Governador de Minas Gerais critica alinhamento com regimes autoritários e diz que bloco afasta o país dos Estados Unidos
O governador de Minas Gerais, Romeu
Zema (Novo), defendeu que o Brasil deixe o Brics e
atribuiu ao bloco parte da responsabilidade pelas sanções
comerciais impostas recentemente pelos Estados Unidos.
Segundo ele, a aproximação com
países como Rússia, China e Irã estaria prejudicando a relação bilateral com o
país norte-americano e alimentando reações como a tarifa de 50% aplicada ao
Brasil.
“Os Brics são uma ferramenta útil
apenas para um grupo de líderes autoritários que gostam de sinalizar sua
oposição ao mundo ocidental, particularmente contra os Estados Unidos”,
afirmou.
Zema também criticou a falta de
integração prática entre os países do grupo, apontando que não há benefícios
concretos para o Brasil em termos de comércio ou investimentos.
“Não há nenhum elo cultural ou
geográfico entre seus membros. Tampouco é um bloco comercial. Não há zona de
livre-comércio, não há acordos tarifários, nem fluxos privilegiados de
investimento.”
‘Alinhamento errático’
Para ele, o vínculo do país com o
bloco tem impacto direto nas relações internacionais.
“Boa parte da culpa pelo tarifaço
que enfrentamos hoje tem origem justamente nesse alinhamento errático”, disse.
Outro ponto sensível destacado
pelo governador é a discussão, dentro do Brics, sobre a criação de sistemas de
pagamento alternativos ao dólar — pauta que, segundo ele, é vista como um
confronto desnecessário com os EUA.
“Os países integrantes do grupo
aprofundaram a discussão sobre a criação de sistemas de pagamento alternativos
ao dólar, proposta que vem sendo discutida pela organização desde 2023. O gesto
pode ser interpretado como um desafio gratuito aos Estados Unidos.”
O Brics foi fundado em 2009 por
Brasil, Rússia, Índia e China. A África do Sul entrou em 2011. Em 2023,
aderiram Irã, Egito, Etiópia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. A
Indonésia se juntou ao grupo em 2024.
Pré-canditadura à presidência
As declarações de Zema foram
publicadas em artigo na Folha de S.Paulo na manhã desta quinta-feira (31), dias
antes do lançamento oficial de sua pré-candidatura à Presidência da República,
marcado para 16 de agosto, em São Paulo.
O evento, organizado pelo partido
Novo, deve reunir cerca de 2 mil pessoas. Zema está em seu segundo mandato como
governador e decidiu entrar na corrida eleitoral após conversas com o
ex-presidente Jair Bolsonaro.
R7

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