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© Marcelo
Camargo/Agência Brasil O ex-ministro Marcelo Calero
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A redução de 98% do teto captado por projetos pela Lei Rouanet pode ser alvo de
judicialização no Supremo. Ex-ministro da Cultura, o então deputado federal Marcelo Calero (Cidadania-RJ) diz estar atento à
instrução normativa (IN) que o governo pretende publicar na semana que vem
regulamentando a diminuição. “Se acharmos que a regulamentação extrapolou,
vamos buscar medidas legais”, avisou.
O presidente
Jair Bolsonaro anunciou, na última terça-feira, 9, em entrevista à Rádio Jovem
Pan, o corte de R$ 60 milhões para R$ 1 milhão por projeto via Lei Rouanet. O
ministro da Cidadania, Osmar Terra, prepara o texto da instrução normativa.
Porém, ainda não há detalhes de como serão os cortes e quais casos terão
exceções ao teto.
O Estado apurou
que o governo estuda abrir exceção aos museus, já que tal redução travaria
reformas dos espaços, a preservação do patrimônio histórico e os projetos
anuais de instituições, como o Museu do Amanhã, o Instituto Tomie Ohtake, o
Masp e a Fundação Bienal de São Paulo, entre outros. Calero observou que todos
os museus no País hoje fazem uso de recursos via Lei Rouanet para manutenção
anual.
“Se não tiver
exceções, essa redução significa um apagão no Brasil”, afirmou Calero. Outra
preocupação é com indústria de musicais. “Essa redução é um tiro de morte nos
musicais e o Brasil é a terceira maior indústria do mundo, ficando atrás apenas
dos Estados Unidos e Inglaterra.”
Para o
ex-ministro Roberto Freire (PPS), o governo “erra” ao criminalizar a legislação
“que é boa”. “Estão se deixando levar pelo ideológico ao criminalizar a lei por
causa de erros que foram cometidos”, afirmou. “Não compreender isso é um grave
equívoco, como esse governo é feito de equívocos, este é apenas mais um deles”,
diz.
A Rouanet é uma
das principais ferramentas de fomento à cultura. Ela está em vigor desde 1991,
11 anos antes do primeiro mandato do então presidente Lula. Durante a campanha,
Bolsonaro já havia prometido revisar a legislação. Em fevereiro, o presidente chegou
a sugerir em suas redes sociais que o teto cairia para R$ 10 milhões por
projeto. À rádio Jovem Pan, na terça, reduziu o valor e afirmou que não deveria
haver exceções.
Naira Trindade
Estadão

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