A Jovem Pan teve acesso à transcrição do depoimento do dono
do Banco Master na qual ele admite que os encontros aconteceram na sua casa e
na do governador
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, disse em
depoimento à Polícia Federal (PF) que conversou mais de uma vez com o
governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a venda da companhia
ao BRB (Banco de Brasília). A Jovem Pan teve a cesso a
transcrição do depoimento de Vorcaro dado em 30 dezembro à delegada da PF
responsável pelo inquérito sobre suspeitas de irregularidades na tentativa de
compra do Banco Master pelo banco estatal.
Vorcaro disse que “conversou em algumas oportunidades” com
Ibaneis, entre janeiro de 2024 e novembro de 2025, e relatou que esses
encontros aconteceram na sua casa e na casa do governador. “Já foi na minha
casa, se não me engano, uma vez. Eu já fui à casa dele, e a gente se encontrou
poucas vezes”, disse o dono do Banco Master, acrescentando que as conversas
foram inconstitucionais.
Questionado quais outros políticos teria recebido em sua
casa, Vorcaro disse que possui “amigos em todos os poderes” e que não era capaz
de nomear individualmente todos que visitaram sua casa, contudo, garantiu que
além de Ibaneis, não havia conversado com mais nenhuma autoridade pública sobre
a aquisição do Banco Master pelo BRB. “Além do governador que eu já mencionei e
das autoridades do Banco Central, nenhuma”, disse no depoimentos.
A ação, direcionada à Câmara Legislativa do DF, alega que
Ibaneis cometeu crime de responsabilidade mesmo sabendo dos riscos do negócio
para o patrimônio do DF. “O denunciado, na qualidade de Chefe do Poder
Executivo e acionista controlador indireto do BRB, teria impulsionado e
defendido publicamente operação de elevado risco”, destaca trecho do pedido de
impeachment.
Entenda o caso
As liquidações do Banco Master, decretada pelo BC em
novembro de 2025, e da gestora de investimentos Reag, na quinta-feira
(15), revelaram um dos episódios mais graves do sistema financeiro brasileiro.
O caso envolve suspeitas de fraudes bilionárias, uso de fundos
de investimento para ocultar prejuízos, tentativas de socorro via banco público
e tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal de Contas da
União (TCU) com o BC e PF.
“A decretação do regime especial nas instituições foi
motivada pela grave crise de liquidez do conglomerado Master e pelo
comprometimento significativo da sua situação econômico-financeira, bem como
por graves violações às normas que regem a atividade das instituições
integrantes do SFN”, informou o BC em nota na época.
De forma extrajudicial, foram liquidados o Banco Master S/A,
do Banco Master de Investimento S/A, do Banco Letsbank S/A, e da Master S/A
Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.
O processo de liquidação do Banco Master foi acompanhada
da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para combater a
emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram
o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Como resultado, no dia 17 de
novembro, o dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso. Depois,
ele foi solto com uso de tornozeleira eletrônica.
A PF também quebrou os sigilos bancário e fiscal de 101
pessoas e entidades investigadas no caso do Banco Master. A medida foi
autorizada em 6 de janeiro pelo ministro Dias Toffoli, do STF.
As quebras de sigilo abrangeram as movimentações no período
de 20 a 21 de outubro de 2025. A solicitação foi pela Polícia Federal (PF) com
aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).
De acordo com a decisão, a apuração aponta indícios da
prática de crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira,
induzimento de investidores em erro, uso de informação privilegiada,
manipulação de mercado e lavagem de capitais.
“Também verifico que, na linha do que consignado pelo Procurador-Geral
da República e pela Polícia Federal, que há elementos suficientes que apontam
para o ‘aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e
do sistema de regulação e fiscalização, notadamente mediante o uso de fundos de
investimento e intrincada rede de entidades conectadas entre si por vínculos
societários, familiares ou funcionais.’”, argumentou Toffoli.
JP

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