
Gerd Altmann | Pixabay
O governo do
ditador Xi Jinping lançou um aplicativo que oferece aos cidadãos uma ferramenta
para dedurar ao Estado quando alguém publica comentários online críticos ao
Partido Comunista Chinês (PCC).
O novo serviço,
um produto desenvolvido pela Administração do Ciberespaço da China, permitirá –
a fim de estabelecer um “bom ambiente de opinião pública” – que internautas
denunciem pessoas que espalham “opiniões equivocadas”, segundo o jornal
britânico The Independent.
“Por um tempo,
algumas pessoas com segundas intenções espalharam declarações falsas
historicamente niilistas online, maliciosamente distorcendo, caluniando e
negando a história do Partido, nacional e militar em uma tentativa de confundir
o pensamento das pessoas”, afirmou a Administração do Ciberespaço da China, em
sua declaração oficial sobre a nova ferramenta.
“Esperamos que
a maioria dos usuários da Internet desempenhe um papel ativo na supervisão da
sociedade e denuncie com entusiasmo informações prejudiciais”, acrescentou.
O PCC usa o
termo “niilismo histórico” para descrever aqueles que publicamente lançam
dúvidas sobre a classe política dominante do governo.
Robert P.
George, um acadêmico de Direito e professor da Universidade de Princeton, no
Estados Unidos, disse na terça-feira (27) que teme a reverberação da ideia em
solo americano.
“Infelizmente,
é provável que haja uma grande demanda por este aplicativo nos Estados Unidos.
Que [baita] ferramenta para a polícia do pensamento – e da fala – em
todos os lugares”, escreveu o estudioso em seu Twitter.
Unfortunately there's likely to be a big demand for this app in the U.S. What a tool for thought- and speech-police everywhere.https://t.co/faX4cXkyKw
— Robert P. George (@McCormickProf) April 20, 2021
O senador
republicano Josh Hawley condenou o aplicativo, argumentando que trata-se de uma
evidência do PCC “imitando a esquerda americana, que tem publicado listas de
eleitores de Trump e expulsando-os das redes sociais há meses”.
This is the Chinese Communist Party mimicking the American Left, which has been publishing lists of Trump voters & hounding them off social media for months https://t.co/179f4f3XtR
— Josh Hawley (@HawleyMO) April 19, 2021
Scott Kennedy,
conselheiro sênior e presidente do Conselho de Administração e Economia Chinesa
do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, disse à Newsweek que a iniciativa é “simplesmente um esforço
da liderança atual para controlar a conversa sobre a história chinesa e limitar
qualquer debate sobre interpretações de eventos diferentes, todos com o
objetivo de colocar a liderança atual e Xi Jinping sob uma luz mais positiva.”
Considerando
que o governo comunista chinês já proíbe o acesso à maioria dos sites fora de
suas fronteiras, Kennedy disse que o novo app é apenas mais uma peça no
contexto de “ambiente geral em que o escopo do debate permitido foi
radicalmente reduzido”. Ele previu, porém, que muitos chineses não se
envolverão no serviço.
O lançamento da
aplicação ocorre apenas alguns meses depois de parlamentares chineses
promoveram mudanças na Constituição do país, declarando que as pessoas que
“insultam, caluniam ou infringem” a memória de “heróis nacionais” ou “mártires”
podem permanecer até 3 anos na prisão, segundo informações da Reuters.
Em meados de
fevereiro, foi revelado que um cidadão chinês de 22 anos, chamado Zhang Shulin,
passou 15 meses na prisão pelo crime de “insultar líderes de Estado” na
internet.
“Libertado
recentemente, um cidadão chinês de 22 anos cumpriu 15 meses de prisão por
“insultar líderes de estado” na Internet. Seu nome é Zhang Shulin, ele foi
preso em outubro de 2019 por suas mensagens em um grupo de bate-papo do QQ que
“insultava líderes de estado”, relevou a conta de Twitter ‘SpeechFreedomCN’, em
14 de fevereiro deste ano.
Released recently, 22-year-old Chinese citizen served 15 months in jail for "insulting state leaders" on Internet. His name is Zhang Shulin, he was arrested in Oct 2019 for his messages in a QQ group chat that "insulted state leaders". #speechfreedom pic.twitter.com/Dzokhh5qSJ
— 中国文字狱事件盘点 (@SpeechFreedomCN) February 14, 2021
Zhang é apenas
uma das muitas vítimas do regime de Xi Jinping. O The New York Times noticiou naquela época em uma
planilha pública do Google que listava “crimes” de opinião cometidos na China.
Os infratores
foram punidos por comentários que fizeram online e offline ao longo dos últimos
oito anos. Os “delitos” listados vão desde aqueles que compartilharam
pensamentos divergentes sobre a covid-19, questionaram o relato do governo
sobre um confronto no verão passado entre as forças chinesas e indianas, ou
criticaram agentes da lei.
Por Thaís Garcia
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