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© Henry
Nicholls Assange deixou a embaixada do Equador
em Londres após uma denuncia de espionagem
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Quito — O
fundador do WikiLeaks, Julian
Assange, apresentou nesta segunda-feira uma denúncia à
Procuradoria-Geral do Equador contra vários diplomatas que trabalhavam na
embaixada do país em Londres, onde o ativista permaneceu asilado por sete anos.
Assange
responsabiliza os diplomatas por uma espionagem que gerou um caso de extorsão,
no qual estariam envolvidos três espanhóis. A denúncia foi inicialmente
apresentada à Audiência Nacional da Espanha.
O advogado de
Assange no Equador, Carlos Poveda, disse que os diplomatas podem ter cometido
até quatro crimes, entre eles vazamento de informações e violação de segredo
profissional.
O fundador
do WikiLeaks quer que a investigação chegue até o
chanceler do Equador, José Valencia, e também a outros integrantes da missão
diplomática do país em Londres, que o vigiavam durante o período em que
permaneceu na embaixada.
“O governo do
Equador acusou Assange de espionagem dentro da embaixada. Na verdade, a
espionagem vinha deles”, afirmou Poveda.
Os diplomatas,
segundo o advogado, teriam vazado informações pessoais do ativista. Poveda não
quis revelar a quem esses dados foram repassados, mas destacou que há oito
envolvidos no caso.
Em março deste
ano, o editor-chefe do WikiLeaks, Kristinn Hrafnsson, denunciou que três
pessoas de nacionalidade espanhola pediram a ele 3 milhões de euros para que as
informações pessoais de Assange não fossem divulgadas na internet.
“Esses fatos
geraram extorsão em Madri, já que (os suspeitos espanhóis) exigiram a entrega
de 3 milhões de euros pela não divulgação dessas informações”, afirmou o
advogado.
Entre os dados
vazados pelos diplomatas estaria exames médicos realizados por Assange durante
o período em que ficou na embaixada, de 2012 até abril deste ano, depois de o
Reino Unido ter aceitado sua extradição à Suécia em um caso de assédio sexual.
Entregue às
autoridades britânicas no último dia 11, o ativista australiano encara mais uma
vez processos na Justiça. No Reino Unido, ele é acusado de violar medidas cautelares.
Já os Estados Unidos querem a extradição de Assange pela divulgação de milhares
de documentos secretos do governo através do WikiLeaks.
Os espanhóis
que teriam tentado chantagear o editor-chefe do WikiLeaks obtiveram informações
e fotos de documentos da estratégia jurídica que a defesa de Assange preparava
caso o Equador decidisse retirar o asilo político concedido a ele.
“Sem nenhum
tipo de autorização e de maneira ilegal, os funcionários da embaixada tiraram
essas fotos, violando o segredo profissional”, disse o advogado do ativista.
Além dos
diplomatas, na denúncia também estariam envolvidos alguns integrantes da última
equipe de segurança que conviveu com Assange na embaixada. Eles eram
funcionários da empresa equatoriana Promsecurity.
Isabela
Rovaroto

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