Ex-presidente da França Nicolas Sarkozy deixa a prisão, após passar 20 dias atrás das grades devido a uma condenação por associação criminosa. FRANCK FIFE / AFP
Político conservador foi
condenado por permitir que pessoas próximas se aproximassem da Líbia de Muammar
Gaddafi, falecido em 2011, para obter recursos e financiar ilegalmente sua
campanha presidencial de 2007
O ex-presidente da França Nicolas Sarkozy deixou
a prisão nesta segunda-feira (10), após passar 20 dias atrás das grades devido
a uma condenação por associação criminosa, e aguardará em liberdade o
julgamento do recurso. Sarkozy tornou-se, em 21 de outubro, o primeiro
chefe de Estado francês a ser preso desde o fim da Segunda Guerra Mundial e o
primeiro de um país já integrante da União Europeia.
No entanto, no mesmo dia
solicitou sua liberdade condicional, como permitido por lei para pessoas com
mais de 70 anos, o que foi concedido pelo tribunal de apelação de Paris nesta
segunda-feira, embora com medidas de controle judicial e proibição de sair
do país.
O político conservador, de 70
anos, deixou a penitenciária parisiense de La Santé pouco antes das 15h00
(11h00 em Brasília) a bordo de um veículo com vidros escuros e escoltado pela
polícia, confirmou uma fonte próxima ao caso.
“A lei foi aplicada. Agora vou me
preparar para a audiência de apelação. Toda a minha energia está concentrada em
um único objetivo: provar minha inocência. A verdade prevalecerá”, escreveu
Sarkozy na rede X horas após sair da prisão.
Durante a análise de seu pedido
de libertação horas antes, o ex-mandatário participou da audiência por videoconferência,
na qual agradeceu aos funcionários do sistema penitenciário que tornaram
“suportável (…) este pesadelo”. “É muito difícil, muito difícil.
Certamente é para todos os detidos. Eu diria até que é exaustivo”, afirmou
Sarkozy ao tribunal, no qual também estavam presentes sua esposa, a cantora
Carla Bruni, e dois de seus filhos, segundo um jornalista da AFP.
O ex-presidente estava em regime
de isolamento na prisão parisiense, com dois policiais instalados na cela
vizinha para sua proteção.
O advogado Christophe Ingrain
afirmou que a permanência de Sarkozy na prisão constituía uma “ameaça” para seu
cliente. A Procuradoria também se mostrou favorável à libertação do também
ex-ministro do Interior, mas com medidas de controle judicial.
Condenação polêmica
Sarkozy foi condenado por
permitir que pessoas de seu círculo se aproximassem da Líbia de Muammar
Gaddafi, falecido em 2011, para obter recursos e financiar ilegalmente sua
vitoriosa campanha presidencial de 2007. Embora o processo não tenha
permitido demonstrar que o dinheiro foi utilizado “em última instância”, o
tribunal destacou que os recursos saíram da Líbia e condenou Sarkozy por
associação criminosa pela “gravidade excepcional dos fatos”.
A condenação foi acompanhada de
uma grande polêmica, já que o tribunal ordenou sua prisão sem aguardar pelo
resultado do recurso. “Esta manhã prendem um inocente”, disse ele antes de
entrar na penitenciária, denunciando um “escândalo judicial” e uma “Via-Sacra”.
Agora, o ex-presidente poderá
aguardar em liberdade o julgamento da apelação, que deverá começar em março,
mas não poderá entrar em contato com um de seus antigos aliados, o ministro da
Justiça, Gérald Darmanin, segundo a decisão do tribunal de apelação.
A visita de Darmanin a seu
ex-mentor na prisão, em 29 de outubro, causou mal-estar entre os juízes. O
principal procurador da França, Rémy Heitz, acusou-o de “atentar contra a
independência dos magistrados”.
“O ministro da Justiça sempre
aplica as decisões judiciais”, limitou-se a dizer o entorno de Darmanin. Ele
havia defendido que sua visita a Sarkozy correspondia ao “dever de vigilância”
que faz parte de seu cargo.
A condenação não foi a primeira
contra Sarkozy, que já usou uma tornozeleira eletrônica no início do ano. Ele
soma outras duas por corrupção, tráfico de influência e financiamento ilegal de
campanha em 2012, e ainda é alvo de outros processos em curso.
Com informações da AFP

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