Segundo apurações iniciais, o
presidente Daniel Noboa venceu em 9 de 11 perguntas que estavam em votação
O Equador votou,
neste domingo (21), a favor do endurecimento da segurança em meio a onda de
violência. Dentre os itens que foram votados, estava a extradição, que recebeu
o sim dos equatorianos, segundo uma pesquisa de boca de urna. O “sim” à
extradição recebeu 72% de apoio, contra 25% do total de votos, incluindo os
brancos e nulos, segundo pesquisa da empresa Infinity Estrategas, contratada
pelo governo, divulgada pelo canal Teleamazonas. Cerca de 13,6 milhões dos 17,7
milhões de habitantes foram chamados a votar “sim” ou “não” em 11 questões
propostas pelo presidente Daniel Noboa, que
buscará a reeleição em fevereiro de 2025. A extradição de equatorianos é
proibida pela Constituição desde 1945. A população havia sido consultada sobre
o assunto em fevereiro de 2023, antes do assassinato do candidato à presidência
Fernando Villavicencio, e o “não” venceu com 52%.
O dia foi marcado pelo
assassinato de Damián Parrales, que havia assumido há cinco dias como diretor
da prisão conhecida como El Rodeo, localizada na costeira Portoviejo
(sudoeste). Parrales foi morto quando almoçava com a família em um restaurante
do povoado de Jipijapa, segundo a imprensa local. As pesquisas já apontavam uma
vitória do “sim” com até 65% dos votos, em um contexto de massacres nas ruas,
de violência política e do crescente poder dos traficantes de droga. De acordo
com a consulta de boca de urna, Noboa conseguiu apoio em 9 das 11 perguntas
voltadas para o fortalecimento da luta contra o crime organizado, mas sofreu um
revés nas que se referem a arbitragens internacionais e aos contratos de
trabalho por hora. A pergunta com maior apoio, perto de 82%, foi a que propunha
que as Forças Armadas apoiem a Polícia de forma permanente em operações contra
o crime organizado, sem a necessidade de decretação de estados de exceção.
Da mesma forma, o “sim” venceu
nas questões que propunham aumentar as penas para crimes relacionados ao crime
organizado e também eliminar os benefícios de prisão para os condenados por
alguns desses crimes, de modo que eles teriam que cumprir suas penas completas
em regime fechado. As propostas de designar as Forças Armadas para controlar
o acesso às prisões, de criar um crime de posse e porte de armas para uso
exclusivo da polícia e das Forças Armadas e de equipar as forças estatais com
armas apreendidas do crime organizado também receberam apoio popular.
Outra questão vencida pelo
governo foi a permissão da expropriação imediata de bens ilícitos, como
ferramenta para atingir as redes de lavagem de dinheiro das organizações
criminosas. O referendo de Noboa foi realizado no contexto do “conflito
armado interno” que ele declarou no início deste ano contra as gangues do crime
organizado, que ele passou a considerar como grupos terroristas e agentes não
estatais beligerantes.
Mais de dez políticos foram
mortos a tiros desde 2023, quando os homicídios atingiram um recorde de 43 por
100 mil habitantes, em comparação com 6 em 2018. No sul, dois prefeitos
foram assassinados entre quarta e sexta-feira. Há um mês também mataram a
prefeita de um balneário no Pacífico. Com uma popularidade de 69%, Noboa
declarou guerra às organizações ligadas a cartéis no México e na Colômbia após
um violento ataque em janeiro, com cerca de vinte mortes. Em seguida,
decretou estado de conflito armado interno e ordenou que as Forças Armadas
derrotassem 20 grupos considerados “terroristas” e “beligerantes”.
Desde janeiro, Noboa militarizou
as prisões, centros de operações de traficantes e de massacres sangrentos entre
prisioneiros que deixaram mais de 460 mortos desde 2021. A mão pesada
reduziu a taxa de homicídios segundo o governo, mas a violência piorou no
último mês. O Equador sofre também a maior crise elétrica de sua história.
O governo sustenta que, além da seca iniciada em março, sabotagens e corrupção
afetaram o funcionamento das hidrelétricas.
Por Jovem Pan
*Com informações da AFP e EFE


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