Nesta terça-feira (18), o Banco Central decretou regime de
administração especial temporária do Master por 120 dias e a liquidação do
conglomerado. O presidente da instituição, Daniel Vorcaro, foi preso pela
Polícia Federal horas antes, na noite de segunda (17).
O Rioprevidência,
fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões a 235 mil servidores inativos do RJ, aplicou R$ 2,6 bilhões em fundos do grupo
liderado pelo Banco Master.
O investimento foi realizado ao longo de 2024 e 2025, aproveitando taxas
consideradas “mais atrativas” que as oferecidas por concorrentes.
Em maio, o Tribunal de Contas do RJ (TCE-RJ) já havia
alertado para “graves irregularidades” aos gestores do fundo. Em outubro, o TCE
voltou a criticar os aportes e determinou uma tutela provisória com
apensação sobre o Rioprevidência, impedindo-o de fazer novas
transações com o Master.
Tutela
provisória seguido da apensação é como, em uma situação de emergência, o
Tribunal emitir um comando de parar imediatamente (tutela provisória) e, em
seguida, dizer que o caso será transferido e anexado à investigação criminal
completa (a auditoria) para que todas as punições e responsabilidades sejam
definidas de uma vez.
“Chega de decisões sem transparência, chega de colocar em
risco a aposentadoria daqueles que colaboraram com a construção deste estado”,
declarou o conselheiro Jose Gomes Graciosa.
(CORREÇÃO: o g1 errou ao atribuir a frase acima à
conselheira Marianna Montebello Willeman. A declaração, na verdade, foi feita
pelo conselheiro José Gomes Graciosa. A informação foi corrigida às 14h de
18/11/2025.)
Nesta terça-feira (18), o Banco Central decretou regime de administração especial temporária do Master por 120 dias e a liquidação do conglomerado. O presidente da instituição, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal horas antes, na noite de segunda (17), tentando deixar o país.
Segundo Willeman, tudo indicava que o banco se encontrava
“numa situação falimentar e que certamente não poderia honrar com os
compromissos que vinha assumindo naquela oportunidade”.
Em uma nota publicada em seu site, no dia 18 de outubro,
o Rioprevidência afirmou que “o valor efetivamente investido [no Banco Master]
foi de aproximadamente R$ 960 milhões, em Letras Financeiras emitidas pelo
Banco Master S.A., e a operação segue regular, adimplente e plenamente
enquadrada nos parâmetros legais e prudenciais”.
O g1 voltou a procurar o Rioprevidência, que voltou a afirmar que "o valor efetivamente aplicado pelo órgão foi de aproximadamente R$ 960 milhões, em Letras Financeiras emitidas pela instituição entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos para 2033 e 2034". O órgão afirma que atualmente a autarquia está em negociação para substituir as letras por precatórios federais (leia a íntegra da nota do Rioprevidência no fim da reportagem).
Como funcionava o aporte
De acordo com o TCE, o Rioprevidência utilizava o
dinheiro arrecadado com descontos em folha para aplicar no mercado financeiro —
o que deveria garantir a sustentabilidade do fundo.
O órgão determinou que o Rioprevidência não investisse mais
em instrumentos financeiros emitidos, administrados ou geridos pelo
conglomerado do Banco Master, nem em outras instituições que não atendessem aos
princípios de segurança e prudência financeira.
Em maio, o Tribunal já havia pedido esclarecimentos sobre os
investimentos. Desde então, concluiu que houve agravamento das irregularidades.
Até julho, R$ 2,6 bilhões — o equivalente a 25% dos recursos
aplicados pelo Rioprevidência — estavam expostos a fundos administrados pelo
Banco Master.
Um dos exemplos citados é o aporte de mais de R$ 1 bilhão no
Arena Fundo de Investimento, administrado pela Master S/A Corretora. O fundo
iniciou as operações em 18 de dezembro do ano passado, e no dia seguinte o
Rioprevidência fez o primeiro aporte de R$ 50 milhões. Desde então, o fundo
estadual fez sucessivos aportes, sendo o único cotista.
A rentabilidade média do fundo, de 4,05%, ficou abaixo da
poupança (5,47%) e muito aquém do CDI (9,31%), o que, segundo o TCE, reforça a
“ausência de vantajosidade”.
Os técnicos também identificaram aportes de mais de R$ 300
milhões em letras financeiras sem qualquer informação disponível — aplicações
que funcionam como empréstimos a instituições financeiras, em troca de juros.
Outro exemplo citado é o investimento de R$ 100 milhões em
junho, que caiu para R$ 75 milhões em apenas um mês. Na avaliação do Tribunal
de Contas, esses casos “evidenciam uma gestão possivelmente irresponsável dos
recursos do regime previdenciário”.
O que diz o Rioprevidência
"O Rioprevidência informa que é inverídica a
informação de que o Banco Master seria destinatário de mais de R$ 2,6 bilhões
em investimentos pela autarquia. O valor efetivamente aplicado pelo órgão foi
de aproximadamente R$ 960 milhões, em Letras Financeiras emitidas pela
instituição entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos
para 2033 e 2034. Atualmente, a autarquia está em negociação para substituir as
letras por precatórios federais.
O Rioprevidência ressalta ainda que o pagamento de
aposentadorias e pensões está garantido, não havendo qualquer risco para os
segurados do Estado do Rio
de Janeiro. Cabe destacar ainda que o valor investido junto à
instituição é inferior ao da folha mensal paga pela autarquia aos aposentados e
pensionistas, hoje em R$ 1,9 bilhão, custeada em grande parte pela receita de
royalties e participações especiais.
O montante relativo ao investimento que vem sendo
equivocadamente veiculado se deve a um cálculo feito pelo TCE-RJ, que inclusive
já foi esclarecido pelo Rioprevidência em recurso apresentado à Corte de
Contas.
Importante esclarecer ainda que à época das aplicações, o
Banco Master S.A. detinha autorização de funcionamento emitida pelo Banco
Central do Brasil, credenciamento ativo junto ao Ministério da Previdência
Social e classificação de risco de crédito de “grau de investimento” — rating
nacional de longo prazo “A-”, atribuído pela Fitch Ratings, atestando solidez
financeira e a credibilidade institucional. As aplicações foram realizadas em
conformidade com todos os regramentos vigentes à época e de acordo com o Plano
Anual de Investimentos que foi aprovado pelo Conselho de Administração da
Autarquia".
Por g1 Rio
e TV Globo


0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!