Vazamento de combustível faz moradores serem hospitalizados em Caxias | Rio das Ostras Jornal

M

Vazamento de combustível faz moradores serem hospitalizados em Caxias

Vazamento em duto da Transpetro em Duque de Caxias isolou
 região e ao menos cinco moradores foram socorridos
Divulgação
Ao menos cinco pessoas foram socorridas, três delas sendo levadas para o Hospital Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, e uma menina está em estado grave e passa por cirurgia. Vazamento foi provocado após tentativa de roubo de gasolina de duto da Transpetro
Rio - O vazamento de combustível, provocado pelo furto em dutos de gasolina da Transpetro, provocou um forte cheiro e acordou moradores de pelo menos dois bairros de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, na madrugada desta sexta-feira. Ao menos cinco pessoas foram socorridas, três delas sendo levadas para o Hospital Adão Pereira Nunes, em Saracuruna. Uma menina está em estado grave e passa por cirurgia. O local está isolado pelo risco de explosão e quem mora no raio de um quilômetro impedido de acessar suas casas. 
O vazamento ocorreu próximo à Estrada Rio D'Ouro e teria sido percebido pouco antes das 2h, quando o forte cheirou tomou a região dos bairros de Parque Capivari e Amapá. Bombeiros foram acionados e socorreram Ana Cristina Pacheco Luciano, de 9 anos, Olavo Pacífico de Santos, 51 anos, Antônio M. da Silva, 53 anos. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, os dois homens têm estado de saúde estável.
A menina está grave, pois sofreu queimaduras por todo o corpo após cair na poça de gasolina que vazou e ficado cerca de uma hora hora caída no local. Olavo é funcionário da Transpetro e se queimou após ir para o local para interromper o vazamento. O terceiro ferido é um morador da região. Outras duas pessoas foram atendidas e liberadas ainda no local. 
Após o furto que provocou o vazamento, os criminosos, que teria começado a furar o duto por volta de 1h, fugiram. Uma mangueira que teria sido usada por eles para fazer o roubo da gasolina foi abandonada no local.
Placa avisa do perigo na região de Caxias por conta da
 passagem de dutos de combustível da Transpetro
 Rafael Nascimento / Agência O Dia
 Além do Quartel de Duque de Caxias, militares dos bombeiros de Campos Elíseos, de Nova Iguaçu e do Grupamento de Operações com Produtos Perigosos trabalham na prevenção na região atingida pelo vazamento, que foi isolada por conta do risco de explosão. No local, a Defesa Civil Municipal orienta que os moradores deixem suas casas.
Em nota, a Transpetro falou que o oleoduto era de gasolina destinada para exportação e as operações dele foram interrompidas. O combustível é classificado como do tipo A, mais forte e puro, sem ter passado por processo de refino, o que aumenta o risco de queimaduras ao simples toque.
A companhia disse que equipes de emergência foram imediatamente e que o local está isolado pelos bombeiros por conta do "risco de explosividade" que existe. "A Transpetro está tomando todas as medidas necessárias para garantir a segurança da comunidade do entorno, mobilizando todos os recursos para minimizar os impactos dessa ocorrência e prestando assistência às pessoas afetadas", disse em nota. 
A empresa falou que colabora com as investigações das autoridades que a maior preocupação é com a segurança das famílias, "pois intervenções criminosas nos dutos podem trazer riscos para a comunidade, como incêndios e explosões".
Local onde duto da Transpetro foi perfurado em Duque de Caxias
 Divulgação / Prefeitura de Duque de Caxias
De acordo com a Transpetro, no primeiro trimestre de 2019 foram registrados 38 casos de furto ou tentativas de furto nos dutos operados pela companhia em todo o país. Em 2018 foram 261 ocorrências, contra 228 em 2017 e 72 em 2016, indicando uma grande crescente de casos nos últimos anos.
"A colaboração e o engajamento dos moradores vizinhos aos dutos é muito importante para minimizar o perigo que todos correm com estes atos criminosos. Eles podem entrar em contato com a Transpetro por meio do telefone 168 caso identifiquem qualquer movimentação suspeita na faixa de dutos e em terrenos próximos. A ligação é grátis e o telefone funciona 24 horas por dia, sete dias por semana", conclui o texto.
Forte cheiro e pânico
Quase oito horas depois do vazamento de gasolina ainda é possível sentir o forte cheiro do combustível a três quilômetros do local onde criminosos furaram os dutos para furtar a gasolina. A região permanece interditada num raio de um quilômetro.
O lavrador Ilson de Souza Paes, de 58 anos, contou que estava acordado quando sentiu o cheiro forte e viu uma fumaça. "Foi em frente a minha casa. Saímos correndo só com a roupa do corpo e gritando para avisar as pessoas", contou ele. A mulher de Ilson sentiu dor de cabeça e tonturas e está na casa de um vizinho. "Estamos esperando autorização para entrar e pegar os documentos para irmos ao hospital", disse o lavrador, que é primo de Antonio, que está internado.
A dona de casa Maria Medeiros Perez, de 44, passou a noite acordada preocupada com o vazamento. Ela mora em um sítio com dois filhos e o dono da propriedade. "Vizinhos nos chamaram e saímos de casa. Estou esperando liberarem nosso acesso para entrar no sítio porque estou preocupada com meus animais", disse ela. No sítio, segundo Maria, há 10 cães, 50 porcos, 350 galinhas e dez cavalos. "Quero voltar para casa", suplica ela. 
Outro furto também provocou vazamento e atingiu rio em Magé
Em dezembro do ano passado, um vazamento de óleo na Baía de Guanabara também foi provocado pelo furto em duto da Transpetro, em Magé. O líquido se estendeu pela região de Duque de Caxias, Magé e chegou à Ilha de Paquetá.
André Esteves, secretário-executivo da organização não governamental Instituto Ondazul, disse que o vazamento atingiu manguezais no momento em que caranguejos faziam a desova em larga escala. Em um post no Facebook, o biólogo Mario Moscatelli chamou o incidente de 'apocalipse'.
"Além das águas contaminadas, grande área de manguezais, distribuída em suas margens, foi impactada pelo óleo, visto que as barreiras utilizadas pela empresa responsável pelo duto, de pouco ajudaram na contenção do óleo que vazava sem controle por tempo ainda não determinado. E agora, como é que ficam os manguezais e sua fauna, bem como as atividades socioeconômicas que deles dependem?", questionou.
Por Adriano Araujo e Rafael Nascimento

Postar no Google +

About Redação

This is a short description in the author block about the author. You edit it by entering text in the "Biographical Info" field in the user admin panel.
    Blogger Comment
    Facebook Comment

0 comentários:

Postar um comentário

Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!

Publicidade