Último dia de evento também foi marcado pelo lançamento da Nobel Sustainability World Science Academy, no Rio, e de uma Climate Action Week, no Pará
(29 de agosto de 2025 – Rio de Janeiro) – A Rio Climate Action Week
(RCAW) chegou ao seu último dia dando sinais claros do sucesso de sua primeira
edição na cidade. No encerramento, na tarde de sexta-feira na Academia
Brasileira de Letras, os coorganizadores Marcelo de Andrade e Malini Mehra,
junto a Ricardo Piquet, diretor-presidente do Museu do Amanhã, e outros
parceiros do evento, anunciaram uma série de iniciativas que consolidam a RCAW
como uma plataforma global de ação climática até 2030. Entre os principais
anúncios, o destaque foi o retorno garantido do evento em 2026, mais uma vez coorganizado
Pro Natura International e a London Climate Action Week, em parceria com o
Museu do Amanhã/ IDG, a Approach Comunicação e a GAEL.
Também foi anunciada a expansão regional da iniciativa, com a
realização de uma Climate Action Week no Pará, em parceria com a organização
local Instituto Juruti Sustentável. Na ocasião foi lançada, ainda, a Nobel
Sustainability World Science Academy, no Castelo do Alto, no coração da maior
floresta urbana do mundo, a Floresta da Tijuca, reforçando o papel do Rio como
polo global de conhecimento, inovação e sustentabilidade.
“Imaginávamos que a Semana seria grande, mas nem próximo do sucesso
que foi: mais de 20 mil pessoas mobilizadas, 240 eventos com debates de muita
qualidade, alto nível de interesse e engajamento. Tudo isso confirmou a minha
tese que o Rio tem a vocação de se tornar o protagonista do tema
sustentabilidade que, afinal, nasceu aqui, na Rio-92”, contou Marcelo de
Andrade, fundador da Pro Natura Internacional e coorganizador da RCAW.
A programação futura do evento refletirá o fortalecimento das relações
entre Londres e Rio por meio de parcerias científicas, culturais,
institucionais e com a sociedade civil. Outro destaque foi o lançamento de um
projeto de cooperação internacional entre comunidades periféricas, conectando
favelas do Rio a assentamentos informais como Kibera, em Nairóbi, no Quênia,
com foco em água, segurança alimentar, juventude e empreendedorismo.
“Desde o início tínhamos claro que não queríamos fazer uma única
edição do evento e o entusiasmo que encontramos deixou claro o tamanho da
demanda pelas discussões. Esperamos que os anúncios que fizemos inspirem todos
que participaram ao longo da semana a pensar sobre o que vão anunciar para o
próximo ano”, sugeriu Malini Mehra, embaixadora da London Climate Action Week e
coorganizadora da RCAW.
Periferias ocupam programação da Rio Climate Action Week
Mais cedo, durante a manhã, a programação da RCAW se voltou às vozes
fundamentais da justiça climática no “Dia das Periferias”, realizado na sede da
Ação da Cidadania, organização fundada, em 1993, por Betinho, para o combate à
fome. O encontro reuniu lideranças comunitárias e jovens de periferias
brasileiras para debater ação climática, segurança alimentar e água a partir de
perspectivas territoriais e populares. “Precisamos de uma COP30, em Belém,
verdadeiramente inclusiva e de implementação, convocando a juventude global a
compor o que estamos chamando de mutirão contra a mudança do clima”, defendeu a
Jovem Campeã Climática da COP30 Marcele Oliveira, da Coalizão O Clima é de
Mudança.
Em seguida, Lilian Rahal, secretária nacional de Segurança Alimentar e
Nutricional, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, apresentou um marco de
referência para sistemas alimentares e clima, a ser lançado na COP30, e
detalhou a estratégia “Alimenta a Cidade”, que mapeia desertos alimentares e
promove o direito à alimentação em municípios brasileiros. “Entendemos que
precisamos endereçar problemas que nosso atual sistema alimentar gera, o
impacto que causa nas mudanças climáticas e de que forma ele pode se
transformar em uma oportunidade pra trabalharmos a agenda do clima”, explicou
Lilian.
Outras lideranças também marcaram presença no painel na Ação da
Cidadania, compartilhando ideias inovadoras para assegurar um futuro com
justiça climática. Gaio Jorge, engenheiro de alimentos, cofundador do Coletivo
Criação e Delegado do Bioma Mata Atlântica na COP30, destacou a importância de
mudar a linguagem para engajar a juventude: “a forma como comunicamos
transforma a percepção de quem escuta”. Ele apresentou o projeto Sabores e
Saberes de Cria, que une arte e ciência para combater a insegurança alimentar e
já está sendo replicado em outros países.
Erley Bispo, fundador do Instituto Águas Resilientes, alertou para a
urgência da pauta hídrica e lançou a campanha global Justiça pela Água é
Justiça Climática. “Dois bilhões de pessoas vivem sem acesso seguro à água no
mundo e 35 milhões delas estão no Brasil – precisamos tratá-la como direito,
não mercadoria”, argumentou Erley. Já Johari Silva, da Ação da Cidadania,
afirmou que desastres ambientais são consequências da ausência de políticas
públicas e não eventos puramente “naturais”. Ela destacou a campanha
#Forests4Food, que conecta florestas, água e alimentação. “Sem floresta não há
água, sem água não há comida e sem comida não há futuro”, defendeu Johari. Já
Juliana Coutinho, também da Ação da Cidadania, reforçou o papel das comunidades
na proteção dos biomas e a urgência de políticas públicas que cheguem às
periferias: “os biomas só estão vivos porque tem gente cuidando deles em cada
localidade”.
O último dia da RCAW reforçou que justiça climática e ação climática
caminham juntas e que não há soluções globais sem escuta e protagonismo dos
territórios. A expectativa é que a próxima edição, já confirmada para 2026,
amplie ainda mais essas vozes e articulações.

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