
Bolsonaro sinalizou mais uma vez que Andrè Mendonça deve ocupar a
vaga de Marco Aurélio Mello no STF.
MARCELLO CASAL JRAGÊNCIA BRASIL - 29.04.2020
Ministro da
Advocacia-Geral da União é favorito para ocupar a vaga do decano Marco Aurélio
Mello, que vai se aposentar em julho
O presidente Jair Bolsonaro disse a líderes evangélicos, nesta terça-feira (20), que o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), André Mendonça, é o favorito para assumir a vaga que será aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), em julho, com a aposentadoria do decano da Corte, Marco Aurélio Mello.
O pastor Silas
Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, afirmou não ser a primeira
vez que Bolsonaro dá todos os sinais de que indicará Mendonça para o STF.
"Ele já tinha falado comigo no dia 15 de março, quando estive (no Palácio
do Planalto) para propor um jejum e estava com oito líderes. Ontem (segunda-feira,
19), ele confirmou, mais uma vez. Isso já é uma verdade e o André é
favoritíssimo. Não tem para ninguém", disse Malafaia.
Bolsonaro
recebeu pastores evangélicos e deputados da bancada nesta segunda (19) e nesta
terça (20). Na reunião de segunda-feira, o próprio Mendonça estava presente.
Malafaia é um dos representantes religiosos que mais cobram a nomeação de um
evangélico para o Supremo. "Por que o presidente vai se queimar? O maior
grupo de apoio dele são os evangélicos. Lembre-se: não fomos nós que pedimos
isso. Ele fala isso desde a campanha eleitoral", observou o pastor.
Progressista
Mendonça é de
uma igreja nova, sem templo próprio e vista por algumas denominações como
"mais progressista". Em uma linha divergente do pensamento dominante
no meio evangélico, considerado mais conservador, a Igreja Presbiteriana
Esperança de Brasília - onde o advogado-geral da União e ex-ministro da Justiça
atua como pastor - evita temas políticos. Além disso, já manifestou reserva a
iniciativas do presidente, como a defesa de armas de fogo, e discute
abertamente como "apoiar, capacitar e emancipar as mulheres em
espiritualidade, liderança e serviço".
A promessa de
Bolsonaro de nomear um ministro "terrivelmente evangélico" para o
Supremo foi feita pela primeira vez em julho de 2019, durante evento com a
bancada temática no Congresso. "O Estado é laico, mas nós somos cristãos.
Ou, para plagiar minha querida Damares (Alves, ministra da Mulher, da Família e
dos Direitos Humanos): Nós somos terrivelmente cristãos. E esse espírito deve
estar presente em todos os Poderes. Por isso, meu compromisso: poderei indicar
dois ministros para o Supremo Tribunal Federal; um deles será terrivelmente
evangélico", disse o presidente.
Um ano depois,
no entanto, Bolsonaro
escolheu Kassio Nunes Marques para a primeira vaga aberta na Corte
em seu mandato, com a aposentadoria do decano Celso de Mello. Nunes Marques não
é evangélico. A indicação provocou contrariedade e muitos aliados do presidente
usaram as redes sociais para protestar. O descontentamento só foi amainado com
nova promessa, feita por Bolsonaro, de entregar a segunda cadeira a um
evangélico.
O ministro
Marco Aurélio Mello já formalizou a data para pendurar a toga. Em ofício
enviado à presidência do STF, Marco Aurélio marcou a saída para 5 de julho,
sete dias antes de completar 75 anos, quando tem decretada a aposentadoria
compulsória.
Agência Estado
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