Vigilância e
Fiscalização de Insumos, Medicamentos e Produtos da SES-RJ, Rosa Melo.
Oferta clandestina cresce antes do Carnaval
A Vigilância Sanitária observa que, durante o verão, principalmente às
vésperas do Carnaval, cresce a oferta clandestina do serviço, muitas vezes
disfarçada com nomes como “bronzeamento seguro”, “terapia de luz” ou “câmara
premium”, divulgada apenas por redes sociais ou mensagens privadas.
“Quando o serviço promete ‘bronzeamento sem risco’ ou só funciona por indicação
e horário marcado, isso já é um sinal de alerta. É uma tentativa de mascarar
uma prática proibida, que pode resultar em multas, interdição do
estabelecimento e outras sanções”, explica Rosa Melo.
No estado do Rio de Janeiro, a fiscalização desses estabelecimentos é feita
pelas vigilâncias sanitárias municipais. Já a Vigilância Sanitária estadual
atua de forma complementar, oferecendo apoio técnico em operações integradas ou
em ações de maior abrangência/risco, além de quando houver necessidade de
atuação regional. A população pode colaborar denunciando ofertas irregulares
por meio da Ouvidoria da SES-RJ (0800 025 5525 e https://www.saude.rj.gov.br/ouvidoria/participe),
inclusive com prints de anúncios nas redes sociais.
Beleza sem colocar a saúde em risco
Para quem quer curtir o verão e o Carnaval com a autoestima
em alta, a SES-RJ reforça que existem alternativas seguras, como
autobronzeadores, bronzeamento a jato sem radiação ultravioleta, maquiagem
corporal e, no caso da exposição ao sol, fotoproteção adequada e horários mais
seguros.
“A marquinha que vale a pena é aquela que não cobra um preço
alto no futuro. Cuidar da pele hoje é uma escolha que impacta a saúde para o
resto da vida”, conclui a superintendente Helen Keller.

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