Prefeitura do Rio autoriza pintura na mureta do Leme, mas volta atrás e pede remoção após queixas de moradores | Rio das Ostras Jornal

Prefeitura do Rio autoriza pintura na mureta do Leme, mas volta atrás e pede remoção após queixas de moradores

Área voltou a ser coberta com tinta cinza nesta
 quinta-feira (27)Reginaldo Pimenta / Agência O Dia

O local é tombado pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade desde dezembro de 2014

Rio - Uma pintura realizada por iniciativa da prefeitura na Mureta do Leme, na Zona Sul do Rio, gerou indignação entre os moradores da região na última terça-feira (25). O local é tombado pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade desde dezembro de 2014. Após a repercussão negativa, a gestão municipal voltou atrás e mandou remover a arte.

A associação de moradores VivaLeme se manifestou nas redes sociais contra a intervenção, classificando-a como uma "brutalidade ambiental". "Acordamos chocados com mais uma brutalidade ambiental. A Pedra do Leme que levou milhões de anos para se constituir, acaba de ser pintada para servir de outdoor.", escreveu o grupo.

Nos comentários da publicação, internautas expressaram insatisfação. "Falta de respeito ambiental e cultural. O Morro do Leme é tombado pelo IRPH e reconhecido pela Unesco como Paisagem Cultural da Humanidade", disse um morador. "Um absurdo! Precisamos mobilizar as autoridades para remover essa pintura e restaurar a cor neutra da mureta, preservando a paisagem", comentou outro.

Desde dezembro de 2014, o Forte Duque de Caxias, localizado no Morro do Leme, e sua área ao redor são tombados. O documento que oficializa a proteção delimita essa região, abrangendo "da junção do final do calçadão da Praia do Leme com a Pedra ou Morro do Leme, seguindo na direção do Caminho dos Pescadores, incluso, contornado totalmente a Pedra do Leme pela linha média das marés".

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A Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos, que contratou a pintura, afirmou que refará a intervenção nesta quinta-feira (27), cobrindo a área com tinta cinza. Segundo a pasta, o grafite foi autorizado com o objetivo de inibir pichações constantes no local.

"A toda hora limpávamos as pichações da pedra. O grafite foi uma estratégia para resolver isso. Fomos notificados pelo Rio Patrimônio da Humanidade sobre o tombamento e determinei a imediata remoção", afirma o secretário Diego Vaz.

A artista Malu Vibe, responsável pela obra, ficou surpresa após a repercussão negativa. Moradora do Morro da Babilônia, ela disse que ficou feliz com o convite, mas foi surpreendida com a decisão de apagar a pintura.

"Eu, como artista local, fiquei feliz pelo convite de trazer essa revitalização, esse olhar para a arte e, através dessa arte, falar sobre a natureza, ali no caminho dos pescadores. Fiquei surpresa pela repercussão desse apagamento. Entretanto, durante todo o processo foi satisfatório o olhar carinhoso das pessoas, a sensibilidade de chegar e falar, de ser solidário, oferecer uma água, tirarem fotos, turistas falando comigo. E minha equipe, que se doou do início ao fim. O trabalho foi exaltado, executado com excelência, mas infelizmente teve esse outro lado que eu não entendo. Eu ainda estou elaborando", contou ao DIA.

Moradores também denunciaram que a sigla da Associação de Hotéis do Rio de Janeiro (ABIH-RJ) foi incluída na pintura. A reportagem de O DIA entrou em contato com a entidade, que ainda não se pronunciou. O espaço segue aberto para manifestações.

O Dia

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