
Presidente da Câmara, Rodrigo Maia.
Foto: Adriano Machado/Reuters (11.ago.2020)
Deputados
federais pretendem usar o caso da soltura do traficante André Oliveira Macedo,
o “André do Rap”, para pressionar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia
(DEM-RJ), a pautar logo a PEC que autoriza a prisão após condenação em segunda
instância. O discurso é de que, se proposta já tivesse sido aprovada, o
traficante não seria solto.
“Se o Congresso
já tivesse aprovado a PEC da segunda instância, o acusado não seria solto, pois
ele tem condenação em segunda instância e já teria que cumprir a pena”, disse
à CNN o deputado Fábio Trad (PSD-MS), relator da proposta,
ressaltando que recebeu mensagens de colegas parlamentares dizendo ser “a hora
de aprovar” a matéria.
Trad ponderou,
contudo, que o erro da soltura do traficante não foi do ministro Marco Aurélio
Mello, do Supremo Tribunal Federal. “A decisão do ministro Marco Aurélio está
baseada em lei. Houve, a meu ver, erro do juiz de primeira instância, que não
fundamentou no prazo legal a necessidade de prisão preventiva”, afirmou.
André do Rap é
considerado pela Justiça um dos principais traficantes da facção criminosa
Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele foi solto após interpretação de Marco
Aurélio sobre o artigo 316 do Código de Processo Penal. O dispositivo
estabelece que prisões preventivas devem ser revisadas a cada 90 dias, sob pena
de tornar a prisão ilegal.
O artigo foi
incluído por deputados federais e senadores no chamado pacote anticrime. O
pacote foi proposto pelo ex-ministro Sergio Moro e sancionado pelo presidente
Jair Bolsonaro em dezembro do ano passado, apesar da recomendação de veto do
ex-juiz, então ministro da Justiça e da Segurança Pública do governo.
Na última
sexta-feira (9), Maia prometeu pautar a PEC que regulamenta a prisão após
condenação em segunda instância até o final deste ano. “Acho que proposta está
madura, o texto vai ficar muito bom. A PEC estará votada até o final de
dezembro, antes do final do meu mandato”, disse o presidente da Câmara.
Por Igor
Gadelha, CNN
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