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© Marco
Ugarte/AP O presidente de El Salvador, Nayib Bukele:
'eles fugiram dos EUA? Não, eles fugiram do
nosso país. A culpa é nossa'
01/07/2019
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Em nome de seu
país, o presidente de El Salvador,
Nayib Bukele, assumiu a responsabilidade pela teve na morte de Óscar e Valéria Martínez Ramírez, pai
e filha que se afogaram na semana passada na travessia do Rio Grande, na
fronteira entre o México e os Estados Unidos.
Vencedor das
eleições presidenciais em fevereiro de 2019 e empossado em junho, Bukele disse à emissora de televisão BBC News
que “as pessoas não fogem de suas casas porque elas querem, elas fogem de suas
casas por que elas se sentem obrigadas”.
Segundo o
presidente, isso ocorre por que as pessoas não tem oportunidades de emprego nem
acesso a condições básicas de vida, como saneamento básico, educação ou saúde.
Também porque elas têm medo dos grupos criminosos que extorquem e massacram a
população.
“Até poderíamos
culpar outros países. Mas e a nossa culpa? De qual país ele fugiram? Eles
fugiram dos Estados Unidos? Não, eles fugiram de El Salvador, fugiram de nosso
país. A culpa é nossa”, afirmou.
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© /Arquivo
pessoal data-has-syndication-rights= Óscar Martínez
Ramírez e
sua filha Valeria: busca de vida melhor. (Foto/Aquivo pessoal)
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Durante a
corrida eleitoral com seu partido, o Grande Aliança pela Unidade Nacional
(Gana), o empresário e ex-prefeito da capital San Salvador apostou no discurso
antissistema e incluiu entre as principais propostas de seu governo a retomada
do crescimento econômico e a diminuição da violência.
Desespero
Ramírez
trabalhava como cozinheiro e decidiu, junto de sua família, a tentar uma nova
oportunidade nos EUA. Para atravessar o Rio Grande, colocou Valéria sob sua
camiseta e começou a travessia. Sua mulher, Tania Vanessa Ávalos, vinha
atrás junto a um amigo da família, e assistiu a cena do afogamento.
A tragédia
gerou indignação em todo o mundo. O alto comissário da ONU para os Refugiados, Filippo
Grandi, disse que os imigrantes mortos arriscaram suas vidas porque não
conseguiram a proteção a que tinham direito conforme as leis internacionais.
“As mortes de
Óscar e Valeria representam um fracasso
em lidar com a violência e o desespero que empurram as pessoas a
fazer jornadas perigosas pela perspectiva de uma vida em segurança e
dignidade”, disse ele em um comunicado.


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