Ação mobilizou 2.500 policiais
civis e militares para capturar lideranças criminosas e impedir expansão
territorial de facções
A liderança da oposição na Câmara
dos Deputados divulgou uma nota oficial nesta terça-feira (28) em
que acusa o governo do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva de omissão diante da megaoperação policial
que deixou mais de 60 mortos no Rio de Janeiro.
A ação, realizada nos complexos
da Penha e do Alemão, na zona norte da capital fluminense, mobilizou cerca de
2.500 agentes das polícias Civil e Militar e resultou em confrontos intensos
desde a madrugada.
Em nota assinada pelo deputado federal Zucco (PL-RS),
líder da oposição na Câmara, os parlamentares classificam o episódio como um
“estado de guerra” e dizem que a crise escancara “o tamanho do vácuo de comando
e da omissão do governo federal diante da violência que devasta a sociedade
brasileira”.
“O Rio de Janeiro amanheceu em
guerra. Mesmo com pedido formal do governador Cláudio Castro, o governo Lula
negou por três vezes o apoio das Forças Armadas. A tropa foi sozinha — enfrentando
drones com bombas, barricadas e um arsenal de guerra em poder do crime
organizado”, diz o texto.
O comunicado também critica a
postura do presidente ao afirmar que o traficante era “vítima do usuário”, em
referência à fala de Lula durante viagem à Ásia.
“Vítima é o policial que tombou
em combate. Vítima é o trabalhador que teve o ônibus incendiado. Vítima é o
povo honesto, aprisionado pelo medo, abandonado por um governo que não tem
coragem de enfrentar o crime”, afirma o documento.
Segundo o governo do Rio, o
objetivo da operação era desarticular núcleos estratégicos do Comando Vermelho,
facção que controla o tráfico em parte da capital e mantém conexões
interestaduais.
Nas redes sociais, outros
parlamentares da oposição reforçaram o tom crítico contra o governo federal. O
senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) destacou que a operação foi a maior da história
do Rio no combate ao crime organizado e que policiais enfrentaram “milhares de
tiros de fuzis, barricadas em chamas e até drones com bombas”.
Ele também criticou a ausência de
apoio federal e afirmou que “não há outro caminho para buscar a liberdade de
milhões de pessoas que vivem sob a lei paralela desses marginais com tamanho
poderio bélico”.
A deputada Chris Tonietto (PL-RJ)
chamou atenção para a força armada das facções e pediu “prioridade absoluta à
segurança pública”, defendendo a política de tolerância zero com o crime.
Segundo ela, a bandidagem “tem armas de última geração e consegue dominar
quando e onde quiser”, e a situação tende a piorar caso não haja ação firme do
Estado.
O deputado Sóstenes
Cavalcante (PL-RJ) afirmou que o Rio “amanheceu em guerra” e
criticou a postura de Lula, que chamou traficantes de “vítimas”. Para ele, a
verdadeira vítima é o cidadão comum, o trabalhador, a mãe que perdeu o filho e
o policial que não sabe se voltará vivo para casa.
Ele apontou ainda que decisões do
STF proibindo operações em comunidades favoreceram a expansão das facções, e
que o momento atual é consequência direta da “covardia institucional e
romantização do crime”.
Entenda
A megaoperação
da polícia nos Complexos
do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro,
nesta terça-feira (28), deixou 64 mortos, entre eles estão quatro policiais —
dois civis e dois do Bope. A ação também prendeu 81 supostos traficantes e
apreendeu 75 fuzis e 9 motos. Esta é a ação mais letal da história no estado.
A Operação Contenção,
que mobiliza 2.500 policiais civis e militares, busca capturar lideranças
criminosas do Rio de Janeiro e de outros estados, além de impedir a expansão
territorial da maior facção do estado. Os dois complexos abrigam 26
comunidades.
O agente Marcos Vinícius, da 53ª
DP (Mesquita), conhecido como Máskara, e o agente Rodrigo, da 39ª DP (Pavuna),
foram atingidos
por disparos de arma de fogo e não resistiram aos ferimentos. Além
deles, outros nove agentes de segurança e três inocentes foram baleados.
A ação, que também conta com
promotores do Ministério Público Estadual, foi iniciada a partir de mais de um
ano de investigação e mandados de busca e apreensão e de prisão obtidos pela
DRE (Delegacia de Repressão a Entorpecentes).
R7

0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!