Investigação da Polícia Federal
solicitou contatos de participantes de grupos com conteúdos de extremismo
ideológico que podem ter ligações com ataques a duas escolas na
cidade de Aracruz (ES)
Na última semana, a Polícia Federal solicitou
que o Telegram compartilhasse
dados da plataforma sobre grupos neonazistas, como parte da investigação de
ataques recentes a escolas. Após o aplicativo falhar em enviar as informações,
a Justiça determinou que ele fosse retirado do ar. A PF informou que empresas de
telefonia serão notificadas sobre a suspensão do Telegram ainda nesta
quarta-feira, 26. O aplicativa de mensagem chegou a encaminhar parcialmente os
dados solicitados pela PF na última sexta-feira, 21. Contudo, ficaram de fora
os números de telefones de integrantes e administradores de um grupo com
conteúdo neonazista, e o Telegram não forneceu os números de telefone. Além de
ficar fora do ar, a Justiça determinou uma multa de R$ 1 milhão para cada dia
que a plataforma demore para entregar as informações. A solicitação dos dados
ocorreu após uma investigação indicar que o autor dos ataques à duas
escolas na cidade de Aracruz participava
de grupos com conteúdos de extremismo ideológico pelo Telegram. Os ataques
acontecem em 25 de novembro de 2022 e deixaram quatro mortos e outros três
feridos que ainda estão internados.
Em meio a ações do governo para
garantir a segurança nas escolas, o ministro da Justiça e Segurança
Pública, Flávio Dino,
afirmou que existem redes criminosas incentivando a violência escolar no Brasil
e que os casos recentes representam um epidemia nacional. “Quando nós olhamos
uma situação em que há 225 prisões ou apreensões, isso permite de modo muito
eloquente e cabal dimensionarmos que não são casos isolados, na verdade, é uma
rede criminosa”, afirmou o ministro. O monitoramento nas redes já fez com
que a polícia realizasse 270 buscas de apreensões e colheu desde armas a
materiais de inspiração neonazistas. O ministro Dino também mencionou que há
decisões judiciais relacionadas às plataformas digitais. Com exceção do
Telegram, todas as plataformas teriam respondido à notificação do Ministério da
Justiça sobre o monitoramento de ameaças relacionadas a escolas. Caso não haja
uma resposta, a plataforma poderá até ter as atividades suspensas no território
nacional. “Este que não respondeu está sujeito à continuidade do processo
administrativo, que, de acordo com a lei, poderá leva à aplicação de sanções.
Não podemos afirmar o desfecho do processo, mas ele seguirá”, pontuou.
Acompanhado de Dino, o diretor-geral da Polícia Federal, o delegado Andrei
Augusto, visitou o centro de monitoramento e agradeceu o empenho dos agentes.
De acordo com dados da central, mais de 2.500 boletins já foram lavrados desde
o dia 5 de abril.
Por Jovem Pan

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