Governo do Estado anunciou a
construção de 500 apartamentos em Teresópolis.
A maior tragédia sócio ambiental
da história do Brasil completou 13 anos na quinta-feira, 11 de janeiro. Em
2011, a chuva devastou as cidades de Nova Friburgo, Teresópolis e os bairros
Madame Machado e Vale do Cuiabá em Petrópolis. Foram mais de 900 mortos e 100
desaparecidos.
Segundo a Defesa Civil do Estado
e as prefeituras, mais de 35 mil pessoas perderam as casas.
Na quinta, o Governo do Estado
anunciou o resultado da licitação para a construção de 500 moradias em
Teresópolis, no Parque Ermitage, ainda em benefício às vítimas da tragédia de
2011 ou daqueles que estejam em aluguel social.
O contrato com a empresa
vencedora ainda vai ser assinado para que a obra comece, com um investimento de
R$ 97,7 milhões. A construção da 2ª fase do complexo será na altura do Km 80 da
Rodovia Rio-Bahia, onde já vivem cerca de 7 mil pessoas.
Mas o anúncio ainda não soluciona
a situação de todos as vítimas da Região Serrana que ainda esperam receber uma
casa, mesmo 13 anos depois.
O g1 conversou
com a Maria das Graças, que perdeu uma casa no bairro Cordoeira, em Nova
Friburgo.
“Eu fui diversas vezes no
canteiro social (criado na época da tragédia) procurar os meus direitos, sempre
me pediam pra esperar. Nunca recebi o aluguel social. Fiquei por anos nessa
busca, até o dia que me disseram que eu não ganharia um apartamento no Terra
Nova [conjunto habitacional criado em Nova Friburgo para as vítimas da tragédia
de 2011]. Eu tenho documento, tenho tudo, mas até hoje, 13 anos depois, nenhuma
ajuda".
Quase 4 mil à espera de casa
Esse caso é só um dos inúmeros
exemplos de famílias que ainda vivem essa espera. A Cláudia Renata Ramos,
Presidente da Comissão das Vítimas da Tragédia da Região Serrana, acompanha a
situação de perto.
“Hoje, da tragédia de 2011, a
gente tem quase quatro mil famílias precisando de unidades habitacionais,
juntando todas as cidades que sofreram com essa tragédia sócio ambiental. Essa
Fazenda Ermitage, as 500 unidades, a gente tá aguardando desde 2018",
conta.
A presidente relatou ainda a
demora para ações quanto às mudanças climáticas.
“São 13 anos que a gente não tem
muita coisa pra comemorar, após essa tragédia, porque a gente vê, infelizmente,
que tudo vai a passos lentos. Principalmente, por causa da falta de política
pública habitacional nas cidades e um olhar diferenciado para a Região Serrana
do estado do Rio [...] com as mudanças climáticas", conclui.
Em nota, o Governo do Estado
disse ao g1 que desde a tragédia de 2011, entregou 4.372
unidades habitacionais para atender famílias de municípios da Região Serrana
afetados pelas chuvas. Para priorizar a entrega de moradia digna às pessoas
atingidas, foi recriada a Secretaria de Habitação de Interesse Social, em
janeiro de 2023.
Em um ano, ainda segundo o
Governo do Estado, a pasta entregou 153 casas para famílias de Areal, incluiu
294 moradias para Petrópolis no programa Minha Casa, Minha Vida e finalizou a
licitação para mais 500 unidades no Parque Ermitage, em Teresópolis, o que vai
zerar o Aluguel Social pago pelo estado no município.
O governo disse ainda que aguarda
a portaria do Ministério das Cidades, para municípios de até 50 mil habitantes,
para cadastrar projetos para Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto.
Já a Secretaria Estadual de
Desenvolvimento Social e Direitos Humanos disse, em nota, que o Aluguel Social
segue normas estabelecidas por decreto e resolução que norteiam os critérios
para a devida concessão. O programa visa atender municípios que decretaram
estado de calamidade pública e/ou de emergência. Atualmente, são contempladas,
aproximadamente, 141 famílias em Petrópolis, 160 em Teresópolis e 28 em Nova
Friburgo.
O benefício tem prazo inicial de
12 meses, que pode ser renovado até que a família seja contemplada com uma
unidade habitacional ou que consiga retornar para sua moradia.
São as prefeituras que encaminham
ao Estado, por meio da ficha de cadastro, as famílias que se enquadram para a
concessão do Aluguel Social.
Por Isabella Chaboudt,
g1 — Teresópolis


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