Nesta terça-feira (9), a Câmara dos Deputados aprovou a recriação do seguro para vítimas de acidentes de trânsito, conhecido como DPVAT, em meio a debates acalorados devido à inclusão de um artigo considerado “jabuti” no jargão legislativo.
O projeto aprovado contém uma
disposição que permite a antecipação da análise de receitas do governo federal
do segundo para o primeiro bimestre. Esta medida, denominada “jabuti”, atraiu
críticas por ser considerada estranha ao tema central do projeto.
Além da questão do “jabuti”, o
projeto de lei traz mudanças significativas, incluindo a alteração do nome do
seguro para Seguro Obrigatório para Proteção de Vítimas de Acidente de Trânsito
(SPVAT).
O SPVAT será um seguro
obrigatório para indenizações de danos causados por veículos ou suas cargas,
com cobrança obrigatória para todos os proprietários de veículos.
A cobrança do DPVAT foi extinta
durante o governo do presidente Jair Bolsonaro, sendo a última vez que os
proprietários de veículos pagaram o seguro em 2020. Desde 2021, a gestão do
saldo passou da seguradora Líder para a Caixa Econômica Federal.
O governo justificou a
necessidade de recriar o seguro devido à iminente escassez de recursos para
atender às vítimas de trânsito de forma perene e sustentável.
Os valores e as regras
específicas do novo seguro ainda serão determinados após a aprovação final do
projeto pelo Congresso, que agora passará pelo Senado.
Entre as mudanças propostas,
destaca-se a destinação de entre 35% e 40% do valor arrecadado pelo fundo aos
municípios e estados onde houver serviço municipal ou metropolitano de
transporte público coletivo.
Além disso, a inclusão do
“jabuti” no projeto permite ao governo antecipar a execução de gastos extras ao
Orçamento, uma medida que gerou controvérsia entre os parlamentares.
A oposição criticou a inclusão de
uma matéria estranha ao projeto, argumentando que isso viola a legislação. O
deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) expressou preocupação com a forma como a
mudança foi feita, considerando-a inadequada para o contexto do debate sobre o
DPVAT.
Agora, o projeto segue para
análise do Senado, onde novas discussões e possíveis alterações podem ocorrer
antes da sua aprovação final.
Gazeta Brasil

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