Segundo Vorcaro, se "tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, eu não estaria aqui de tornozeleira" Reprodução
Em depoimento a PF, empresário também negou que a venda do
banco ao BRB teve alguma facilitação política
O presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, disse a
Polícia Federal que não teve facilitação política para a venda do banco ao BRB
e negou ter diversas ligações políticas. A oitiva foi realizada no dia 30 de
novembro de 2025.
A Jovem Pan teve acesso ao depoimento à
delegada responsável pelo inquérito sobre suspeitas de irregularidades na
compra do Banco Master pelo banco estatal.
Segundo o empresário, se “tivesse pedido a ajuda desses
políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, eu não estaria aqui de
tornozeleira, eu não teria sido preso e estava com a minha família sofrendo o
que a gente está sofrendo.”
Perguntado se a venda do Master ao BRB teve alguma
facilitação política, Vorcaro também negou.
“Não teve facilitação política. Eu tive com o governador [do
Distrito Federal, Ibaneis Rocha], sim, algumas vezes, porque ele era um
controlador indireto, mas não teve nenhum tipo de questão tratada, nesse caso o
BRB, que não fosse técnica. Talvez, no Brasil, se não fosse assim, eu não
estava aqui e teria dado certo. Acho que a conclusão desse negócio é a maior
prova disso, como foi o desfecho”, continuou.
Vorcaro também afirmou que não esperava ser preso. Ao ser
questionado se tinha um pressentimento que havia um mandado de prisão contra
ele, o banqueiro respondeu: “De maneira nenhuma. Nem nos meus piores pesadelos
eu achei que poderia.”
Entenda o caso do Banco Master
O Banco Master foi liquidado no dia 18 de novembro de 2025
pelo Banco Central, após identificar uma grave crise de liquidez e indícios de
irregularidades financeiras. A gestora de investimentos Reag também foi
liquidada.
O banco oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB)
com rentabilidade muito acima do mercado. Para sustentar a prática o banco
passou a assumir riscos excessivos e a estruturar operações que inflavam
artificialmente seu balanço, enquanto a liquidez real (dinheiro imediatamente
disponível para ressarcir os investidores) se deteriorava.
A decisão, considerada extrema, transformou o episódio em um
dos casos mais complexos e mais debatidos do sistema financeiro brasileiro,
envolvendo investigações da Polícia Federal, embates institucionais entre
órgãos como o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Supremo Tribunal Federal
(STF), além da expectativa de mais de 1,6 milhão de clientes que aguardam o
ressarcimento de seus investimentos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Will Bank
O BC
decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da empresa Will
Financeira, braço digital do Banco Master.
Em nota, o BC afirmou que se tornou “inevitável a liquidação
extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação
econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse evidenciado
pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação
extrajudicial”.

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