Advogado constitucionalista e
criminalista questiona o uso dos recursos para ataques com viés político;
parlamentares pedem ao Ministério Público que investigue o caso
A agência de checagens Caneta
trouxe à tona revelação sobre doações recebidas pelo Sleeping Giants
Brasil e divulgou em suas postagens os links que levam para os
endereços eletrônicos de duas fundações internacionais de suporte a movimentos
políticos ao redor do mundo. A Ford Foundation, que não tem relação
com a indústria automotiva, publica em seu site a verba aprovada em junho de
2023 de US$ 100 mil (R$ 493 mil no câmbio atual) destinada ao Sleeping Giants
Brasil. A fundação confirmou o pagamento à reportagem da Jovem Pan.
Na página que explica o programa de engajamento cívico, no qual os ativistas se
enquadraram, a Ford Foundation cita que o trabalho internacional sobre o
envolvimento cívico e governamental se dedica a proteger e a expandir o espaço
cívico em todo o mundo. Mas a atuação dos ativistas é diferente. E foi o que o
decretou a Justiça ao determinar a suspensão da campanha difamatória promovida
pelo Sleeping Giants contra o grupo Jovem Pan. No embasamento da decisão, o
juiz Adilson Araki Ribeiro, da 9ª Vara Cível do Estado de São Paulo, conclui
que “a iniciativa do Sleeping Giants Brasil não visa a transmissão de conteúdo
a fim de propagar informações de interesse público, mas, sim, depreciar a
autora perante seus patrocinadores, gerando severos abalos às suas parcerias
comerciais e prejuízos financeiros, sendo manifestamente inconstitucional”.
Já a Open Society
Foundation, mantida pelo bilionário húngaro-americano George Soros, também
fez uma grande doação para os ativistas do Sleeping Giants. Informa em sua
página principal que atua em mais de 120 países para apoiar o crescimento das
democracias inclusivas e vibrantes. Porém, em outro trecho da sentença judicial
que condena o Sleeping Giants, o juiz afirma que “a campanha contra a Jovem Pan
transcende os limites legítimos de seu direito de liberdade de expressão, não
se afigurando como uma simples crítica, mas, sim, verdadeira ofensa à imagem e
honra da autora, por meio de informações depreciativas e inverídicas”. A
fundação do filantropo húngaro-americano divulga na internet que, em 2022,
enviou US$ 400 mil (cerca de R$ 2 milhões) para a associação mantida por Mayara
Stelle, Leonardo de Carvalho Leal e Humberto Ribeiro. O pagamento também foi
confirmado pela fundação à equipe de jornalismo da Jovem Pan. Em
conversão atual, as duas doações equivalem a aproximadamente R$ 2,5 milhões.
O advogado constitucionalista
e criminalista Adib Abdouni questiona o uso dos recursos para ataques
com viés político. “Desde que esse dinheiro tenha o objetivo institucional e
atendendo requisitos necessários da instituição, e não perseguir pessoas por
ideologia política. A instituição é sem fins lucrativos, e, se tiver um viés
político, foge das suas atribuições e, consequentemente, terá uma intervenção
do Ministério Público.” O advogado da Jovem Pan, Frederico Mansur,
enfatiza que o Sleeping Giants, por se apresentar como uma entidade sem fins
lucrativos, pode ser investigado pelo Ministério Público e tem que prestar
contas à sociedade. “Com o reconhecimento da Justiça, na ação
especificamente da Jovem Pan e de outras ações, de atividades ilegais e
inconstitucionais realizadas pelo Sleeping Giants, chegou o momento de saber de
onde vem os recursos e como estão sendo alocados. Não podemos esquecer que, por
ser uma associação sem fins lucrativos, há uma isenção tributária. Associação
sem fins lucrativos não recolhe impostos. Justamente por isso, ela deve prestar
contas à sociedade e, sim, pode ser fiscalizada pelo Ministério Público, que
tem o dever legal de compreender a origem e a destinação específica desse
dinheiro. Esse dinheiro não pode ser utilizado de forma a perseguir quem pensa
diferente do Sleeping Giants. O que vem acontecendo, agora reconhecido pela
Justiça, é isso: o Sleeping Giants vem perseguindo, de forma ideológica, quem
pensa diferente.”
