Norte-americanos realizaram ao
menos cinco ofensivas contra os rebeldes apoiados pelo Irã; Casa Branca voltará
a classificá-los como rebeldes no dia 16 de fevereiro, com objetivo de cortar o
financiamento do grupo
O presidente dos Estados
Unidos, Joe Biden, disse, nesta quinta-feira, 18, que os
ataques contra o grupo rebelde houthis,
aliados do Irã,
vão continuar mesmo que não consiga deter a ofensiva contra os navios no Mar
Vermelho. “Os ataques estão impedindo os Houthis? Não. Eles vão continuar?
Sim”, disse Biden antes de embarcar no Força Aérea Um, avião da Presidência dos
EUA, para deixar a Casa Branca. Nesta quinta, os EUA anunciaram que atacaram
mais uma vez mísseis do grupo rebelde, como já havia feito na noite de
quarta-feira. John Kirby, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional,
declarou: “Fizemos de novo esta manhã, atacando mísseis […] que acreditamos que
estavam prontos para serem lançados ao Mar Vermelho.”
Esse é o quinto ataque que os Estados Unidos realizam contra os rebeldes desde
que eles começaram a revidar os ataques contra embarcações comerciais. Cerca de
12% do comércio marítimo global passa, em tempos normais, pelo Estreito de Bab
al Mandeb, que controla o acesso ao sul do Mar Vermelho. No entanto, desde
meados de novembro, a quantidade de porta-contêineres caiu 70%, segundo
especialistas do setor.
Em meio ao risco de uma escalada
regional em torno de Israel e Hamas, os
ataques dos Estados Unidos acontecem horas depois de Washington classificar,
mais uma vez, os rebeldes iemenitas como um grupo “terrorista”. “Esses ataques
são uma definição clássica de terrorismo”, disse uma das autoridades, que
insistiu que, em vez de uma mudança generalizada de atitude por parte dos
houthis, o que os EUA estão buscando é a cessação dos ataques no mar Vermelho
devido à sua importância para o comércio internacional. A classificação dos
houthis como terroristas vai entrar em vigor no dia 16 de fevereiro, mas
autoridades americanas garantiram, em ligação com jornalistas, que os EUA
“considerarão” suspendê-la se os houthis cessarem seus ataques no mar Vermelho.
O governo presidido por Joe Biden optou por listar o grupo rebelde como
“Terrorista Global Especialmente Designado” (SDGT, na sigla em inglês), em vez
de uma “Organização Terrorista Estrangeira” (FTO) porque as sanções impostas
são mais leves.
Os EUA buscam “cortar o
financiamento” dos houthis por meio do sistema financeiro internacional sem
impedir o fluxo de alimentos – o Iêmen importa
90% de seus alimentos -, medicamentos e ajuda humanitária para as áreas sob seu
controle. Por exemplo, a designação SDGT não implica em sanções para
aqueles que fornecem “apoio material” aos houthis, nem prevê proibições de
viagem, como faz a listagem FTO. O ex-presidente Donald Trump (2017-2021)
designou os houthis como “terroristas” em uma de suas últimas decisões como
presidente, mas o governo presidido por Joe Biden rescindiu a medida pouco depois
de chegar à Casa Branca, para não agravar a crise humanitária no Iêmen. Há
anos, as Nações Unidas consideram a situação no Iêmen a maior crise humanitária
do planeta.
Apoiados pelo Irã, os huthis
afirmam agir apenas contra barcos israelenses ou vinculados com este país, em
“solidariedade” aos palestinos da Faixa de Gaza no âmbito da guerra entre
Israel e Hamas. Junto com o Reino Unido, os Estados Unidos lideram a
resposta internacional a esses ataques, com o apoio adicional de Austrália,
Bahrein, Canadá e Países Baixos. A Dinamarca, sede do gigante logístico
Maersk, que interrompeu temporariamente o trânsito no Mar Vermelho, anunciou
hoje que quer se juntar à coalizão. Um responsável militar huthi disse à
emissora ‘Al Masirah’ que o grupo continuaria “atacando barcos
israelenses que se dirijam aos portos da Palestina ocupada, sem importar o que
os agressores americanos e britânicos tentem fazer para impedi-lo”. Os rebeldes
também declararam como “alvos legítimos” os interesses americanos e britânicos
na região. Na semana passada, Estados Unidos e Reino Unido atacaram quase 30
posições no Iêmen.
*Com informações das agências
internacionais

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