Protestos desencadeados pela morte de uma jovem levada pela polícia da moral já duram três semanas e ainda não houve conversa entre o governo e os manifestantes
As manifestações no desencadeadas
pela morte de uma jovem levada pela polícia da moral chegou em uma nova
escalada. Estudantes iranianas confrontaram as autoridades do país e
protestaram no pático do colégio, muitas delas sem o véu, que é obrigatório no
país, e gritando palavras de ordem contra o governo. Em vídeos que circulam
pelas redes sociais, é possível ver meninas jovens com a cabeça à mostra
gritando “morte ao ditador”, em alusão ao guia supremo Ali Khamenei, na segunda-feira,
3, em uma escola de Karaj, ao oeste da capital Teerã. Outro grupo gritava
“Mulher, vida, liberdade”, enquanto se manifestava na rua. “São cenas
verdadeiramente extraordinárias. Se essas manifestações conseguirem algo, será
graças a essas estudantes”, declarou Esfandyar Batmanghelidj, do portal de
informação e análise Bourse&Bazaar.
Mais uma cena impensável de se ver no Irã há apenas umas poucas semanas: uma mulher (sem a hijab sobre a cabeça) virando um quadro dos Aiatolás Khomeini e Khamenei, por trás podemos ler "Mulher, Vida, Liberdade". A sociedade iraniana nunca esteve tão revoltada como agora. pic.twitter.com/RVcUoKyzL4
— Hoje no Mundo Militar (@hoje_no) October 5, 2022
Os protestos no Irã começaram
no dia 16 de setembro, após a morte de Mahsa Amini, 22 anos. Ao menos 92
pessoas morreram desde 16 de setembro, segundo a ONG Iran Human Rights (IHR),
com sede na Noruega. Por sua vez, as autoridades iranianas informaram 60
mortos, incluindo 12 agentes de segurança. Essas são as manifestações mais
importantes desde 2019, quando o Irã se posicionou contra o aumento do preço da
gasolina. Até agora, mais de mil pessoas foram detidas e 620 já foram
libertadas, segundo as autoridades. Desde o início do movimento de protesto, o
governo iraniano intensificou a repressão prendendo os apoiadores das revoltas
mais prominentes e impondo duras restrições ao acesso às redes sociais.
Além da morte de Amini, outra vem
chamando atenção e ganhando destaque. Segundo as informações que circulam nas
redes sociais, a jovem Nika Shahkarami foi morta pelas forças de segurança
durante as manifestações. A violenta repressão das manifestações no Irã gerou
uma onda de condenação em todo o mundo e manifestações em apoio às mulheres
iranianas em uma dezena de países. Algumas das principais atrizes francesas,
incluindo Juliette Binoche e Isabelle Huppert. “Pela Liberdade”, disse Binoche
enquanto cortava um enorme punhado de seu cabelo ruivo e o segurava para a
câmera. Depois que Estados Unidos e Canadá anunciaram sanções, a União Europeia
anunciou na terça-feira a intenção de impor “medidas restritivas” para
protestar “pela forma em que as forças de segurança responderam às
manifestações”. O ministro das Relações Exteriores, Hossein Amir Abdollahian,
alertou a UE que pode esperar “ação recíproca”.
Uma cena inimaginável há poucas semanas: garotas em uma escola no Irã arrancando os seus hijabs e gritando: "morte aos ditadores, fim da ditadura". O regime teocrático dos aiatolás reconhece essa ameaça e está atacando os protestos c/mão pesada. +130 mortos até agora. pic.twitter.com/OsmaTuHezU
— Hoje no Mundo Militar (@hoje_no) October 4, 2022
O Irã acusa as forças
estrangeiras de atiçar os protestos. Em seus primeiros comentários públicos
desde a morte de Mahsa Amini, o guia supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei,
acusou na segunda-feira os principais inimigos do Irã, Estados Unidos e Israel,
de terem fomentado os incidentes. Nesta quarta-feira, o Irã convocou, pela
segunda vez, o embaixador britânico Simon Shercliff para expressar seu protesto
pela “interferência” do Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido em
assuntos internos do país, por suas críticas à forma em que as autoridades
reagem aos protestos. O Irã acusou inimigos, incluindo os Estados Unidos, de
orquestrar os atos, que marcam o maior desafio aos governantes clericais do
país em anos, com manifestantes pedindo a queda da República Islâmica.
Por Jovem Pan
*Com informações da Reuters e AFP

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