Depois de ignorarem o chamamento
do Congresso Nacional, os ativistas voltam à mira em Brasília. Investigar a
transparência da administração dos recursos e das ações encabeçadas por eles é
o objetivo dos parlamentares. Há em andamento um estudo na Comissão de
Comunicação do Senado, e um novo requerimento para convocação dos representantes
do grupo será protocolado na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara logo
após o recesso parlamentar. O deputado federal Kim Kataguiri (União-SP)
ressalta que a legislação brasileira é muito clara à parte que veda
financiamentos de grupos estrangeiros em entidades que possam interferir na
política nacional. “A nossa legislação proíbe qualquer tipo de financiamento
internacional em instituições que atuem no processo político eleitoral
brasileiro. Justamente por isso, com base nos levantamentos que já foram feitos
de doações internacionais recebidos pelo Sleeping Giants e do próprio histórico
de atuação político-partidário da instituição, planejo apresentar um
requerimento para que os responsáveis por essa empresa, por essa página, por
essa ONG, prestem esclarecimentos na Comissão de Fiscalização sobre esse
financiamento.”
O senador Rogério Marinho
(PL-RN) já encaminhou ofícios à Receita Federal e ao Ministério Público em que
pede celeridade nas investigações. “Para nós, é muito preocupante. Primeiro,
que esses recursos estejam sendo utilizados dentro do que a legislação
preceitou e, principalmente, qual o objetivo desse aporte tão significativo da
Fundação Ford e do George Soros, que são reconhecidos internacionalmente como
personalidades que têm o hábito de interferir na política interna de países no
mundo inteiro. Interferência, na nossa opinião, indevida, descabida. E a forma
como isso tem acontecido, essa agressividade, essa perseguição, nos parece
bastante suspeita. Por isso, nós oficiamos à Receita Federal um pedido de
investigação para verificar se há algo ilícito, alguma utilização indevida dos
recursos, bem como representamos junto ao Ministério Público Federal de São
Paulo, e também o Nacional, para que se verifique se há algum indício de
improbidade.
Derrotas do Sleeping Giants na
Justiça
Decisão da 9ª Vara Cível do
Tribunal de Justiça de São Paulo, divulgada em 10 de janeiro deste ano,
condenou o Sleeping Giants Brasil pela campanha de difamação contra a Jovem Pan
e determinou a exclusão de publicações. Segundo a decisão, assinada pelo juiz
Adilson Araki Ribeiro, a campanha difamatória ultrapassou os limites legítimos
do direito de liberdade de expressão. A consideração central é que a campanha
não se restringe a uma mera crítica, mas constitui uma verdadeira afronta à
imagem e à honra da empresa, utilizando afirmações depreciativas e falsas. Para
o magistrado, a iniciativa #desmonetizajovempan associa injustamente a empresa
de mídia a atos antidemocráticos e à disseminação de discurso de ódio, sem
apresentar evidências que corroborem tais declarações. Além disso, a decisão
observa que a atuação do grupo diverge de seu suposto propósito, manchando a
democracia e prejudicando a circulação de informações e o livre debate político
ao afirmar que a autora apoia conscientemente atos golpistas contra a
democracia brasileira.
Na sentença, o magistrado
ressalta que a iniciativa do Sleeping Giants Brasil não visa compartilhar
conteúdo de interesse público, mas, sim, depreciar a empresa perante seus patrocinadores,
ocasionando danos significativos às suas parcerias comerciais e prejuízos
financeiros, o que é considerado inconstitucional. Portanto, o juiz condenou o
grupo ativista digital a interromper a campanha contra a Jovem Pan, excluir os
grupos no WhatsApp criados com o intuito de difundir a campanha difamatória,
sob multa diária de R$ 1.000, além de indenizar a empresa em R$ 20 mil e arcar
com as custas processuais. De maneira análoga, a ação também impõe às empresas
Facebook e Twitter a obrigação de eliminar os conteúdos difamatórios vinculados
pelo Sleeping Giants Brasil em suas plataformas digitais, incluindo publicações
no Instagram, sob pena de multa diária de R$ 1.000.
Anteriormente, a Justiça de São
Paulo já havia deliberado, em decisão unânime, que a campanha difamatória é
ilegal e deveria ser cessada imediatamente. Os desembargadores ainda reverteram
uma decisão anterior que suspendia o processo movido pelo grupo de mídia contra
o Sleeping Giants Brasil por um período de um ano. Além disso, os
ativistas sofreram uma significativa derrota judicial em disputa contra as big
techs, em julho. O magistrado Marcelo Augusto de Oliveira, da 41ª Vara
Cível de São Paulo, ordenou o encerramento de uma ação movida pelos ativistas
contra Google, Telegram, Twitter, Facebook e Spotify. O grupo pleiteava
retratações das gigantes de tecnologia por suposta manipulação de buscas e da
opinião pública em postagens contrárias ao PL das Fake News. Em sua sentença, o
juiz expressou que o Sleeping Giants “não detém autoridade para falar em nome
dos interesses públicos e dos consumidores, devido à sua atuação com intenção
ideológica e viés político próprio”.
Por Jovem Pan

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