No momento da abordagem policiais teriam alegado que se tratava de uma ação de 'rotina'. Bruno Spada/Câmara dos Deputados - 17/09/2025
Ex-assessor do TSE é alvo de pedidos
de extradição e prisão no Brasil; ele está proibido de deixar a região onde
mora
Ex-assessor do TSE (Tribunal
Superior Eleitoral), Eduardo
Tagliaferro foi liberado, nesta quarta-feira (1°), após ser detido
por algumas horas na Delegacia Central Carabinieri, em Roma (Itália). As
informações são do advogado Fabio Pagnozzi, que atua na defesa do ex-assessor
na Itália.
Nesta manhã, Tagliaferro foi
detido no local onde reside, na região autônoma do sul da Itália, Calábria, e
levado até a delegacia. No local, segundo o advogado, os agentes fizeram
algumas perguntas a ele, apreenderam seu passaporte e o proibiram de deixar a
região onde mora.
No momento da abordagem policial,
os agentes teriam alegado que se tratava de uma ação de “rotina”. Contudo, na
delegacia, ele foi informado de que era em virtude de notificações realizadas
no Brasil.
Trata-se de um pedido de
extradição, feito em agosto, e um pedido de prisão, em julho. Ambos seriam de
autoria do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
Além da apreensão do passaporte,
a polícia determinou as seguintes cautelares ao ex-assessor:
- Obrigação de permanência no município de Torano
Castello (CS);
• Proibição de deixar o
território sem autorização judicial;
• Obrigação de comparecimento
periódico ao Comando da Polícia Carabinieri, para informar residência e
horários de saída/retorno;
Conversas entre Tagliaferro e um
jornalista brasileiro, em 2014, teriam embasado os pedidos de extradição e
prisão, além do suposto vazamento de documentos sigilosos.
A proibição de deixar Torano
Castello seria em virtude da tramitação do pedido de extradição, que precisa
ser concluído.
Quem é Tagliaferro
Tagliaferro foi chefe da
Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação no TSE (Tribunal Superior
Eleitoral) no período em que Moraes comandou a corte eleitoral.
Ele é investigado por vazamento
de mensagens trocadas entre servidores do gabinete de Moraes. Segundo o
ex-assessor, o ministro teria adulterado documentos para justificar operações
da Polícia Federal.
A oposição chama a divulgação das
mensagens de “Lava Toga” e tenta anular o processo sobre a tentativa de golpe
usando tais informações.
Tagliaferro foi exonerado do
posto de trabalho e se mudou para a Itália. Moraes pediu a extradição do
ex-assessor ao Ministério da Justiça e Segurança Pública em agosto.
Veja as acusações de
Tagliaferro contra Moraes
Tagliaferro acusa o ministro do
STF de adulterar documentos para justificar operações da Polícia Federal.
Durante uma sessão do Senado, o ex-assessor apresentou documentos que, segundo
ele, comprovariam irregularidades.
O ex-funcionário do TSE citou
especificamente uma petição com data supostamente manipulada. O perito relatou
que foi orientado a elaborar um documento após a realização de uma ação
policial, mas a data teria sido retroativamente alterada para dar a impressão
de que o material técnico havia sido produzido antes, servindo assim de
respaldo jurídico para a operação.
Metadados apresentados por
Tagliaferro mostram que o documento teria sido criado no dia 28 de agosto de
2022, às 10h33. O texto foi incluído no processo de investigação com outra
data: 22 de agosto.
Em nota divulgada por sua
assessoria, o ministro Alexandre de Moraes declarou que todos os procedimentos
de investigação foram realizados de forma regular. Além disso, o ministro
afirmou que a assessoria do TSE foi acionada para recolher dados e que estes
foram repassados às autoridades competentes.
R7

0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!