Deputados dizem que condenação
‘foi um erro’ e falam em morte da Justiça: ‘Dia de luto’; adversários mencionam
‘decisão pedagógica’ e criticam ‘bravatas’ do parlamentar
A decisão da maioria do Supremo
Tribunal Federal (STF) de
condenar o deputado federal Daniel
Silveira repercutiu entre apoiadores e adversários políticos. O
deputado federal Sanderson (PL), vice-líder do governo na Câmara, disse que a
Suprema Corte “rasgou a Constituição”. “Acompanhamos estarrecido a decisão do
STF, que praticamente rasgou a Constituição Federal, colocando um
deputado federal, em pleno exercício do seu mandato, uma pena que na nossa
visão é absolutamente ilegal, desproporcional”, disse nesta quarta-feira, 20.
Para o deputado Coronel Tadeu (PL), a condenação “foi um erro” que
ficará na história do direito brasileiro. “Ele foi julgado por crimes contra a Lei de
Segurança Nacional, que nem existe. Foi condenado de forma errada. Um
deputado federal jamais poderia ser preso e jamais deveria ter sido submetido a
nenhuma cautelar. Tudo está absolutamente errado”, afirmou.
A também deputada federal Carla
Zambelli (PL), usou as redes sociais para se manifestar sobre a decisão,
ressaltando os votos dos ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça, ambos
indicados ao STF pelo presidente Jair Bolsonaro. “Quem diria que Kassio Nunes
acertaria e André Mendonça erraria tanto”, afirmou no Twitter. Ela ainda
complementou: “Dia de luto, morreu a Justiça”. A deputada federal Bia Kicis
(PL) comparou o julgamento ao do ex-presidente Lula. “O STF forma
maioria pela condenação de Daniel Silveira. Como se tratasse de um processo
válido e não nulo desde a origem. Para o Lula sobraram garantistas e filigranas
processuais. Para Daniel, acreditam que houve o devido processo legal?”,
questionou.
No entanto, não foram apenas os
apoiadores de Daniel Silveira que se manifestaram após a decisão. Entre os
adversários políticos, o clima foi de comemoração pela decisão, considerada
“pedagógica”. “O fascismo aqui não vai se criar e a democracia vai
prevalecer. Criminosos não é candidato”, afirmou Gleisi Hoffmann (PT). Por
sua vez, a deputada federal Joice Hasselmann (PSDB) pontuou voto de Kassio
Nunes, que justificou as falas de Silveira como apenas bravatas. “Sabemos que
bravatas podem até se tornar realidade. As bravatas de Trump levaram à invasão
do Capitólio e deixaram cinco mortos”, afirmou. Segundo o advogado especialista
em direito eleitoral, Alberto Rollo, mesmo com a decisão do Supremo Tribunal
Federal, Daniel Silveira ainda tem a possibilidade de conseguir terminar seu
mandato. “Diria que o acórdão deve ser publicado no meio de maio e depois o
ministro Fux vai marcar outro julgamento, sempre falando na hipótese de
existirem embargos. Diria que existe uma possibilidade inclusive dele terminar
este mandato. Isso só não vai acontecer se Fux pautar esse julgamento de embargos
rapidamente”, explicou.
Por Jovem Pan
*Com informações do repórter
Victor Hugo Salina

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