Alto-comissário das Nações Unidas
saiu em turnê pela China para disseminar a propaganda de Pequim
No mês passado, os humanitários
se revoltaram quando Michelle Bachelet, alto-comissário da Organização das
Nações Unidas (ONU) para os direitos humanos, saiu em turnê pela China, para
disseminar a propaganda de Pequim.
Para quem luta pela liberdade em
Cuba, a atuação do alto-comissário não foi uma surpresa. Durante a Guerra Fria,
Bachelet estava do lado dos soviéticos e é uma admiradora da revolução cubana.
“Vamos encerar a realidade”, advertiu Mary Anastasia O’Grady, em artigo
publicado no The Wall Street Journal. “Os direitos humanos não
são coisas dela.”
Segundo o portal Axios,
a ex-presidente do Chile elogiou as políticas de controle de opinião sobre a
cidade de Xinjiang, onde o regime deteve cerca de 1 milhão de uigures e outras
minorias. “Bachelet descreveu as políticas da China como uma forma de
‘contraterrorismo’, destinada a combater atos violentos de extremismo”,
escreveu a colunista. “Ela também se referiu às instalações de detenção em
massa como ‘centros de treinamento vocacional e educacional’, o eufemismo do
governo para os campos.”
Não é a primeira vez que Bachelet
fica do lado dos totalitários. A socialista chilena, que escolheu viver na
Alemanha Oriental de 1975 a 1979 e a descreveu como uma experiência “bela”, é
uma discípula dedicada de Fidel Castro. Em 2019, Bachelet fez uma peregrinação
em Cuba para se sentar aos pés do velho tirano. Em 2016, quando “El Comandante”
morreu, Bachelet tuitou que Fidel havia sido “um líder pela dignidade e pela
justiça social em Cuba.”
Em aproximadamente quatro anos no
cargo mais alto de direitos humanos na ONU, seus raros protestos contra o
regime cubano foram, na melhor das hipóteses, tímidos. A declaração dela
emitida depois da revolta de 11 a 12 de julho de 2021 contra o estado policial
é um exemplo disso.
“A internet estava cheia de
vídeos de civis desarmados sendo espancados e alvejados em cidades e vilas por
seguranças estatais paramilitares”, lembrou Mary. “No entanto, Bachelet chamou
as ações da ditadura de um ‘suposto uso de força excessiva’. Milhares foram
levados para a prisão, enquanto amigos e familiares procuravam freneticamente
pelas vítimas. Bachelet disse que alguns detidos foram ‘supostamente mantidos
incomunicáveis’. Ela sugeriu um ‘diálogo’ entre a ditadura e a população
impotente.”
Enquanto Bachelet pedia a
libertação dos detidos, também culpava as sanções dos Estados Unidos pelas
dificuldades da ilha. No entanto, nunca mencionou o bloqueio interno de Cuba ao
próprio povo — a causa da terrível pobreza. Esse não é um ponto menor. Em vez
disso, expõe suas prioridades.
“A ditadura é um símbolo do
sucesso antiamericano porque sobreviveu a décadas de oposição dos Estados
Unidos”, observou a colunista. “Aos olhos da esquerda internacional, isso a
torna heroica e exige que seja protegida a todo custo. Os bravos inconformistas
da sociedade civil cubana, que o regime está determinado a extirpar, são apenas
danos colaterais em uma guerra mais ampla contra os valores do Ocidente.”
A qualquer momento, Havana deve
anunciar vereditos nos julgamentos a portas fechadas do artista Luis Manuel
Otero Alcántara e do rapper Maykel “Osorbo” Castillo. Os dois
homens fazem parte do Movimento San Isidro de Havana, fundado para resistir
pacificamente à censura do governo às artes.
Castillo é coautor do hino
dissidente Patria y Vida, que ganhou dois Grammys Latinos em
novembro. “Ele não pôde aceitar os prêmios em Las Vegas porque está preso em
Cuba há mais de um ano”, disse a colunista. “Otero Alcántara, várias vezes
preso arbitrariamente, está preso desde julho. Seus julgamentos terminaram em
maio. Castillo pode pegar até dez anos de prisão. Otero Alcántara pode ser
sentenciado a sete anos.”
Centenas de outros participantes
dos protestos do ano passado estão definhando nas masmorras cubanas por crimes
como desrespeito, desordem pública e desobediência. A organização não
governamental Cubalex documentou a prisão de quase 1,5 mil pessoas depois das
marchas de julho. Mais de 700 delas continuam presas. Dos 700 cidadãos que não
estão atrás das grades, nem todos estão livres. Parte deles está em liberdade
sob fiança ou em prisão domiciliar. O paradeiro de 34 pessoas ainda é
desconhecido.
“Dois meses depois do levante, um
relatório global sobre os direitos humanos divulgado pelo escritório de
Bachelet omitiu Cuba da lista”, afirmou Mary. “A Cubalex observou em um tuíte
que não houve uma única menção ao que está acontecendo hoje na ilha: a
repressão, a crise sanitária, a crise alimentar e as constantes violações dos
direitos humanos.”
Como observa a colunista, é
difícil evitar a conclusão de que as simpatias do alto-comissário são dedicadas
aos opressores, seja em Cuba seja na China. “Se a ONU busca credibilidade,
Bachelet precisa sair”, concluiu Mary.

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