Durante o encontro no Salão Oval,
Trump agradeceu a Bukele por aceitar a expulsão de migrantes acusados de
terrorismo e por permitir que uma prisão de segurança máxima salvadorenha — o
Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot) — abrigue esses detidos. “Vocês
estão nos ajudando a resolver o problema das fronteiras abertas que herdamos.
Agradeço imensamente”, afirmou o republicano.
Bukele, por sua vez, reforçou que
seu país não pretende devolver aos EUA o migrante Kilmar Ábrego García, enviado
ao Cecot e identificado pelas autoridades americanas como suposto membro da
gangue MS-13. “Como vou mandar um terrorista de volta para os Estados Unidos?”,
disse o presidente salvadorenho. Ele ressaltou que seu governo não liberta
pessoas consideradas perigosas. “Acabamos de nos tornar o país mais seguro do
continente. Liberar criminosos nos faria retroceder ao título de capital
mundial dos homicídios.”
Ábrego foi um dos 261 migrantes
deportados em março sob a justificativa da Lei de Inimigos Estrangeiros, de
1798, que permite a remoção acelerada de estrangeiros considerados ameaça. Do
total, 238 eram venezuelanos e 23 salvadorenhos. Apesar de não possuir
antecedentes criminais nos EUA, o migrante teria sido identificado como parte
de organizações criminosas transnacionais.
Presente à reunião, a
ex-procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, afirmou que a responsabilidade de
cumprir ou não uma decisão judicial de retorno cabe a El Salvador. Bukele, no
entanto, descartou qualquer possibilidade de envio. “Não temos como devolvê-lo,
nem queremos”, insistiu.
O acordo entre os dois países
inclui um apoio financeiro de US$ 6 milhões por parte dos EUA, em troca da
permissão de uso do Cecot, que pode abrigar até 40 mil presos. A megacárcere
foi inaugurada em 2023 e se tornou símbolo da política de segurança de Bukele,
marcada por prisões em massa de supostos membros de gangues — ação duramente
criticada por organizações de direitos humanos devido às denúncias de más
condições e ausência de garantias legais.
Ainda assim, Trump elogiou a
estratégia como um exemplo de “tolerância zero” contra o crime. “Vamos
continuar tomando medidas decisivas para expulsar quem represente ameaça à
segurança nacional, independentemente de status migratório”, declarou.
A relação entre Trump e Bukele
começou ainda durante o primeiro mandato do republicano e foi marcada por cooperação.
Durante esse período, houve queda no número de salvadorenhos tentando entrar
nos EUA. Já sob o governo Biden, a relação azedou após críticas americanas a
decisões consideradas autoritárias por parte de Bukele.
Coincidentemente, antes da
visita, o Departamento de Estado dos EUA elevou o nível de segurança de viagem
para El Salvador ao mais alto — “nível 1” —, indicando que o país se tornou um
dos mais seguros do continente. O relatório cita a redução da atividade de gangues
e da violência nos últimos três anos.
Gazeta Brasil

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