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© Tony
Winston/Agência Brasília/Fotos Públicas Representante
das
distribuidoras nega que empresas tenham aproveitado a oportunidade
para refazer
suas margens de lucro.
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O
predomínio de três grandes empresas no mercado de combustíveis – BR
Distribuidora, Raízen e Ipiranga – contribuiu para que motoristas pagassem
mais pela gasolina na bomba, num período em que a Petrobrás reduziu
o preço na refinaria, no fim do ano passado, segundo estudo da Agência Nacional
do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O estudo indica
que empresas distribuidoras ampliaram seus lucros com a venda
do combustível enquanto a estatal mantinha sua tabela congelada.
A ANP analisou
os preços praticados nas refinarias estatais, por cada uma dessas empresas e
postos revendedores, entre 31 de outubro e 1º de dezembro de 2018. “No caso do
segmento de distribuição, a margem bruta ultrapassou R$ 0,40/litro no período
em que houve a maior redução de preços da Petrobrás, o que sugere, em uma
primeira análise, a falta de competição no setor, o que gera a apropriação
pelas distribuidoras de parte significativa dos descontos praticados pela
empresa”, informa a agência reguladora.
A distribuição
é a fatia do mercado entre o refino, que transforma o petróleo em derivado, e
os postos de gasolina. Até a década de 1990, era um segmento controlado pelo
governo, com preços tabelados. A sua liberação, no entanto, não foi suficiente
para garantir a competição, de acordo com a ANP.
Em nota técnica
sobre o tema, a agência destaca que, em 2008, as três maiores distribuidoras
presentes no País – BR, Ipiranga e Raízen – respondiam por 51,49% do mercado de
gasolina. Passados oito anos, a participação de mercado do mesmo grupo de
empresas passou para 64,87%. No mercado de óleo diesel, a fatia cresceu no
mesmo período de 63,84% para 72,93%.
O estudo foi
encaminhado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que informou
ao Estadão/Broadcast, por meio de sua assessoria de imprensa, “que
recebeu a nota técnica da ANP e que ela está em análise”.
A Plural,
representante das distribuidoras, nega a concentração de mercado e
a informação de que as empresas tenham aproveitado a oportunidade para refazer
suas margens. Diz ainda que, analisando um período mais longo, é possível
constatar que elas reduziram os ganhos com a venda de gasolina. Procuradas, as
três companhias que dominam o setor preferiram não se pronunciar.
O presidente da
Plural, Leonardo Gadotti, argumenta que outro estudo, da BCG, uma consultoria
independente, contraria as conclusões da ANP, de concentração no mercado de
distribuição. "A concentração existe sim no refino. Na distribuição não é
possível dizer isso, já que existem mais de 150 empresas atuando",
acrescenta.
Como exemplo, a
entidade cita o comportamento do mercado no primeiro trimestre deste ano,
quando definiu reajustes de preços menores do que os cobrados pela Petrobrás em
suas refinarias. No período, o reajuste da gasolina na refinaria foi de 20,2%,
enquanto na bomba ficou em 0,7%. Já no segmento de óleo diesel, a revisão de
preços na refinaria foi de 17,8% e de 3,3% nos postos, de acordo com a Plural.
A Plural
destaca ainda que outro estudo da ANP, de 5 de fevereiro, concluiu que, em 2017
e 2018, as distribuidoras acompanharam os reajustes praticados pela Petrobrás
em suas refinarias, "porém, em intensidades diferentes e com certa
defasagem temporal".
Para o diretor
do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE) Adriano Pires, a ANP peca por
não analisar os mercados regionalmente. “O mercado de combustíveis funciona
como o de frigorífico: a competição não é nacional. Localmente, nas diferentes
regiões, as grandes distribuidoras concorrem com as pequenas e médias”, afirmou
Pires. Além disso, ele destaca o peso do etanol, misturado à gasolina da
Petrobrás, e dos impostos na composição final do preço ao consumidor.
Já o presidente
do sindicato dos postos de gasolina em São Paulo (Sincopetro-SP), José Alberto
Gouveia avalia que o mercado de combustíveis é liberado, por isso “não é
possível acusar empresas de recomposição de margem”. Da parte dos revendedores,
que representa, ele diz que a ANP atestou que os reajustes nos postos tem sido
inferior aos praticados pela Petrobrás nas refinarias.
Fernanda
Nunes

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