De acordo com a denúncia, Luiz
Eduardo Francisco da Silva, o Dudu (MDB), chegou a apontar um fuzil para o
também vereador Léo França (PSB) exigindo R$ 2 milhões para que ele e o
prefeito não fossem alvos da Polícia Civil.
O Tribunal de Justiça do Rio de
Janeiro (TJRJ) tornou réus o vereador de Petrópolis Luiz
Eduardo Francisco da Silva, o Dudu (MDB), o chefe do setor
de inteligência da 105ª DP (Petrópolis), Bruno César Salerno, e Guilherme
Gonçalvez Vicente Moreira por extorsão mediante associação criminosa.
Segundo a denúncia do MPRJ,
aceita pela Justiça, Dudu, Salerno e Gonçalvez exigiram R$ 2 milhões do
prefeito Rubens
Bomtempo (PSB) e do vereador Léo França (PSB) para
que não fossem investigados num suposto desdobramento da Operação
Clean. Em uma das ameaças, Dudu teria apontado um fuzil para Léo.
A Operação Clean mirou
um suposto esquema de desvio de recursos públicos após as
chuvas que devastaram a cidade em fevereiro de 2022.
A denúncia do Grupo de Atuação
Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) foi apresentada ao juiz da
1ª Vara Criminal e Juizado Especial Criminal e da Violência Doméstica e
Familiar contra a Mulher de Petrópolis, Afonso Henrique Castrioto Botelho, que
a aceitou.
O suposto esquema de extorsão
Léo França foi presidente da
Companhia Municipal de Desenvolvimento de Petrópolis (Comdep) e se elegeu
vereador em 2020.
Segundo o MPRJ, Dudu primeiro
procurou Bomtempo e afirmou que ele e Léo seriam alvos de uma fictícia
segunda fase da Operação Clean, por causa de supostas fraudes na Comdep. Para
que não fossem investigados, exigiram R$ 2 milhões.
A denúncia narra um segundo
encontro, desta vez entre Gonçalvez e Bomtempo. O homem teria dito ao prefeito
que tinha “um primo lotado na 105ª DP” que poderia manipular os inquéritos,
desde que pagassem os R$ 2 milhões.
Houve ainda um terceiro episódio
de ameaça, de acordo com o MPRJ. O trio levou Léo até um condomínio de
luxo, onde Gonçalvez “retirou um fuzil do armário” e o entregou a Dudu,
“que o apontou em direção à vítima”.
Computadores e documentos
apreendidos na Operação Clean, em agosto de 2022 — Foto: Divulgação/Polícia
Civil
O que dizem os envolvidos
O prefeito de Petrópolis informou
que “o crime de extorsão se iniciou horas após a deflagração da Operação Clean”
e que “os três réus tiveram acesso aos celulares apreendidos e passaram a
abordar as vítimas com a ameaça de instauração de inquéritos, ainda que não
houvesse motivo real para tanto”.
O vereador Léo França disse que
protocolou a denúncia em agosto de 2022. Ele destacou que tem “profundo
respeito pela Justiça”.
“Não posso me calar diante de um
grupo que tenta a todo custo fazer politicagem, desestabilizar e
descredibilizar o trabalho e a minha luta pelo povo de Petrópolis”, afirmou.
O advogado Gabriel Miranda, que
defende o vereador Dudu, disse que a defesa “nega veementemente as acusações”.
“Não tivemos acesso à denúncia. A descrição dos fatos é contraditória à vida
pública do vereador Luiz Eduardo. Tão logo tivermos acesso (aos autos), iremos
nos manifestar de maneira apropriada no processo”, destacou Miranda.
Procurada, a Câmara Municipal de
Petrópolis disse que ainda "não foi notificada sobre a investigação e, até
o momento, não teve acesso ao procedimento". A instituição não informou se
o vereador será investigado no Conselho de Ética da casa.
A Polícia Civil ainda não
comentou o caso. O g1 tenta
contato com Salerno e Gonçalvez.
Por Rafael Nascimento, g1 Rio

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