Caso de caminhoneiro sob efeito de rebite que provocou acidente no Piauí
reforça importância de manter o exame toxicológico em dia
Na segunda-feira, 17 de julho, um
caminhoneiro sob efeito de anfetamina, droga conhecida popularmente como
“rebite”, foi preso pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) após provocar um
acidente no km 204 da BR-316, em Valença do Piauí. O sinistro envolveu um carro
de passeio, que tombou após ser atingido pelo motorista que, além dos
comprimidos de rebite, tinha vestígios de ter usado cocaína.
O caminhoneiro parou no posto da PRF na BR-316 (PI) e alegou estar sendo
perseguido. Os policiais perceberam o comportamento típico de quem estava sob
efeito de drogas e encontraram os indícios no veículo. Logo foram alertados por
um motociclista de que um carro tombou fora da pista. Os policiais socorreram
os cinco ocupantes do veículo e ouviram o relato das vítimas, confirmando que
um caminhoneiro tinha comportamento estranho na pista e que, ao ultrapassá-lo,
foram jogados para fora dela.
Em seguida, o caminhoneiro foi preso e os policiais confirmaram pelo
cronotacógrafo do veículo que não havia o registro obrigatório de descanso nas
24 horas anteriores. Vale destacar que o uso de drogas por motoristas
profissionais está associado diretamente ao excesso de jornada. A droga
predominante, em 70% dos casos, é a cocaína, ao contrário do que ocorria no
passado.
Presidente da ABEAD afirma que todas as drogas afetam o corpo humano: “Não
existe consumo de droga isento de riscos. Não podemos dizer que existem drogas
mais ou menos perigosas ao dirigir.”
Para a psiquiatra e presidente da ABEAD, Associação Brasileira De Estudos do
Álcool e Outras Drogas, Alessandra Diehl, a combinação entre drogas e direção
tem impacto relevante na segurança dos motoristas e demais envolvidos,
aumentando o risco de lesões e sinistros de trânsito. “Dirigir sob a influência
de drogas aumenta o risco de acidentes fatais, expondo a vida de terceiros.
Inclusive de alucinações ao volante”, explica.
Fiscalização do exame toxicológico foi suspensa até 28/12
Segundo dados da Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) cerca de 11,5
milhões de condutores das categorias C, D e E, habilitados para dirigir
caminhões, vans, ônibus e carretas, são obrigados a fazer o exame toxicológico
a cada 30 meses. Desses, pelo menos 4 milhões não cumpriram o exame que detecta
uso regular de drogas nos últimos 90 dias.
O SOS Estradas estima que pelo menos dois milhões desses condutores são
usuários de drogas, dados compatíveis com pesquisas realizadas pelo Ministério
Público do Trabalho e outras fontes. Motoristas dirigindo veículos pesados,
transportando dezenas de passageiros e toneladas de carga, colocam em risco a
vida de milhões de brasileiros diariamente.
Neste cenário, são muitos os casos de motoristas dessas categorias que desafiam
a lei e continuam circulando com a sensação de impunidade devido ao adiamento
da fiscalização do exame nas rodovias federais para 28 de dezembro, já que não
foi realizado o escalonamento previsto na lei 14.599/23, aprovada recentemente
no Congresso.
Quando dirigem sob efeito de drogas podem ter alucinações, em que acreditam
estar sendo perseguidos, como ocorreu no caso relatado pela PRF do Piauí. No
caso específico, felizmente não foi registrada nenhuma vítima fatal.
Exame toxicológico periódico deve fazer parte do debate como forma de
prevenção do uso de substâncias psicoativas
Uma das principais maneiras de dar fim ao uso de drogas por motoristas
profissionais é a realização periódica do exame toxicológico, exigido desde 2016,
quando foi aprovada a Lei 13.103/2015, conhecida como a Lei do Caminhoneiro.
No dia 3 de julho deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) também votou por
unanimidade a constitucionalidade da exigência do exame toxicológico. Ou seja,
é direito do empregador, do empregado e da autoridade de trânsito exigir o
teste, responsável por detectar o uso de diversos tipos de substâncias
psicoativas e que podem causar o aumento de acidentes nas ruas e estradas.
“O exame salva vidas, uma vez que garante que o profissional não faz uso de
entorpecentes que comprometam a execução plena e segura de sua atividade”, diz
Renato Borges Dias, presidente da ABTox, Associação Brasileira de Toxicologia.
Sobre a ABTox
A Associação Brasileira de Toxicologia (ABTox) surgiu em prol do uso da
tecnologia e conscientização para salvar vidas no trânsito e atua em conjunto
com órgãos públicos e privados. A ABTox é formada pelos quatro principais
laboratórios nacionais de Exame Toxicológico de Larga Janela Detecção
credenciados pelo Denatran: CAEPTOX, DB Toxicológico, LABET, Toxicologia
Pardini.
Sobre a ABEAD
A Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (ABEAD) é uma
associação que congrega profissionais que trabalham no campo da dependência
química no Brasil, com afiliados e representações no país e no exterior. Com
psiquiatras, assistentes sociais, enfermeiros, psicólogos, advogados, líderes
comunitários, consultores, professores, entre outros associados, a ABEAD
oferece uma vasta variedade de perspectivas e uma troca de experiências
dinâmica e atualizada. Caracteriza-se por ser uma entidade profissional sem
fins lucrativos, que zela pela ética e pelo alto padrão científico na
divulgação da área e da prática clínica dos profissionais associados.
http://dlvr.it/SsvMmH
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