Ex-presidente dos EUA Donald Trump faz uma declaração ao chegar para testemunhar durante seu julgamento na Suprema Corte do Estado de Nova York. David Dee Delgado / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
Republicano disse que
investigação se trata de uma ‘guerra política’ e voltou a atacar a
procuradora-geral que exige uma multa de US$ 250 milhões (R$ 1,2 bilhão na
cotação atual)
O ex-presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, depões nesta segunda-feira, 6, em Nova
York, em processo sobre fraude. Ele é acusado de inflar o valor de seus ativos
para beneficiar seu império imobiliário, em um dos muitos casos que podem
afetar sua pretensão de voltar à Casa Branca no próximo ano. “É uma guerra
política”, disse o republicano ao entrar no tribunal. O bilionário, de 77 anos,
chegou às 10h (12h em Brasília) ao tribunal no sul de Manhattan e, à imprensa,
voltou a atacar a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, que exige uma
multa de US$ 250 milhões (R$ 1,2 bilhão na cotação atual), contudo, não estão
sujetios a prisão. Tanto a procuradora-geral quanto o juiz responsável pelo
caso são regularmente alvo da ira do republicano desde o início desse
julgamento no início de outubro. Desde então, o ex-presidente já chamou Engoron
de “desequilibrado” e de “agente democrata, da esquerda radical, que odeia
Trump”. O magistrado impôs duas multas a Trump, US$ 5.000 e US$ 10.000 (R$ 24,5
mil e R$ 49 mil na cotação atual), ao determinar que o empresário violou uma
ordem de silêncio imposta depois de atacar o escrivão do juiz nas redes
sociais.
Em trechos da primeira
declaração, ele qualifica o processo como “a maior caça às bruxas da história
do país” e afirma que a procuradora-geral do Estado de Nova York, Letitia
James, está “fora de controle”. “No final, a única coisa que importa são os
fatos e os números. E os números, meus amigos, não mentem”, disse James, nesta
segunda, ao chegar à corte. Trump compareceu à Justiça duas vezes por este
caso: em 10 de agosto de 2022 e em 13 de abril deste ano. Esse processo não
terá júri, e destino do ex-presidente será decidido pelo juiz. Este caso é
apenas um dos muitos problemas jurídicos do ex-presidente que, conforme as
pesquisas de intenção de voto, é o favorito para se tornar o candidato
republicano à eleição presidencial de 2024. Até agora, dois de seus filhos
testemunharam: Donald Jr. e Eric, executivos da Trump Organization, um
conglomerado que administra arranha-céus, hotéis de luxo e clubes de golfe em
todo o mundo.
Antes dos argumentos iniciais,
Engoron decidiu que o gabinete da procuradora-geral havia apresentado
“evidências conclusivas” de que Trump exagerou seu patrimônio líquido em
documentos financeiros, entre US$ 812 milhões e US$ 2,2 bilhões entre 2014 e
2021 (R$ 3,9 bilhões e R$ 10,7 bilhões na cotação atual). Como resultado,
o juiz ordenou a liquidação das empresas que administravam os ativos em
questão, como a Trump Tower e os 40 arranha-céus de Wall Street, em Manhattan,
além da propriedade Seven Springs, nos arredores da cidade. Os advogados
de Trump rejeitam as acusações de fraude, argumentando que as avaliações
imobiliárias são subjetivas e que os bancos que concedem empréstimos à
organização não perderam dinheiro. No processo, Engoron também deverá se
pronunciar sobre se outros crimes financeiros foram cometidos, assim como sobre
qualquer outro tipo de multa.
Na sexta-feira, 3, Eric Trump,
filho do republicano, concluiu sua audiência no julgamento por fraude contra a
empresa da família e garantiu que seu pai estava “entusiasmado” para prestar
seu depoimento. “Não fizemos absolutamente nada de errado”, disse aos
jornalistas. “Temos uma companhia muito melhor do que jamais poderiam
imaginar”, assegurou. Eric Trump, de 39 anos, e seu irmão mais velho Donald
Jr., de 45, são vice-presidentes-executivos da Organização Trump, um
conglomerado de empresas que administra edifícios residenciais, arranha-céus de
escritórios, hotéis de luxo e campos de golfe em todo o mundo. Os dois
adotaram basicamente a mesma linha de defesa: que os estados financeiros da
empresa, que segundo as autoridades foram fraudados, foram elaborados por
contadores e que confiavam plenamente neles.
Cada vez que Trump vai aos
tribunais, ele aproveita a situação, diante da presença numerosa de meios de
comunicação, para se apresentar como vítima do que considera um complô
democrata para prejudicar sua campanha à presidência. Sua filha Ivanka
Trump, que deixou a organização da família em 2017 para se tornar sua assessora
principal na Casa Branca, também foi intimada a depor, apesar de não ter sido
indiciada neste caso. Ela recorreu dessa intimação, mas o recurso foi rejeitado
e é possível que seja convocada a partir da próxima quarta. O julgamento
civil por fraude é uma das várias frentes que Trump enfrenta na Justiça
americana em sua tentativa de recuperar a presidência. Em março, será julgado
em Washington por conspirar para anular os resultados das eleições de 2020. Em
maio, responderá na Flórida por acusações de manuseio indevido de documentos
governamentais de alto sigilo. O republicano também foi indiciado por
conspirar para alterar os resultados eleitorais no estado da Geórgia, após sua
derrota para o democrata Joe Biden em 2020.
Por Jovem Pan
*Com informações da AFP

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