Transporte em Rio das Ostras: entre a técnica da portaria e a urgência das ruas | Rio das Ostras Jornal

Transporte em Rio das Ostras: entre a técnica da portaria e a urgência das ruas


 Editorial por Angel Morote

Na última sexta-feira, 23 de janeiro, a Prefeitura de Rio das Ostras deu um passo que, no campo jurídico, pode ser considerado prudente, mas no campo social, soa como um teste de paciência para a população. A publicação da Portaria Sectran nº 001/2026 oficializa a licitação por etapas para o transporte coletivo, elegendo a Linha 20G (Jardim Miramar x Zen) como o "balão de ensaio" de um sistema que há anos pede socorro.

A decisão técnica de escalonar o processo, fundamentada na nova Lei de Licitações, busca evitar os erros do passado — recursos judiciais e contratos frágeis que travaram a mobilidade urbana da nossa cidade por décadas. Focar na Zen, um pulmão econômico do município, é uma estratégia clara para validar um modelo operacional antes de expandi-lo. Até aí, compreendemos a burocracia.

Mas o jornalismo precisa fazer a pergunta que o passageiro faz no ponto de ônibus: e o resto da cidade?

O cronograma publicado estabelece que a avaliação técnica desta primeira etapa se estenderá até fevereiro de 2027. É um prazo que assusta. Significa que o morador do Âncora, da Cidade Praiana, do Cantagalo e de tantas outras localidades continuará dependendo de um sistema que hoje é sinônimo de precariedade, enquanto aguarda uma "validação" que levará mais de um ano.

Não questionamos a necessidade de segurança jurídica. Rio das Ostras não suporta mais promessas que terminam em liminares judiciais. Questionamos, porém, o "vazio" que esse cronograma deixa. O que será feito para mitigar o sofrimento de quem viaja em vans superlotadas e sem horários fixos hoje? Como garantir que o transporte não se torne uma colcha de retalhos, onde uma única linha funciona com padrão de excelência enquanto as outras definham na informalidade?

A Sectran assume o compromisso de continuidade, e isso é positivo. Contudo, o município precisa apresentar, em paralelo a este projeto piloto, um plano de contingência imediato para os demais bairros. A modernização é bem-vinda, mas ela não pode ser um privilégio de apenas uma linha por vez.

O povo de Rio das Ostras tem pressa. E a pressa, neste caso, não é inimiga da perfeição — é uma necessidade básica de sobrevivência e dignidade para quem move a economia desta cidade.

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