Advogados do general defendem que
o réu do núcleo 2 ‘não confessou plano de matar ninguém’ e que interrogatórios
comprovaram que o documento ‘Punhal Verde Amarelo’ não foi recebido por outro
acusado
A defesa do general Mario Fernandes pediu
ao Supremo Tribunal Federal
(STF) a revogação de sua prisão preventiva ou a aplicação das
mesmas medidas cautelares impostas a Jair Bolsonaro (PL). O argumento dos
advogados é de que o ex-presidente da República foi denunciado como líder da
organização criminosa envolvendo a tentativa de golpe, posição superior à do
general dentro da acusação. A manifestação foi protocolada no STF na noite do
sábado (26) após se encerrarem os interrogatórios do núcleo dois da ação penal
da tentativa de golpe. A defesa também afirmou que o general “não confessou
plano de matar ninguém” e argumentou que os interrogatórios comprovaram que o
documento “Punhal Verde Amarelo” não foi recebido por nenhum outro acusado.
Na quinta-feira (24), Fernandes
confirmou, em depoimento ao STF, ser o autor do documento “Punhal Verde
Amarelo”, que descrevia a possibilidade de “envenenamento” do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) e “neutralização” do seu vice, Geraldo Alckmin (PSB).
O arquivo havia sido encontrado em um HD apreendido com o general, em fevereiro
de 2024. O militar disse que o documento não foi apresentado a ninguém. “Esse
arquivo digital nada mais retrata do que um pensamento meu que foi
digitalizado, um compilar de dados, um estudo de situação meu, de pensamento,
uma análise de riscos que eu fiz e por um costume próprio decidi digitalizá-lo.
Não foi apresentado a ninguém ou compartilhado com ninguém”, afirmou no
interrogatório.
Com base no depoimento, a
Procuradoria-Geral da República opinou que o general deveria ser mantido preso
e disse que as provas colhidas “tornam inverossímil presumir que o requerente,
após confeccionar o material, não o divulgou a seus pares”. O argumento foi
rebatido pela defesa do general. Os advogados citaram que o tenente-coronel
Mauro Cid, delator na ação, foi questionado sobre o Punhal Verde e Amarelo e
confirmou não ter recebido cópia do documento.
Cid também disse que o general
nunca conversou com ele sobre ações de monitoramento do ministro do Supremo
Alexandre de Moraes, que foram realizadas por militares das Forças Especiais.
De acordo com a defesa, essas informações demonstrariam que o general não
participou de nenhuma ação concreta envolvendo o plano de golpe. “A defesa
nunca presumiu nada, apenas demonstrou, e não caberia a ela este ônus, que o
arquivo eletrônico não foi apresentado a ninguém, tal como declarou Mauro Cid.
Agora, quem não pode presumir no devido processo legal é a acusação, que por
imposição legal e sem presunções, tem o dever efetivo de comprovar e provar o
fato narrado na denúncia”, escreveram os advogados Marcus Vinicius Figueiredo,
Igor Monteiro e Diogo Borges.
A defesa argumenta que, no
interrogatório, o general somente confirmou um fato já comprovado nos autos,
mas que não realizou nenhuma ação para colocar em prática o Punhal Verde
Amarelo. Por isso, a defesa afirma que ele “não confessou plano de matar
ninguém”. “A minuta punhal verde amarelo já era vinculada ao requerente, razão
pela qual a confirmação daquele arquivo pelo requerente em seu interrogatório
não exprime qualquer confissão de crime, pois como já incontroversamente
constatado não foi objeto de compartilhamento ou debate com quaisquer dos
acusados”, afirmou a defesa.
Por isso, afirmam que a prisão
preventiva e uma eventual condenação só poderiam se basear em “elementos
concretos” e na certeza das provas. Eles argumentam que o fato de que outros
investigados estavam no Palácio do Planalto no mesmo horário em que o documento
foi impresso não comprova a acusação descrita na denúncia: “Condenação se
legitima apenas pela certeza, nunca pela coincidência”.
Decreto golpista de Bolsonaro
O general também havia
confirmado, em seu interrogatório, ter tomado conhecimento de que o
ex-presidente Jair Bolsonaro discutia um decreto com teor golpista, mas disse
não ter participado da construção do documento. A Polícia Federal citou, no
relatório final, a existência de mensagens enviadas por ele a Mauro Cid nas
quais pede ao tenente-coronel que convencesse Bolsonaro a assinar o decreto. A
defesa afirmou que esses elementos indicam que ele não participou da elaboração
do documento. “O requerente tomou conhecimento da suposta minuta do Golpe por
conversas de corredor, tanto é que jamais participou de qualquer reunião ou
qualquer outra situação envolvendo a construção daquela minuta – fato
incontroverso”, diz a manifestação da defesa.
Por último, os advogados
solicitaram que a prisão preventiva do general seja revogada ou que deveriam
ser aplicadas a ele as mesmas medidas cautelares impostas a Bolsonaro, já que o
ex-presidente foi denunciado como líder da organização criminosa, posição
superior à ocupada por Mario Fernandes na estrutura da acusação. “Insubsistente
a manifestação da d. Procuradoria que não reflete a realidade dos fatos, causando
estranheza a contradição entre a denúncia e o conteúdo da sua manifestação,
objeto da presente petição, impondo-se a revogação da prisão preventiva ou a
aplicação das mesmas medidas recentemente destinadas ao acusado Jair Messias
Bolsonaro – indicado na denúncia como líder da organização criminosa”,
solicitou a defesa.
JP

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