Vídeo divulgado em 9 de abril de 2024 pela Secretaria de Relações Exteriores do México mostra imagens de CCTV da polícia equatoriana subjugando o Chefe de Relações Exteriores e Assuntos Especialistas ouvidos pela Jovem Pan alertam que um conflito armado na disputa por Essequibo envolveria região toda, sendo o Brasil e os Estados Unidos os mais ‘afetados’
Em um continente que aparentava ser pacífico, dois episódios ganharam atenção do mundo nos últimos dias e geraram dúvidas e questionamentos referente ao que o acirramento das tensões entre Venezuela e Guiana, que lutam por Essequibo, e a invasão do Equador à embaixada do México em Quito, podem desencadear na América, mais precisamente, na América Latina. Até porque, a região era uma das únicas no mundo em que não se tinha conflito, principalmente o armado. Porém, apesar desta sensação de paz, os especialistas ouvidos pelo Portal da Jovem Pan, explicam que isso é ilusão e que essas tensões atuais podem afetar a estabilidade da região.
“A América Latina tem uma falsa
sensação de tranquilidade, mas, na verdade, existe alguns conflitos
territoriais e situações de instabilidades”, fala Ana Carolina Marson,
professora de Relações Internacionais da Universidade São Judas. “Basta a gente
olhar para a Venezuela de Maduro, que há muito tempo se firmou como um ponto de
instabilidade no continente sul-africano. Quando a gente pensa na questão do
Haiti, a República Dominicana fechou as fronteiras, então, sempre existiram
pontos de instabilidade na região”, fala a especialista.
Regiane Nitsch Bressan,
professora de Relações Internacionais da Unifesp, explica que esses problemas
ocorrem porque por causa dos governos populistas e autoritários que existem por
aqui. “Sempre falo que a América Latina é um palco de instabilidades políticas,
e, em algum momento, isso pode ser um conflito, principalmente quando tangência
assuntos e interesses internacionais”. Apesar das tensões ainda serem
localizadas em suas regiões, elas não podem ser deixadas de lado. “A questão do
México com o Equador foi um pouco surpresa, porque a invasão de uma embaixada é
algo impensável, isso é violação de território de outro país”, diz Marson.
“O que o Equador fez, é algo preocupante,
porque não foi uma ação promovida por grupos ou indivíduos não vinculados ao
poder público, envolve diretamente dois governos”, acrescenta a professora, que
também enfatiza que isso coloca o país em situação complica, porque surge o
questionamento entre as nações de: “se ele fez com a embaixada de outro país,
porque não pode fazer com o nosso”. Regiane Bressan concorda e fala que o
Equador fez foi um atentado aos direitos internacionais. “O Equador assinou
essas convenções e está na Constituição do país respeitar o direito
internacional, então houve não só um desrespeito ao direito internacional, mas
a própria Constituição do país”, fala a professora.
O Equador usa como explicação
para se defender das críticas, o fato de que ex-vice-presidente Jorge Glas, a
qual o México deu asilo, é um criminoso comum. Para Bresssan, entender esses
pontos requer uma análise profunda porque se por um lado Jorge Glas teve a
acusação de envolvimento em propinas da Odebrecht, por outro ele era
vice-presidente de um governo. “É uma explicação muito complexa. Mas não dá o
direito de invadir uma embaixada. O que o Equador deveria ter feito, era ter
negociado com o México a devolução dessa pessoa para julgamento, o que não foi
feito”, fala. Essas últimas ações, servem como uma alerta do que podemos
esperar do governo de Daniel Noboa, presidente do Equador, que assumiu o cargo
em novembro de 2023 após eleições antecipadas. “Ele vai gradativamente rompendo
com as regras do jogo democrática para se perpetuar no pode ou para ter o
Exército e as forças militares ao seu lado”, analisa Bressan.
Quando a gente pensa Venezuela e
Guiana as coisas ficam um pouco mais delicadas, principalmente pelo Brasil,
porque uma guerra entre os países teria que passar por solo brasileiro que faz
fronteira com os dois envolvidos e os Estados Unidos não poderia simplesmente
fechar os olhos para o que está acontecendo. “Eu diria que pela primeira vez em
muito tempo a América Latina poderia estar diante de um conflito armado. Se
realmente chegar as vias de fato, isso vai mexer com a estabilidade da região
porque os EUA não ficarão de fora”, fala a professora Ana Carolina Morson. “Um
evento aqui em acabaria mobilizando as Américas como um todo”, acrescenta.
Por Sarah Américo

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