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| © Jose Sanchez Duas pessoas carregam um caixão próximo ao hospital Los Ceibos em Guayaquil, em 8 de abril de 2020 |
Assim como o
novo coronavírus, a desinformação também perdeu o controle no Equador, com
"fake news" que iam do lançamento de corpos no mar, descoberta de
mortos nas praias, à proliferação de remédios "milagrosos" - às vezes
perigosos - contra a doença.
Em 25 de
janeiro, vídeos sobre a suposta origem da doença já circulavam nas redes
sociais. Eram imagens de um mercado de animais vivos, mas não haviam sido
gravadas em Wuhan, China, e sim a mais de 3.200 quilômetros, na Indonésia.
Quando a China
registrava quase 80.000 casos e cerca de 250 mortes, em 29 de fevereiro, o
Equador relatava o primeiro contágio, o Brasil ostentava apenas um caso, e o
México, três. Na Colômbia e na Argentina, o vírus ainda era assunto de outros
países.
Um mês depois,
o Equador contabilizava 2.748 casos, três vezes mais do que a Argentina, para
uma população inversamente proporcional. Os serviços de saúde entraram em
colapso, e a desinformação se espalhou livremente, com consequências tangíveis
para os equatorianos.
- Pico de
desinformação -
"Não
comprem peixe! Mortos por coronavírus são lançados no mar no Equador e no
Peru", dizia a legenda de dois vídeos compartilhados milhares de vezes nas
redes sociais.
Um deles
mostrava, na realidade, corpos de migrantes em uma praia líbia, em 2014, e o
outro, o translado em uma embarcação de um falecido, cujo corpo havia sido
jogado ao mar, relataram seus familiares à AFP.
"Sou
comerciante de frutos do mar. Isso afetou minhas vendas, devido às mentiras, ou
gravações falsas, que foram feitas", contou por WhatsApp à AFP Factual um
usuário do Equador.
A rápida
expansão de casos no país gerou incerteza sobre o paradeiro final dos
corpos.
Circularam
suspeitas de fossas comuns, com fotos de túmulos cavados em descampados - imagens
freneticamente compartilhadas nas redes. Do material verificado pela AFP
Factual, porém, uma foto havia sido tirada no México, em 2018, e a outra, no
Equador, mas em 2016, sem qualquer vínculo com a atual pandemia.
Além do
Facebook, o governo identificou cerca de 25 grupos com aproximadamente 4.000
usuários cada, no Telegram e no WhatsApp, cruciais na disseminação da
desinformação com áudios falsos. A entidade diz ter "desmentido mais de
300 publicações desde março".
Segundo dados
da rede internacional de Fact-Checking (IFCN, em sua sigla em inglês), "as
duas categorias de informações falsas que mais chamam a atenção são sobre
'autoridades' - ou seja, desinformação de caráter político -, com 230, e as
curas falsas, com 181 casos".
- Remédios
milagrosos (ou mortais) -
Como em outras
regiões, surgiram receitas caseiras para curar a doença: tomar água morna
"a cada 10 minutos", alho, gengibre, mel, fazer gargarejos de sal, ou
de bicarbonato, entre outros.
Até mesmo o
presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, publicou em março uma receita para
esses fins, a qual o Twitter se encarregou de apagar.
Autoridades de
saúde e especialistas concordam: no melhor dos cenários, esses ingredientes
apenas aliviam sintomas, mas não curam o novo coronavírus, nem impedem seu
contágio. E também alertam: ingerir alguns destes produtos em grandes
quantidades pode ser prejudicial à saúde e até fatal.
Hoje, Peru,
México e principalmente o Brasil tiraram o Equador do protagonismo que teve no
início da crise, que atualmente apresenta cerca de 40.000 casos e 3.400 mortos
– em contraste com o meio milhão de casos e quase 30.000 mortos do Brasil.
AFP
emm/arc/al/ltl/rsr/aa/tt

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