O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, discursa durante participação online na Assembleia Geral das Nações Unidas na sede da ONU em Nova York. TIMOTHY A. CLARY / AFP
Apesar de ‘tudo o que a população
vem sofrendo’, Mahmud Abbas condenou o ataque de 7 de outubro contra Israel,
afirmando que ele não representa ‘o povo palestino, nem a luta pela liberdade e
independência’
O líder palestino Mahmud Abbas
afirmou nesta quinta-feira (25) na ONU que o Hamas não teria nenhum
papel na futura governança palestina e condenou o ataque do grupo contra Israel em 7 de outubro de
2023. “O Hamas não desempenhará nenhum papel na governança. O Hamas e outras
facções terão que entregar suas armas à Autoridade Nacional Palestina”,
declarou Abbas em uma mensagem de vídeo à Assembleia Geral da ONU.
Abbas repudia ataque do Hamas
e antissemitismo
O líder palestino Mahmud Abbas
declarou nesta quinta-feira à Assembleia Geral da ONU que o ataque de 7 de
outubro de 2023 contra Israel não representa seu povo, que, segundo ele, se
opõe ao antissemitismo. “Apesar de tudo o que nosso povo sofreu, repudiamos o
que o Hamas fez em 7 de outubro, ações que tinham como alvo civis israelenses e
os tomaram como reféns, porque estes ataques não representam o povo palestino,
nem representam sua justa luta pela liberdade e independência”, afirmou Abbas
em um vídeo exibido na Assembleia Geral da ONU.
Líder palestino discursa
virtualmente na ONU e campanha pela paz ganha força
O líder palestino Mahmud Abbas,
que não recebeu visto, discursa virtualmente na ONU nesta quinta-feira (25), ao
mesmo tempo que os Estados Unidos analisam uma forma de frear uma possível
anexação israelense da Cisjordânia. O presidente da Autoridade Palestina, de 89
anos, discursará na Assembleia Geral das Nações Unidas três dias após a França
liderar uma cúpula especial na qual diversas nações ocidentais reconheceram um
Estado palestino.
O governo do presidente dos
Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou categoricamente a ideia de um Estado
palestino e, de forma incomum, impediu Abbas e seus principais conselheiros de
viajar para Nova York para o encontro anual de líderes mundiais. A Assembleia
Geral, no entanto, votou por ampla maioria para permitir que Abbas se dirigisse
ao órgão por meio de uma mensagem em vídeo.
Em 1988, Yasser Arafat, então
líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), também foi impedido
de comparecer a Nova York para uma sessão especial da Assembleia Geral da ONU,
que acabou sendo organizada em Genebra. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin
Netanyahu, insistiu que não permitirá um Estado palestino, e membros de extrema
direita de seu gabinete ameaçaram anexar a Cisjordânia, em uma tentativa de
eliminar qualquer perspectiva de verdadeira independência.
Apesar de suas divergências com
Trump sobre o reconhecimento de um Estado palestino, o presidente francês,
Emmanuel Macron, disse na quarta-feira que o republicano também se opõe à
anexação. “O que o presidente Trump me disse foi que europeus e americanos têm
a mesma postura”, disse Macron na quarta-feira em uma entrevista conjunta à
France 24 e à France Internationale.
Steve Witkoff, o emissário de
Trump para o Oriente Médio, disse que o presidente, em uma reunião separada com
líderes de nações árabes e islâmicas, apresentou um plano de 21 pontos para
acabar com a guerra em Gaza. “Acredito que aborda as preocupações de Israel,
assim como as preocupações de todos os vizinhos da região”, disse Witkoff.
“Temos esperanças e, eu poderia dizer até confiança, de que nos próximos dias
poderemos anunciar algum tipo de avanço decisivo”, acrescentou. Um
funcionário da Casa Branca disse à AFP que Trump deseja “um fim rápido” para o
conflito e que os países que participaram da reunião “esperam trabalhar com o
enviado especial Witkoff”.
Divisão sobre a Autoridade Palestina
Macron disse que a proposta de
paz dos Estados Unidos inclui elementos centrais de um plano francês, incluindo
o desarmamento do Hamas e o envio de uma força internacional de estabilização.
O documento da posição francesa, conhecido pela AFP, pede a transferência
gradual do controle de Gaza para uma Autoridade Palestina reformada uma vez que
um cessar-fogo tenha sido alcançado. O presidente indonésio Prabo Subianto, um
dos líderes que se reuniu com Trump, garantiu que seu país, com a maior população
muçulmana, está disposto a oferecer pelo menos 20.000 tropas.
A Autoridade Palestina de Abbas
tem um controle limitado sobre partes da Cisjordânia em virtude do acordo
alcançado durante os acordos de paz de Oslo de 1993. O movimento Fatah de Abbas
é rival do Hamas, que controla a Faixa de Gaza. Embora o governo de Netanyahu
tente equiparar ambos. Abbas, em um discurso na segunda-feira, condenou o
ataque de 7 de outubro do Hamas em Israel, que causou a morte de 1.219 pessoas,
a maioria civis. O Exército israelense respondeu com uma ofensiva que deixou
mais de 65.300 palestinos mortos, a maioria civis, segundo o Ministério da
Saúde de Gaza.
Abbas, além disso, também pediu
que o Hamas entregue as armas à Autoridade Palestina. Embora não deslegitimem a
Autoridade Palestina, a França e outras potências europeias afirmaram que a
organização necessita de reformas importantes. Netanyahu discursará à
Assembleia Geral das Nações Unidas na sexta-feira.
Com informações da AFP

0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!