País decide no domingo (16) o
sucessor do presidente de esquerda Gabriel Boric
Uma ditadura sangrenta, uma
indústria mineradora em expansão e o aumento da imigração são alguns dos cinco
pontos-chave sobre o Chile,
que realiza eleições no domingo (16) para definir o sucessor do presidente de
esquerda Gabriel
Boric.
A longa ditadura de Pinochet
O general Augusto Pinochet derrubou,
em 11 de setembro de 1973, Salvador Allende, o primeiro marxista eleito
presidente de forma democrática na América Latina. Allende se suicidou no
palácio presidencial.
Seguiram-se 17 anos de ditadura
marcados por prisões, torturas, opositores jogados ao mar a partir de aviões e
uma política que facilitou milhares de adoções estrangeiras ilegais de
crianças.
Após perder um plebiscito,
Pinochet entregou o poder ao democrata-cristão Patricio Aylwin, vencedor das
eleições de 1989, que assumiu o cargo no ano seguinte. No entanto, Pinochet
permaneceu no comando das Forças Armadas por mais oito anos. Ele morreu em 2006
sem ter sido julgado pelos crimes cometidos sob seu regime, que deixou mais de
3.200 vítimas fatais, incluindo 1.162 desaparecidos.
Além dos mortos e desaparecidos,
mais de 27 mil pessoas sofreram prisão política ou tortura entre 1973 e 1990,
segundo a Comissão Nacional organizada pelo Ministério do Interior chileno.
A Constituição de Pinochet
continua em vigor. Em 2022 e 2023, os chilenos rejeitaram em referendos duas
novas propostas de reforma da Carta Magna. A primeira foi apoiada por
Boric, impedido por lei de disputar a reeleição imediata; a segunda, elaborada por
defensores do legado de Pinochet.
Destino da imigração
O Chile tornou-se um destino
importante para imigrantes, principalmente vindos da Venezuela. A
população imigrante dobrou em sete anos e alcançou 8,8% do total em 2024, em um
país de 20 milhões de habitantes, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas
(INE).
É a segunda maior proporção de
residentes estrangeiros na América Latina, depois da Costa Rica, de acordo com
o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).
A Venezuela é o principal país de
origem dos imigrantes no Chile (41,6%), seguida por Peru (14,5%) e Colômbia
(12,3%).
Segundo estimativas oficiais,
cerca de 337 mil imigrantes vivem em situação irregular. A maioria entrou
no país pela fronteira norte com Bolívia e Peru, uma região para onde o governo
de Boric enviou o Exército no início de 2022. O tema é central na campanha
eleitoral, já que a maioria dos chilenos associa o aumento da criminalidade à
imigração irregular.
Potência do cobre e do lítio
O Chile é o maior produtor
mundial de cobre, responsável por um quarto da oferta global, e o segundo maior
produtor de lítio. Impulsionado pela mineração, o crescimento econômico
atingiu 2,6% em 2024, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), que prevê
expansão semelhante neste ano e um leve recuo no próximo (2%).
Embora o crescimento tenha
desacelerado nas últimas duas décadas, o Chile mantém a menor taxa de pobreza
da região e continua a reduzi-la, segundo o Banco Mundial.
A desigualdade, porém, segue
elevada. A demanda por reformas sociais mais amplas motivou, em outubro de
2019, massivos protestos de rua, alguns deles violentos.
Do deserto às geleiras
O Chile tem uma geografia
única. O país, situado entre o oceano Pacífico e a cordilheira dos Andes,
é uma estreita faixa de terra que se estende por 4.300 km de norte a sul: do
árido deserto do Atacama às geleiras da Patagônia.
Três placas tectônicas convergem
em seu território, tornando-o um dos países mais sísmicos do mundo.
A mais de 3.500 km de distância,
no Pacífico Sul, está a Ilha de Páscoa – chilena desde 1888 -, famosa por suas
monumentais estátuas “moai”, relíquias de uma antiga civilização polinésia.
Poetas e escritores
Os anos de ditadura, a vida dura
nas terras do sul e as lutas sociais serviram de terreno fértil para a criação
literária, especialmente poética. Os poetas Gabriela Mistral e Pablo
Neruda receberam o Prêmio Nobel de Literatura em 1945 e 1971, respectivamente.
Entre os escritores de renome
internacional estão Isabel Allende (“A casa dos espíritos”), Luis Sepúlveda (“O
velho que lia romances de amor”) e Francisco Coloane (“Terra do Fogo”).
Com informações da AFP

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